Por Marcelo Gregório
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O pedido de renúncia do bispo da Diocese de São João da Boa Vista, Dom José Carlos Brandão Cabral, 61, foi aceito pelo papa Francisco na quinta-feira (7). Na noite seguinte (8), já como bispo emérito, Cabral celebrou o Rito de Dedicação na Paróquia Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em uma solenidade rica de significados e unção. “Portanto, não foi o meu último ato. Eu já era bispo emérito quando fiz a Dedicação. A gente vai continuar exercendo o ministério de maneira diferente à medida em que for solicitado”, disse Dom Cabral ao O MUNICIPIO.

Na carta enviada à sede da Igreja Católica, o bispo emérito alegou que seria necessário o afastamento para que ele pudesse cuidar melhor de sua saúde. O ‘sim’ do papa ocorreu cinco dias após o apelo. Com a decisão, a Santa Sé — jurisdição eclesiástica da Igreja Católica — nomeou como novo administrador apostólico da Diocese de São João, o arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva.
NOVO BISPO
Todavia, Dom Cabral explicou que a definição do próximo bispo deverá ser analisada de forma criteriosa pela autoridade máxima católica. “Eu creio que vai demorar uma média de cinco a seis meses. Eu saio com a consciência tranquila e de dever cumprido. Para o próximo que vier, passarei uma Diocese equilibrada, sem nenhuma dívida e organizada. Isso tudo não é mérito meu, mas de todos aqueles que estiveram comigo. Os padres e a nossa equipe da Cúria diocesana”, enfatizou o bispo emérito.
Dom Moacir Silva está sob o comando de 80 paróquias e mais de 200 padres integrantes da Diocese. “Ele já está atuando de direito e fato como administrador, embora ele tenha me delegado fazer algumas atividades que ainda restam, por exemplo, as celebrações do Crisma, e a Dedicação na igreja, do altar do Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que ocorreu na semana passada”, frisou Dom Cabral.
A DOENÇA
À reportagem, Dom Cabral contou que um mês antes de tomar posse como bispo da Diocese de São João, em agosto de 2022, já havia sido diagnosticado com um câncer linfático. “Naquela ocasião, quando eu tomei posse, o meu oncologista e o meu cardiologista me aconselharam a um afastamento, o que recusei, pois não teria sentido tomar posse e, na sequência, pedir um afastamento. Toquei [a Diocese] este ano, [que] foi marcado por muitos desafios, mas graças a Deus foi um ano de muitas conquistas. O Clero compreendeu muito bem a minha situação, um foi ajudando o outro e as coisas foram caminhando um pouco mais lentamente diante das inúmeras demandas que a Diocese comporta”, explicou.
Mesmo de forma vagarosa, os médicos o alertaram que a saúde estava se agravando. “Eles aconselharam mais uma vez a um afastamento porque a nossa vida é marcada por altos e baixos de conflitos e estresses emocionais, e os médicos afirmaram que tudo isso se torna um gatilho para que o câncer retorne. Sobretudo, nesta fase de remissão que eu estou vivendo. Ainda estou recebendo quimioterapia, embora uma quimioterapia diferenciada a cada dois meses”, revelou o religioso.
DECISÃO DIFÍCIL
Um problema cardiovascular, que exigiu a implantação de um stent — pequeno tubo colocado dentro de uma artéria para mantê-la aberta —, pesou na decisão do afastamento. “Foi aí que eu tomei a decisão de pedir renúncia ao governo da Diocese de São João. Fato este que eu já vinha há muito tempo refletindo com os meus padres. O câncer e a quimioterapia deixam a gente pela metade, meio sem forças físicas. Às vezes, o desânimo mexe com o psiquismo e, diante das grandes demandas que a Diocese comporta, eu julguei que [ela] merece um bispo com mais saúde e mais cheio de vigor. Então, para não comprometer o andamento da Diocese, tomei a decisão muito bem pensada e refletida. Sou agora bispo emérito, continuo exercendo o meu ministério na medida em que for solicitado, porém, sem estar mais à frente da administração de todo o governo pastoral da Diocese”, reforçou.
AGRADECIMENTOS
Administrador da Diocese de São João, por mais de um ano, Dom Cabral se despediu do posto acreditando que o trabalho desempenhado foi aceito pela comunidade sanjoanense. “Só me resta agradecer ao meu Clero que colaborou muito comigo, este ano, uma compreensão muito grande diante das minhas limitações. Agradeço a Deus pelas inúmeras pessoas queridas que eu conheci. Estive em todas as paróquias celebrando e administrando o Crisma. Levo no coração toda essa realidade bonita. Agora, vou cuidar um pouco mais da minha saúde. Eu penso que vale à pena não comprometer o bom andamento que a Diocese merece. Deixo aqui o meu abraço a todos que me entenderam e me felicitaram por essa decisão”, concluiu Dom Cabral.




