Teresinha quer mudança de feira e irrita comerciantes

Por Marcelo Gregório
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Barracas desmontadas, feirantes de braços cruzados, produtos perdidos, viatura policial de plantão e muita revolta. Foi o cenário registrado na manhã de terça-feira (5) na rua Henrique Martarello, entre os bairros Vila Brasil e Jardim São Paulo, após a Prefeitura de São João da Boa Vista ter decidido pela mudança de endereço da feira livre.

Inconformados com a decisão, os feirantes, procurados pelo O MUNICIPIO, disseram que não aceitam a transferência sugerida pelo Executivo para a rua Jonas Vieira de Barros (Jardim Fleming), às margens do Córrego Bananal, porque a via pública é estreita, difícil de descarregar as mercadorias, além dos constantes alagamentos provocados em dias de fortes chuvas.

Braços cruzados: sem poder montar as barracas, feirantes alegaram ter perdido produtos (Fotos: Marcelo Gregório/O MUNICIPIO)

MOTIVO DA MUDANÇA

A movimentação na feira livre da Henrique Martarello, às terças-feiras, acontece há quase 40 anos. A mudança teria sido planejada, em 2022, pelo Executivo com o argumento de que a feira estaria atrapalhando o trânsito e o comércio nas imediações.  “Foi verificada a inviabilidade, uma vez que este local se tornou via arterial de deslocamento centro-bairro com a construção de novos empreendimentos imobiliários e também pelo fato de se tratar de uma via de composição comercial.”

No domingo (3), a prefeita Maria Teresinha de Jesus Pedroza (PL) compareceu ao galpão da feira, no bairro São Benedito, e tentou convencer um grupo de feirantes. “Ela chegou lá, em cima da hora, e comunicou que a gente iria mudar. A gente quer permanecer aqui ou que [a Prefeitura] arrume um lugar adequado”, lamentou Eduardo Rink Menato.

Na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira (4), a feirante Rosineide da Silva Pavani pediu espaço na Tribuna e se posicionou totalmente contrária à mudança.  “A gente tinha noção que iria para lá, mas não sabia o dia e não tinha aceitado. Ela [prefeita] é a chefe da nossa cidade, mas não estamos contentes. Tem que nos ouvir porque não pode montar a feira livre ali”, reclamou Pavani.

O vereador Junior da Van (PSD) esteve no local.  “Entrei com requerimento semana passada e vou entrar pedindo de novo para que a Câmara, em conjunto com os demais vereadores, possa conversar com a prefeita porque [a decisão tomada] não vem de [sic] encontro ao anseio da população e dos próprios feirantes”, disse.

MELHORES CONDIÇÕES

O vendedor de feijão e outros produtos, Jonatas Pereira Gimenes, monta a barraca na via pública toda terça-feira. “Infelizmente, hoje a gente perde o dia com o ganho das mercadorias, mas ganha em relação à causa de uma possível permanência na Henrique Martarello ou até mesmo em um lugar com melhores condições de trabalho. A gente não quer regalias, apenas trabalhar”, disse Gimenes.

Carga parada: caminhões não puderam ser descarregados

MORADORES NÃO CONCORDAM

A Prefeitura informou que melhorou a iluminação, pavimentou a calçada, construiu alambrado, e fez limpeza e manutenção no córrego ao lado da rua. “Outros locais também foram analisados, mas inviabilizados por questão de logística e trânsito. Além disso, os moradores da rua Jonas Vieira de Barros foram consultados e ninguém se manifestou contra a implantação da feira livre”, pontuou.

O mecânico Fábio Ildefonso ‘bateu o pé’ e disse que não aceita. “E o meu direito de ir e vir? Não vou poder tirar o meu carro, não vou poder sair. Ninguém da rua quer. A Prefeitura apenas notificou e marcou a rua”, questionou Ildefonso.

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