Garota se desdobra entre estudos e outras habilidades

Por Clovis Vieira
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“Eu me chamo Rafaela Landini Zan e tenho 9 anos”, vai logo se apresentando e revelando desenvoltura ao conversar mesmo com adultos. Ela trouxe o pai para a sessão de entrevista, um encontro que ela mesmo sugeriu à reportagem. Neste momento, cursa o 4º ano do ensino fundamental e revela que gosta muito de estudar, principalmente matemática.

Rafaela vive infância com alegria e determinação

Inquieta, no melhor sentido do termo, relaciona suas outras habilidades: “Eu faço costura, faço jiu-jitsu, faço, violino, piano, canto, faço teatro que eu adoro… e faço várias outras coisas”. Ao apontar as atividades nas quais curte mais se envolver, escolhe duas quase opostas: costura e jiu-jitsu. “No curso de costura eu gosto de pregar botões, fazer barras de calças… manusear os tecidos, os papéis de moldes”.

Porém, costurar não será, definitivamente, a sua profissão no futuro. “É um hobby, mesmo, porque eu quero ser médica”, anunciou com segurança. Ter o pai dentista pode ter, de alguma forma, despertado nela esse interesse. “Eu sempre estou no consultório do meu pai, adoro”. No jiu-jitsu, já começou a colecionar prêmios de acordo com sua idade, em competições aqui e em outras cidades que promovem essas competições.

Abraçar tantas atividades ao mesmo tempo, reservando para outros momentos divertir-se na sua infância, não é uma imposição familiar. “Eu faço tudo isso espontaneamente. Minha mãe me dá toda liberdade; ela diz ‘você está gostando de tal coisa? Porque se quiser parar, pode parar, viu!’”. Uma de suas características é o auto desafio constante, revelado na entrevista quando fala sobre as aulas de violino. “Estudar violino é muito difícil, mas eu gosto”.

Observando seu redor, encontra crianças, muitas com idades próximas a sua, que não contam com as mesmas oportunidades que ela para escolher e praticar hobbies tão diferentes como os que ela se dedica. Em momentos assim, aconselha os amiguinhos: “procure pelos cursos da Prefeitura, é muito legal lá. Eu sei disso, porque estudo piano grátis, lá”.

Rafaela prevê que “será uma tristeza” o momento em que precisar interromper tantos afazeres para dedicar-se aos estudos que a levarão até o sonho de ser médica, “porque a música, os esportes e as outras atividades fazem parte da minha vida, mesmo; eu sei que vou ficar muito triste quando precisar parar”. Nos encontros do teatro, entre os bastidores e o palco, Rafaela escolhe o segundo, onde possa ser vista praticando seus talentos.

O mesmo se dá no coral municipal, onde faz parte do grupo. “Já faz um tempo que eu canto nesse coral, eu gosto bastante. Eu gosto de me apresentar, eu gosto de palco”, confessa. E afirma que está sempre disposta a ensinar o que já sabe. “Eu quero oferecer às pessoas as mesmas oportunidades que eu tive; também tenho amigas que gostam de saber que eu faço tantas coisas ao mesmo tempo, me apoiam”.

Com a orientação dos pais, Rafaela consegue equilibrar seu tempo de ser criança com o de aprender vorazmente tudo o que desperte seu interesse. “Eu gosto, mesmo, é de entrar nesse mundo dos meus hobbies; eu consigo separar as coisas; mesmo com minhas amigas, eu consigo separar o momento de brincar, com o momento de estudar e fazer essas coisas que eu gosto”, finalizou.

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