Lucila Martarello Astolpho: muito além do hino de São João

Por Clovis Vieira
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Aos 92 anos de vida, a professora Lucila Martarello Astolpho é alvo do carinho e do respeito de todos os que a rodeiam. “São João da Boa Vista é tudo para mim! Acho linda a cidade, um povo maravilhoso e receptivo. O que eu falei no hino da cidade é o que eu sinto”, discorreu sobre a cidade onde nasceu em 17 de junho de 1931. Em parceria com o poeta, escritor e compositor Fábio de Carvalho Noronha, o poema que ela havia escrito a pedido de Otávio Pereira Leite, então presidente e fundador da Academia de Letras, transformou-se no Hino de São João da Boa Vista.

Antes, bastante ativa e participante da vida cultural do município, ela agora se confessa mais introspectiva, mais recolhida em sua tranquilidade. Mas gosta de relembrar: “O melhor tempo de minha vida foi a juventude; era uma juventude muito alegre. Eu estudei no Colégio Santo André e adorava as irmãs. Eu queria entrar para o convento! Mas um padre falou assim para minha mãe: “ela não vai para o convento, ela terá dois travesseiros e uma porção de travesseirinhos” e riu dessa lembrança.

Lucila foi professora titular da Cadeira de Filosofia da Educação na então Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de São João da Boa Vista. Considerada uma excelente escritora e declamadora de poesias, ela agradece esse talento também às irmãs do colégio: “Foram elas que me ensinaram e me motivaram! Então, eu gosto muito de poesia, gostava muito de ler e gosto de falar, eu falo muito…” confessou, com um sorriso.

Inspiração: Lucila Martarello Astolpho (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

TEATRO
Neste ponto da vida, saudades é que não faltam no seu dia a dia. Entre elas, duas se destacam: saudades do marido Ulysses Astolpho, com quem esteve casada por 61 anos, falecido em outubro de 2019; e saudades da filha Sílvia Martarello Astolpho, falecida em maio de 2021. “Sobreviver a estas perdas é muito triste; minha filha Fernanda tenta me orientar dizendo que preciso pensar em outras coisas, ler mais como eu fazia antes… e como eu gostava de ler, de fazer tricô, de bater castanholas…”

Com o marido, sua família era formada por quatro filhos: Maria Fernanda, aposentada como Supervisora de Ensino, a Sílvia que era engenheira e trabalhava no Brasil todo, a Flávia, que é psicóloga e advogada, que mora em Florianópolis e o Ulysses Júnior, que é médico e mora no Rio de Janeiro. “Se eu pudesse voltar no tempo, e escolher um momento especial para reviver, eu voltaria no Largo das Palmeiras, onde eu vivi bastante, passei lá a minha juventude”.

Nesse momento se dá conta de que as artes e cultura estão presentes em sua vida desde há muito tempo. Apresentou-se em diversas peças teatrais, seja como atriz, seja como dançarina. “Eu era artista, gostava muito de tomar parte das apresentações que havia na minha época de jovem”. Em sua homenagem, o teatro localizado na Cidade das Artes, o complexo cultural inaugurado em fevereiro de 2020, recebeu o nome de Teatro ‘Professora Lucila Martarello Astolpho’ – Cidade das Artes. “Olha só: eu tenho um teatro com o meu nome!”, terminou.

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