Por Ignácio Garcia
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Dados divulgados na última sexta-feira (2) pela Associação Comercial e Empresarial (ACE São João) mostram que o número de sanjoanenses inadimplentes atingiu a marca de 6.797 pessoas, que totalizam quase R$ 16 milhões em dívidas com empresas locais. Essas mais de 6,7 mil pessoas representam 7,49% da população do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São mais de 20.411 registros de débito, dos quais 9.062 possuem valores menores que R$ 500.

Os números locais seguem a tendência nacional de alta, conforme levantamento divulgado pela Boa Vista SCPC, que mede a inadimplência no País. Segundo o indicador, foi registrada uma alta de 2,3% em março, após subir 0,2% em fevereiro. Com isso, encerrou o primeiro trimestre com crescimento de 5,1% na comparação com o período de outubro a dezembro de 2022. “O indicador somou nove altas consecutivas na comparação mensal e isso mostra que as famílias têm tido muitas dificuldades para manter as contas em dia. Apesar da renda real apresentar agora uma tendência positiva, o desemprego tem aumentado”, avaliou Flávio Calife, economista da Boa Vista. Como observa Calife, o comprometimento da renda e o endividamento vinham caindo aos poucos, mas ainda são muitos altos diante de um quadro de juros elevados.
PERFIL DO INADIMPLENTE
De acordo com a Associação Comercial e a Boa Vista, o devedor sanjoanense é solteiro, do sexo masculino, tem entre 40 e 60 anos — só nossa faixa são 4.502 pessoas. Cerca de 64% dos negativados possuem apenas uma dívida no seu nome e, quando analisadas as dívidas no sistema da Boa Vista, 44,39% delas são de valores de até R$ 500 e 6.019 delas foram contraídas e não pagas no último ano.
Para o presidente da ACE, Candido Alex Pandini, os números refletem do endividamento das famílias: “Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 78,3% das famílias brasileiras estão endividadas. Esse número reflete diretamente nos índices de negativação de clientes e também nos baixos resultados que o comércio varejista tem apresentado”.
Pandini explicou, ainda, que a ACE tem buscado realizar ações para permitir que o consumidor local possa renegociar suas dívidas de forma rápida e sem burocracia, através do Serviço de Recuperação de Crédito— o SRC.
RENEGOCIAÇÃO DE DÉBITOS
“Através desse serviço, buscamos renegociar os débitos do consumidor com as empresas locais, de forma a reabilitar seu nome no varejo”, completou.
Além disso, o presidente da entidade destaca que a ferramenta é importante também para os empresários, uma vez que ajuda a recuperar valores considerados ‘perdidos’. “É um serviço que ajuda as duas pontas, tanto o consumidor, quanto o empresário. Nesse momento em que o comércio varejista está passando por uma baixa das vendas, esses valores recuperados ajudam demais as empresas”, explicou.
COMO FUNCIONA
Sob condições previamente negociadas, a Associação Comercial realiza a cobrança, renegociação e o recebimento dos débitos, sendo que as correções / atualizações são realizadas de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. “Importante destacar que esse serviço não tem custo para as empresas aderentes. E, além disso, a ACE está programando uma grande campanha de renegociação de débitos para o segundo semestre, aproveitando a injeção do 13º no mercado”, finalizou Pandini.
PARA UTILIZAR
Os consumidores interessados em aproveitar essa oportunidade para renegociar suas dívidas podem procurar a Associação Comercial na Rua São João, 237 — Centro, de segunda a sexta, das 8h30 às 18h.
Já as empresas interessadas em saber mais ou mesmo aderirem ao SRC podem entrar em contato pelo diretamente telefone (19) 3634-4311 ou pelo WhatsApp (19) 99846-7518.
O PRINCIPAL VILÃO
Um dos grandes vilões do endividamento é o cartão de crédito.
Os juros cobrados pelas instituições financeiras nas operações subiram para 447,7% ao ano em abril, confirmando trajetória de alta constante desde dezembro de 2020. A alta foi de 14,4 p.p (pontos percentuais) em relação a março e de 83,7 pontos em relação a 12 meses. Os dados fazem parte das estatísticas monetárias e de crédito divulgadas no final de maio pelo Banco Central (BC). Segundo o BC, esse é o maior patamar em seis anos. Em março de 2017, a taxa estava em 490% ao ano, acima da atual.




