Três empresas concorrem ao gerenciamento da Zona Azul

Por Bruno Manson
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Três empresas disputam a licitação para a gestão do serviço de estacionamento rotativo — Zona Azul — de São João da Boa Vista (SP). A sessão inicial de abertura e análise das propostas das participantes da Concorrência Pública nº 003/22 ocorreu na segunda-feira (5).

A G2 Empreendimentos e Logística Ltda. classificou-se em primeiro lugar, uma vez que apresentou a proposta de repasse de 42,01% do rendimento bruto à Prefeitura. Na segunda colocação ficou a Primeira Estacionamentos Ltda. — a Estapar —, a qual gerenciou o serviço na cidade por mais de dez anos. Durante o certame, a empresa propôs o repasse de 33,26% do rendimento bruto à administração municipal. Já a Rizzo Parking and Mobility S/A ficou na terceira posição ao apresentar a proposta de repasse de 32,13% do rendimento bruto ao município.

Zona Azul: retomada do serviço deve minimizar os impactos causados pela falta de vagas (Ignácio Garcia/O MUNICIPIO)

ANÁLISE

Conforme apurado pelo O MUNICIPIO, até quinta-feira (12), o processo encontrava-se em carga para a Comissão Técnica Especial, a qual aguarda, no prazo de cinco dias úteis, a demonstração dos equipamentos a serem apresentados pela G2 Empreendimentos e Logística Ltda. e definir a aceitabilidade ou não da solução tecnológica apresentada. A etapa de julgamento das propostas só será finalizada após a análise dos equipamentos.

PRAZO INDEFINIDO

Diante deste cenário, a retomada da Zona Azul ainda não tem uma data definida. “Não há como estipular um prazo médio, porém, a solução tecnológica apresentada pela futura concessionária deverá ser implantada, homologada em definitivo e estar totalmente operacional em até 90 dias corridos após a assinatura do contrato”, explicou o Departamento Municipal de Comunicação Social da Prefeitura.

A administração municipal ainda observa que nos 15 dias que antecedem o início da operação do sistema digital de estacionamento rotativo pago e nos 30 dias subsequentes ao início, a concessionária responsável deverá realizar uma ampla campanha de divulgação e orientação aos condutores nos meios de comunicação.

Estacionamento rotativo será ampliado em 14 novos trechos da região central

No início de 2022, a prefeita Maria Teresinha de Jesus Pedroza (União) publicou o Decreto nº 7.004, regulamentando assim a Lei nº 4.903, de 5 de outubro de 2021, que versa sobre a instituição da Zona Azul no município.

Conforme publicado no Jornal Oficial, a medida determina a ampliação da área do estacionamento rotativo com a criação de 343 novas vagas, distribuídas em 14 novos trechos, totalizando assim 1.487 espaços reservados aos motoristas. Paralelamente a isso, a Zona Azul mantém 451 vagas para motos, 58 para idosos, 36 para portadores de necessidades especiais, 25 para mototaxistas e dez destinadas às farmácias, além de 35 espaços para demais vagas. Já para a prestação do serviço, o decreto estipula 50 parquímetros.

VALORES

O Decreto nº 7.004 estabelece os preços para a utilização das vagas da Zona Azul. Para 15 minutos de estacionamento o valor é R$ 0,75 (somente via aplicativo). Já para 30 minutos a tarifa é R$ 1,50, enquanto que para 45 minutos é R$ 1,90; para 60 minutos é R$ 2,25; para 90 minutos é R$ 2,45; para 120 minutos é R$ 2,65; para 180 minutos é R$ 3,15 e para 240 minutos é R$ 3,75.

Segundo a legislação municipal, a tarifa estabelecida para o período de permanência de 15 minutos poderá ser paga, exclusivamente, mediante aplicativo de celular. Os preços públicos estabelecidos serão cobrados a partir do início de operação da concessão e reajustados anualmente pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA) ou por outro índice que vier a substituí-lo. O período máximo de permanência do veículo na mesma vaga não poderá ultrapassar duas horas na Zona Azul e quatro horas na Zona Verde.

Comerciantes amargam prejuízos diante da escassez de lugares para estacionar

Nesta terça-feira (20), São João da Boa Vista completa um ano sem o serviço de Zona Azul. O serviço foi paralisado até que a Prefeitura conclua o processo licitatório, o qual começou a ser estruturado em outubro de 2021. Enquanto isso não acontece, os comerciantes da região central da cidade amargam prejuízos diante da escassez de vagas.

Situada em frente à praça Governador Armando Salles, a loja Regina Presentes é um dos estabelecimentos impactados pela ausência do estacionamento rotativo. “Muita gente reclamava da Zona Azul, não queria pôr ticket e tudo mais, porém, sempre que íamos ao centro, encontrávamos lugar para parar”, comentou o proprietário Davis Mesquita.

De acordo com ele, o problema tem refletido nos clientes, uma vez que encontram dificuldades para estacionar. “A gente recebe mensagens de cliente que deu três, quatro voltas e não conseguiu achar um lugar para parar”, contou. “Há aqueles que perguntam se a gente pode mandar entregar na casa”, completou o comerciante.

Outro problema enfrentado por Mesquita é em relação ao recebimento de suas mercadorias. “Perto da loja não tem vaga carga e descarga. Muitas vezes o entregador vem, dá voltas e não consegue parar ou então deixa para outro dia. Com isso, a gente tem atraso nas entregas também”, observou. “A Zona Azul está fazendo muita falta”, declarou o empresário.

Na rua Ademar de Barros a situação também não é diferente. “Está horrível sem a Zona Azul. Por mais que muitos não gostem, este é um mal necessário!”, avaliou a empresária Márcia Takamune, proprietária da loja Japonesa Baby & Kids. “A reclamação dos meus clientes é geral. Eles relatam que dão duas, três e, às vezes, até quatro voltas, mas não conseguem vaga e acabam indo embora e comprando pela internet. Estamos perdendo muitas vendas por causa disso!”, disse a comerciante.

QUEDA NAS VENDAS

Outra loja que também enfrenta problemas é a Hope, na avenida Dona Gertrudes. Responsável pela unidade sanjoanense, a empresária Graziela Arruda Pio afirma que a ausência da Zona Azul tem refletido negativamente e impactado as vendas. “Quase todos os dias entram clientes reclamando que já tentaram ir várias vezes na loja e desistiram porque não conseguiram parar”, afirmou. “Já tive cliente que falou por WhatsApp que comprou pelo site porque não conseguiu ir à loja”, relatou a comerciante.

Graziela também é responsável pelas unidades da Hope de Mogi Guaçu (SP) e Araras (SP). De acordo com ela, em comparação à 2021, ambas têm apresentado crescimento de vendas todos os meses, ao contrário do que vem ocorrendo à unidade sanjoanense.

“Nessas duas lojas, estou com crescimento entre 30% a 35% referente aos dias 1º e 15 de dezembro. Já em São João, estamos com uma queda de 25%”, revelou. “Desde setembro, a loja de São João tem mostrado quedas todos os meses, comparado ao mesmo período do ano passado. E olha que ano passado estávamos em pandemia”, observou a empresária.

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