Por Daniela Prado
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“Conhecer as raízes é saber mais sobre nós mesmos. […] A história não pode ser esquecida”, como consta a mensagem de Luciana Mancini, na contracapa do livro ‘Francesco Francisco Mancini – Um história contada por seus descendentes’, livro que, aliás, veio para apresentar às novas gerações e para recordar às outras como era este italiano, que amava o Brasil e possuía múltiplas habilidades.

Neta de Francisco Antonio Mancini, Luciana conta que este livro é a primeira etapa de um projeto maior.
“Estamos preparando um segundo livro, focado no casarão que foi do meu avô e na importância da imigração italiana na arquitetura de São João da Boa Vista e região. Em seguida, estou criando o ‘Instituto Francisco Mancini’, que vai começar como uma plataforma digital com os livros e vários projetos”, revelou.
Luciana Mancini comenta que há tempos desejava resgatar e se aprofundar na história de sua família.
“Meu avô foi a figura central e um personagem na história de São João. A ideia foi resgatar seu papel como empreendedor, inovador, homem público muito conectado com a sociedade de sua época e como líder de uma família muito unida. Era um profundo conhecedor do Brasil, tinha um compromisso com o desenvolvimento da região e foi um grande inovador, tanto pela diversificação de suas atividades produtivas, muito além do café, quanto pelo trabalho de melhoria genética do gado, e luta pela melhoria das condições do produtor rural da época”, reconheceu.
Outro aspecto que ela ressalta é a grande atuação política e na vida cultural da cidade, engajada nas sociedades de ajuda mútua da Itália, país que sempre ajudou.
O livro marca o início do projeto do Instituto Francisco Mancini (IFM), que terá, entre seus objetivos, a preservação da história de São João.
A jornalista Ana Augusta Rocha é autora do texto de ‘Francesco Francisco Mancini – Um história contada por seus descendentes’ e conta que Luciana, por conhecer seu trabalho, a contratou para esta realização, fazendo uma função editorial.
“Ela falava e analisava os resultados tanto dos textos, quanto da iconografia que eu ia buscando. Eu, como jornalista, fui encarregada de conversar com família, de achar histórias e de escutar bastante a própria Luciana, para que suas ideias se materializassem assim, num texto que fizesse sentido”, afirmou.
Ana Augusta também comenta que apresentar Francisco Mancini era uma espécie de urgência para Luciana, que sentia que as novas gerações estavam perdendo bastante da alma da família, muito bem expressa pela figura de Francisco, personagem complexo e muito rico.
“Ao longo de seis meses fui recolhendo histórias e imagens junto da família e também na cidade de São João da Boa Vista, principalmente por meio de seus historiadores e do Arquivo Público Municipal. Muitas fotos antigas e outros tantos objetos, que retratavam a vida cotidiana de Francisco e Angelina também foram fotografados pelo senhor Gianelli, nessa busca de retratar o que se vivia à época. Tivemos uma dedicação especial em fotografar o casarão da família, um dos expoentes fotógrafos de arquitetura da atualidade, Pedro Máscaro”, confessou.
A jornalista costuma dizer que, para escrever um livro, demora-se nove meses, em média, como uma gestação e esse não fugiu à regra — seis meses de pesquisa, redação e edição, mais três meses para finalização, até a etapa da gráfica.
“Financiamento de todo trabalho foi feito pela Luciana Mancini, que tinha total determinação para cumprir todas as etapas, por conta própria. Todos da equipe se mobilizaram com ela nesse propósito”, concluiu.
Para Ana Augusta, a grande importância de fazer um livro como esse é sensibilizar não apenas a família, mas toda a cidade a viver e se orgulhar de sua própria história.




