Morte por Covid-19 põe segurança das escolas em dúvida

Morte: Daiane Mendes tinha 27 anos e faleceu na quarta-feira (9), vítima da Covid-19 (Divulgação/Arquivo Pessoal)

O falecimento da estudante Daiane Mendes da Silva, 27, causou grande comoção em São João da Boa Vista. Aluna de Pedagogia, ela trabalhava no Colégio Dom Bosco Pingo de Gente e teve sua vida ceifada pela Covid-19. A morte da estudante foi confirmada às 11h26 de quarta-feira (9), mesma data em que governo estadual anunciou a antecipação da vacinação de profissionais da Educação Básica, de 18 a 44 anos, em todo o território paulista.

A futura educadora foi a 226ª vítima do novo coronavírus contabilizada pelo Departamento Municipal de Saúde. Segundo o boletim oficial, ela era portadora de obesidade e os sintomas da doença se manifestaram em 24 de maio. A coleta do exame foi realizada em 2 de junho, mesmo dia em que a paciente foi internada na Santa Casa Dona Carolina Malheiros.

 

NOVA CEPA

Ao longo de sua vida, Daiane tinha um grande carinho pela tia Lindalva Mendes, uma vez que tinham uma forte ligação. “Tudo o que precisava, ela sempre contou comigo. Quando a mãe morreu, quando o pai morreu, quando a avó morreu. Tudo na vida dela era eu que estava em primeiro lugar, lhe ajudando”, revelou a familiar.

Lindalva acompanhou de perto o sofrimento da sobrinha, a qual pode ter sido vítima de uma das novas variantes do Sars-CoV-2, que circula na cidade. “A médica falou que acredita que ela tenha pego a nova cepa”, contou a tia.

 

REPERCUSSÃO

Nas redes sociais, a morte de Daiane teve grande repercussão. Em nota, o Centro Universitário UniFEOB expressou os pêsames aos amigos e familiares da estudante. Atualmente, ela cursava Pedagogia EaD e estava no módulo ‘Práticas da Matemática e Letramento’. “Que todos possamos encontrar forças neste momento difícil”, destacou a instituição.

Já o Colégio Dom Bosco Pingo de Gente publicou uma homenagem em sua página no Facebook. “Sua ausência vai deixar nossos corações quebrados, tristes e sempre faltará um pedaço”, consta no texto.

 

CARREATA

No final da tarde de quinta-feira (10), uma carreata foi realizada em homenagem a Daiane. Organizada pelo coletivo ‘Vacina + Educação’, a manifestação teve como ponto de partida o Terminal Rodoviário Intermunicipal e percorreu as principais ruas e avenidas do município, destacando a importância da imunização dos profissionais da Educação.

 

COLETIVO

Com o avanço da pandemia em São João, a liberação das aulas presenciais nas redes de ensino locais tem sido alvo de questionamentos por parte do coletivo ‘Vacina + Educação’. Formado por professores e profissionais da área, o movimento tem reivindicado a suspensão das atividades presenciais até que o município realize a imunização de todos os prestadores de serviços da área da Educação. O grupo já se reuniu com os poderes Executivo e Legislativo para discutir a situação – e até ingressou com uma ação popular –, contudo, não houve nenhum avanço nessas tratativas.

 

Profissionais da Educação de 18 a 34 anos foram vacinados no sábado (12)

O governador João Doria (PSDB) anunciou, na quarta-feira (9), a antecipação da vacinação de profissionais da Educação Básica de 18 a 44 anos para a sexta-feira (11) em todo o Estado de São Paulo. Antes, a previsão era de que a imunização deste grupo começasse no dia 21 de julho.

Em São João, sob longa fila, a Prefeitura promoveu, a imunização das pessoas entre 35 e 46 anos, desta categoria. Já os profissionais da Educação com idade de 18 a 34 anos foram imunizados no sábado (12). A aplicação da dose ocorreu das 8h às 16h, no Centro Cultural UniFEOB, situado à rua Riachuelo, nº 571, no Jardim São Lázaro.

 

Professores universitários, estagiários e monitores ficaram de fora da imunização

Para o coletivo ‘Vacina + Educação’, enquanto a imunização não for completa – com as duas doses e o período necessário para o corpo responder à vacina –, as aulas presenciais ainda oferecem risco de contágio, o que reforça a necessidade de que sejam suspensas.

O movimento ainda observa que a vacinação só ocorre quando há o imunizante disponível. “Temos relatos de colegas que foram em postos no dia programado de acordo com a idade e não havia vacina disponível. Além disso, o calendário municipal não está sincronizado com o estadual”, frisou.

Outro ponto observado pelo grupo é que outros trabalhadores da Educação não são contemplados nesse plano estadual, como por exemplo, professores universitários, estagiários e também os monitores de informática – uma vez que são contratados por uma empresa terceirizada e não podem ser cadastrados no site Vacina Já, pois não têm holerites. “São jovens estudantes que continuarão tendo contado direto com as crianças e que provavelmente não serão vacinados”, apontou o coletivo.

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