
Nunca, ou pelo menos não para essa geração, o 12 de maio foi tão representativo e profundo como neste ano de 2021. Isso porque, nesta data, comemora-se o Dia Internacional do Profissional de Saúde, sem dúvida o setor que mais foi demandado nos últimos meses, em razão da pandemia da Covid-19.
Originalmente, no dia 12 de maio era comemorado o Dia da Enfermagem, uma homenagem a Florence Nightingale, uma inglesa considerada a idealizadora da enfermagem moderna e fundadora da primeira Escola de Enfermagem. Devido ao crescimento de hospitais e áreas da saúde, o dia foi modificado para os profissionais que atuam neste campo, como médicos, enfermeiros, biólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, fonoaudiólogos, dentistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, biomédicos, farmacêuticos, entre outros. Mas há o que comemorar?
Para o biomédico Roberto Dias Conceição Junior, comemorar não seria a palavra correta. “Creio que, neste momento, a área de saúde como um todo nunca esteve em tanta evidência e todos nós sabemos da sua importância. No entanto, a pandemia trouxe grandes holofotes para a saúde, seja no sentido de mostrar cada profissional que luta diariamente, ou também revelando o imenso sucateamento que o País todo enfrenta”, apontou.

Segundo ele, o destaque que a área da saúde conquistou com a pandemia deve resultar em soluções a médio e longo prazo. “O recurso financeiro para a área deve ser cada vez mais otimizado e gasto sempre tendo em vista a necessidade. Tornou-se evidente que precisamos profissionalizar a área, principalmente nos quesitos de geração e planejamento dos serviços”, disse.
O biomédico teve seu turno dobrado durante a pandemia e foi exposto diariamente ao coronavírus. Para se ter uma ideia, Roberto realizou no seu laboratório quase 9.000 exames de Covid-19, número, segundo ele, assustador. Questionado se teve medo, disse apenas que sentiu receio de levar a doença para sua família. “Aprendi que devia ser prudente e nunca negligente com o vírus. Não abandonei a máscara nem para ir ao banheiro”, ressaltou.
Quando perguntado se os profissionais da saúde recebem a devida valorização pela atuação, Conceição Junior foi enfático: “Honestamente, estamos muito longe disso. Costumo dizer que, no Brasil, há várias realidades sobre valorização, mas a principal delas é a grande discrepância, principalmente salarial, que há entre médicos e não médicos. E não é desmerecer esta ou aquela profissão. É apenas constatar que há, sim, uma grande desigualdade entre as muitas profissões da área de saúde”, finalizou.
PAIXÃO PELA FISIOTERAPIA
Marta Damasceno é uma das mais respeitadas fisioterapeutas do Estado e, há 17 anos, atua na UTI da Santa Casa.
Com 38 anos de profissão e 36 deles dedicados à terapia intensiva, Marta revela que a pandemia trouxe, sim, medo no começo, mas que também muitas contribuições ficarão quando ela acabar.
“Óbvio que tive medo, o desconhecido assusta muito. Quando tudo começou, nós temíamos contrair a doença e não ajudar a população. Até a pandemia, a Santa Casa tinha um serviço de cobertura de fisioterapia de 18 horas e, com a pandemia, a necessidade foi de permanecer 24 horas de plantão. Isso foi ganho de espaço para o profissional, mas que ainda sofre muito com uma remuneração não tão bacana e temos muito que lutar”, alertou.

Para ela, a pandemia não valorizou mais o profissional, ela apenas evidenciou os bons profissionais, pois estes, acredita, têm espaço em qualquer lugar. “A mídia fala muito na medicina e na enfermagem e agora começa a lembrar dos outros profissionais em razão da necessidade da reabilitação dos pacientes na sociedade. Todo mundo cresceu, amadureceu”, lembrou.
Se os profissionais de saúde são valorizados, Marta também é direta: não. “Nenhum profissional no Brasil tem seu devido valor. Somos extremamente desvalorizados do ponto de vista de remuneração, insalubridade, carga horária de trabalho digna. Fisioterapeuta hoje trabalha em dois hospitais para ter renda razoável. Desumano, trabalha média de 250, 260 horas por mês e isso é bastante desgastante”, considerou.
A fisioterapeuta ainda faz um pedido para que a comunidade entenda que a Covid-19 é grave e que os profissionais da saúde estão exaustos. “A gente se arrisca para tentar salvar o maior número possível de brasileiros. Trabalhamos com muito amor e tenho certeza que o maior agradecimento é você deitar a cabeça no travesseiro e agradecer a Deus a oportunidade de estar salvando vidas. Os profissionais de saúde como um todo estão de parabéns”, concluiu.




