O ‘adiós’ de Maradona

Campeão: herói do Mundial no México, Maradona levanta a Copa do Mundo (Divulgação)

Diego Maradona morreu na quarta-feira (25), aos 60 anos, após uma parada cardiorrespiratória. O craque sofreu um mal súbito no fim da manhã, quando ambulâncias foram chamadas à casa onde ele se recuperava de uma cirurgia no cérebro, em Tigre, na zona metropolitana de Buenos Aires, na Argentina.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, declarou luto oficial de três dias no País. “Fostes o maior de todos. Obrigado por ter existido, Diego. Sentiremos sua falta para toda a a vida”, escreveu o presidente nas redes sociais.

COPAS DO MUNDO

A carreira de Diego foi marcada pela genialidade em campo e pelas polêmicas fora dele. O camisa 10 defendeu a seleção em 91 jogos, atuando em quatro Copas do Mundo: 1982, 1986, 1990 e 1994.

Enfrentou o Brasil em duas delas: foi expulso na derrota por 3 a 1 pela segunda fase da Copa da Espanha (1982), e na Itália (1990) fez toda a jogada do gol de Caniggia na vitória por 1 a 0 que eliminou o Brasil.

No Mundial dos Estados Unidos (1994), viveu um dos piores momentos de sua trajetória, quando foi pego no exame antidoping ainda na primeira fase da competição.

CLUBES

Nos clubes, a trajetória de Maradona começou no Argentinos Juniors, onde brilhou e ganhou uma chance no Boca Juniors, seu time do coração. De lá, rumou para o Barcelona e depois para o Napoli, onde viveu um caso de amor com a torcida e fez história com a conquista de dois títulos italianos – os únicos da história do clube, onde Maradona é o grande ídolo até hoje. Após passagens por Sevilla e Newell’s Old Boys, Diego encerrou a carreira no Boca, em 1998, e passou a ser figura comum em jogos na Bombonera.

Destaque: Maradona é um dos melhores jogadores de todos os tempos (Divulgação)

NÚMEROS

Como atleta, ele conquistou a Copa do Mundo de 1986 e o Mundial sub-20, em 1979, defendendo as cores da seleção argentina.

Maradona conquistou dois títulos do Campeonato Italiano (1986/87 e 1989/90), um da Copa da Uefa (1988/89), um da Copa Itália (1986/87) e um da Supercopa da Itália (1990) no Napoli.

Com o Barça, venceu uma Copa do Rei (1982/83), uma Copa da Liga Espanhola (1982/83) e uma Supercopa da Espanha (1983).

No futebol argentino o único título foi o campeonato nacional, em 1981, com o Boca Juniors.

TREINADOR

Após pendurar as chuteiras e ter diversas fase no tratamento contra dependência química por cocaína, Maradona se aventurou como treinador e teve uma oportunidade à frente da seleção argentina, a quem conduziu na Copa do Mundo de 2010, onde foi eliminado nas quartas de final para a Alemanha, por 4 a 0.

Depois, Diego passou por Al-Wasl e Fujairah, dos Emirados Árabes. Em 2018, comandou o Dorados, do México, e teve o último trabalho no Gimnasia de La Plata, ainda neste ano.

 

“Como se tivesse morrido um familiar meu”

Chino Benitez é técnico do Tucanos, equipe de rugby de São João da Boa Vista. O treinador é argentino, nasceu em Zárate, cidade situada na província de Buenos Aires. Ele veio para o Brasil em 2012, a princípio em Águas da Prata, depois para São João. Chino sentiu muito a morte de Diego Maradona, assim como todos os argentinos.

“Não acreditei quando me contaram, achei que ele sairia de novo dessa, como saiu de tantas. Para mim foi como se tivesse morrido um familiar meu, essa é a realidade e todo argentino está sentindo a mesma coisa”, contou emocionado.

Maradona e Argentina são praticamente as mesmas palavras no país vizinho, e cada um tem uma história para contar sobre Diego.

“Em 1979, quando tinha sete anos, meu pai me acordava às 5h para escutar os jogos do Maradona no Mundial sub-20 no Japão, na rádio AM, e a Argentina saiu campeã. Maradona me conecta com meu pai imediatamente, é algo muito forte, em 86, eu e meu pai estávamos viajando e escutando os gols de Maradona contra a Inglaterra, na verdade um, porque o outro foi com a mão de Deus”, contou

Desde cedo Chino foi envolvido no rugby e na participação de campeonatos, e Maradona, de alguma forma se fazia presente.

“No meu primeiro campeonato de rugby foi na mesma época da Copa do Mundo na Itália, em 90. Lembro que adiantaram um jogo que era importante para nós assistirmos todos juntos a Argentina enfrentar o Brasil. Não vou falar como foi o resultado porque a história já sabe, e não quero entrar nessa disputa”, disse sorrindo.

Na torcida: Chino esteve no Mundial de Rugby na Nova Zelândia (Divulgação/Arquivo Pessoal)
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