
Após três meses concluído, o ‘Hospital de Campanha’ entrará em funcionamento na próxima semana. A informação foi confirmada pelo Departamento de Saúde, que definirá e divulgará a data de abertura nos próximos dias. O espaço se encontra instalado desde o início de abril ao lado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Ambulatório Médico do UniFAE, no cruzamento das ruas da Saudade e Ernesto de Oliveira, na Vila Conrado.
De acordo com o Departamento de Saúde, a unidade é na realidade um Centro de Atendimento ao Enfrentamento da Covid-19, uma vez que será responsável por receber os pacientes com síndrome respiratória. O atendimento será 24 horas por dia.
Segundo a diretora de Saúde, Heloísa Trafani, o espaço contará com uma equipe formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, administrativos e o pessoal de higienização. “As contratações estão sendo realizadas pelo convênio com a Santa Casa Dona Carolina Malheiros e a equipe será capacitada nos próximos dias, antes da abertura para a população”, relatou.
INFECTADOS
Heloísa explica que o Departamento de Saúde tem realizado o acompanhamento diário das pessoas infectadas com o novo coronavírus. “O monitoramento é feito pelas Unidades de Saúde, sempre por um profissional de nível superior, que liga diariamente para o paciente. Esta ligação gera um atendimento no prontuário eletrônico das informações passadas. Com isso, a planilha é alimentada e enviada para a Vigilância Epidemiológica controlar os casos e os números”, explicou.
A diretora ainda alerta a população, pois a pessoa infectada que descumprir as medidas de isolamento social poderá ser multada e até mesmo presa. Conforme previsto no Código Penal, a pena pode variar de um mês a um ano, além de multa para quem infringir determinação do Poder Público destinada a impedir a introdução ou propagação de doença contagiosa.
“O Poder Público é muito cobrado sobre fiscalização e reabertura segura do comércio. O que eu digo é que depende muito mais da população o ato do cumprimento das regras seguras do que de fiscalizarmos, embora tenhamos colocado todos os nossos esforços para este monitoramento”, relatou. “As pessoas, nem todas, é claro, pois acredito que a maioria tem consciência da gravidade da situação que estamos vivendo, precisam entender que isto vai passar. Para que possamos atravessar este momento sem grandes prejuízos à Saúde Pública é necessário esforços dolorosos de todos. Sabemos das angústias de cada um, porém, não podemos ser omissos com algo que pode sim levar à morte e tratar como mais uma doença. É preciso cautela, equilíbrio e muita sabedoria”, declarou.
“Já deveria estar aberto desde o começo”, afirma vereador

O funcionamento e a finalidade do ‘Hospital de Campanha’ estiveram entre os temas discutidos nesta segunda-feira (29) na Câmara Municipal. Durante a sessão ordinária, o vereador José Eduardo dos Reis (PSB) fez uma série de observações sobre o espaço, uma vez que cobrou uma posição da Prefeitura sobre o início das atividades do local, entre outras informações. Atendendo a solicitação, o Poder Executivo encaminhou um ofício em resposta, o qual o edil fez questão de ler na íntegra. “O Hospital de Campanha foi montado preventivamente para que nenhum cidadão ficasse sem leito para tratamento, num eventual crescimento desenfreado da transmissão na cidade, o que até o momento não aconteceu, mas as informações que recebíamos dos demais países afetados obrigávamos a nos preparar para uma situação semelhante”, narrou.
No documento, o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) afirma que o ‘Hospital de Campanha’ sempre foi um ‘plano B’ na estratégia de enfrentamento a pandemia. “[…] a nossa vontade é de que ele não seja usado, o que significa que conseguimos controlar a transmissão da doença na cidade e que nossas estruturas de saúde já existentes deram conta”, consta no ofício. “O único investimento feito pela prefeitura no local foi o asfalto, produzido em nossa usina, investimento que não foi em vão, pois aquele espaço abrigará futuramente instalações de saúde na cidade. Ressalto que o espaço ainda não foi usado porque os leitos da Santa Casa de São João e da UPA têm dado conta da demanda”, concluiu o chefe do Poder Executivo.
CENTRO DE ATENDIMENTO
Após a leitura do documento, José Eduardo chamou atenção para alguns pontos. O primeiro é com relação a real função do local. O vereador explicou que o espaço criado não se trata de um Hospital de Campanha, mas sim de um Centro de Atendimento para o Enfrentamento da Covid-19, uma vez que é uma unidade estruturada pela gestão municipal para o acolhimento e atendimento de usuários com queixas relacionadas aos sintomas da doença – conforme detalhado na Portaria nº 1.445 do Ministério da Saúde.
Já um Hospital de Campanha recebe os pacientes encaminhados após passar por uma avaliação nos postos de saúde. Se eles preencherem alguns critérios, são internados na unidade pelo tempo que for necessário para sua recuperação.
RISCO DE CONTÁGIO
Outro ponto observado pelo edil é em relação à abertura do local, o que evitaria risco de contágio. “A função daquilo é fazer uma separação de quem está com Covid-19 dos pacientes que têm outras patologias. […] Estes Centros de Atendimentos foram feitos para separar, por isso que já deveria estar aberto desde o começo”, disse.
Para exemplificar, José Eduardo relatou o caso de uma idosa atendida na UPA na madrugada de sexta-feira (26). “Chegou uma paciente, uma senhora de 70 anos, com quadro de febre, tosse e dor nas costas há quatro dias. Quem vê televisão e está se informando sabe que isto são sintomas de Covid-19. Aonde ela ficou até às 7h? Dentro do leito, com mais quatro pacientes e seus acompanhantes”, relatou, destacando o risco de contágio da doença.
“Como que o [prefeito] Vanderlei vem e me fala em sua resposta que o Hospital de Campanha foi montado preventivamente para que nenhum cidadão ficasse sem leito para tratamento? Ali não tem leito para internar! Ali é simplesmente para fazer uma triagem!”, afirmou.
QUESTIONAMENTOS
José Eduardo prosseguiu com mais questionamentos. “Como se monta um negócio e não quer que seja usado?”, indagou o edil, referindo-se a resposta encaminhada pelo Poder Executivo. “Os contêineres são do UniFAE e não da prefeitura. Como ele [o prefeito] sabe que irão servir para a saúde, pois terá que devolvê-los a hora que acabar a pandemia?”, completou.
Durante a sessão, Patrícia Magalhães (PSDB) comentou que recentemente a diretora de Saúde, Heloísa Trafani, explicou sobre como será o funcionamento da unidade, citando que o local será um espaço de triagem e que até já estariam sendo contratados funcionários. “É importante a triagem para que a UPA volte a sua normalidade e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) também”, mencionou a vereadora.
Em seguida, José Eduardo observou que, com a unidade fechada, além da população, os profissionais da saúde também estão expostos ao risco de contágio. “O Centro de Atendimento aberto não quer dizer que a cidade está sobrecarregada ou com leitos sobrecarregados, mas sim é uma maneira de oferecer segurança para a população. Fazendo a triagem, está protegendo a população”, argumentou.
Finalizando o debate, José Cláudio Ferreira (MDB) relatou que havia a informação de que a unidade iniciaria o atendimento na quarta-feira (1), se prontificando apurar a veracidade disto para o edil.




