Sem imunidade ao novo vírus, infecções de dengue aumentam

Prefeitura de São João: equipes da administração municipal trabalham diariamente no combate a focos do mosquito (Divulgação/Prefeitura de São João)

O aumento significativo no número de casos de dengue tem um motivo e já começa a preocupar e São João da Boa Vista. De acordo com o departamento de Saúde, diferente do vírus circulante em 2015, quando foi decretada epidemia da doença na cidade, o de 2020 ainda não possui imunidade e demonstra sintomas característicos.

Em 2015, segundo o setor de Saúde, os principais sintomas eram febre alta e repentina, sentimento de cansaço, dores nas articulações e manchas vermelhas pelo corpo. Neste momento, o departamento explica que embora existam casos com perfil clássico, muitos têm apresentado sintomas divergentes entre si, limitando os diagnósticos àqueles com positividade laboratorial.

“Os exames clínicos [sem coleta de exames] não têm sido suficiente para a conclusão dos diagnósticos. A automedicação deve ser evitada a todo custo. Em casos de suspeita, seja de dengue, ou demais enfermidades, a pessoa deve procurar a Unidade de Saúde do bairro. Os casos mais graves devem buscar a Unidade de Pronto Atendimento [UPA]”, orientou o departamento de Saúde ao O MUNICIPIO.

NÚMEROS PREOCUPANTES
Dados oficiais da prefeitura apontam que, apenas até terça-feira (21), data do último boletim divulgado, 32 infecções foram registradas no município. Além do total de confirmações, 35 outras notificações de possíveis casos foram registradas no setor de Saúde de São João: 23 deles já foram confirmados como negativos e outros 12 ainda dependem de resultados.

Os números servem de alerta se comparados aos registados em 2019, quando, nos 12 meses, o total foi de 240. A média mensal dos casos do ano passado é menor do que as infecções já registradas em 2020: média de 20 confirmações por mês, em 2019, contra 32 registadas em 21 dias deste ano.

EVITAR CRIADOUROS
Em meio à crescente alta no número de infecções, é importante que os criadouros do mosquito proliferador da doença, o Aedes aegypti, sejam localizados e eliminados pela população, que pode tê-los nas residências sem nem mesmo se dar conta disso.

O departamento de Saúde informa que o mosquito Aedes aegypti tem como característica a reprodução em água parada e, desta forma, mesmo um recipiente pequeno, como uma tampa de garrafa, torna-se um criadouro potencial.

“Dentre os mais comuns reservatórios de água onde encontramos as larvas do Aedes aegypti estão os vasos de planta, potes plásticos, pneus, bromélias, lonas, lajes sem escoamento correto de água, bebedouro de animais etc.”, alertou.

AÇÕES DA PREFEITURA
Durante todo o ano passado, a prefeitura sanjoanense realizou 11 mutirões de combate ao mosquito transmissor da doença, para eliminar possíveis criadouros dele, em todas as regiões da cidade.

Mesmo após este trabalho, o setor de Saúde salienta que a administração municipal continua o combate aos criadouros, com equipes fixas e permanentes de servidores públicos (Agentes de Vigilância Ambiental).

“Notamos que os casos da doença estão aumentando e, portanto, as estratégias de intervenção devem ser adaptadas para o momento atual. Não descartamos a estratégia de novos mutirões, mas esta é apenas uma das estratégias. A saber, realizamos ações todos os dias em imóveis residenciais e comerciais, empresas [consideradas pontos estratégicos], imóveis públicos, busca ativa de pessoas adoecidas etc. Em todas as ações ocorrem a eliminação dos criadouros do Aedes aegypti. Somente com a participação do poder público e população em geral conseguiremos controlar esse problema”, destacou o departamento.

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