São João vai receber R$ 4,1 milhões do pré-sal

Recursos: montante destinado deverá ser aplicado em investimentos aos munícipes (Divulgação/Aldeia Criativa)

A Prefeitura de São João da Boa Vista receberá R$ 4.176.088,95 oriundos da divisão dos recursos do bônus de assinatura da cessão onerosa do pré-sal entre Estados e municípios. Para 12 cidades da região, incluindo São João, o montante soma R$ 27.144.578,15. O repasse pode ocorrer ainda neste ano ou em 2020. O cálculo foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Segundo a Confederação, caso as verbas da cessão onerosa entrem nos cofres municipais ainda neste ano, podem ser usadas para cobertura de restos a pagar inscritos em 2019 decorrentes dos compromissos firmados também neste ano com esses recursos, somente nas despesas permitidas (previdência e investimentos).

Contudo, ao considerar que o ingresso das verbas ocorra somente em 2020, esses valores não poderão ser utilizados para pagamento nem cobertura de restos a pagar de despesas que venham a ser contratadas e empenhadas em 2019.

Após a entrada dos recursos da cessão onerosa em 2020, o primeiro passo é também alterar a Lei Orçamentária Municipal para incluir a previsão adicional de receita. Como as verbas da cessão onerosa podem ser aplicadas em investimentos, essa é a oportunidade de os gestores municipais emplacarem projetos para melhorar a qualidade vida dos munícipes.

À reportagem do O MUNICIPIO, a Prefeitura de São João informou que foi comunicada do valor pela CNM, “mas que até o momento não houve qualquer contato oficial do governo federal a respeito deste recurso. A administração municipal aguarda as orientações quanto aos procedimentos para definir o emprego da referida verba”, pontuou.

DIVISÃO
O Projeto de Lei (PL) 5.478/2019 que permite o rateio foi aprovado por unanimidade pelo Senado Federal no dia 15 de outubro e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) dois dias depois (17).

O montante a ser dividido entre Estados e municípios é uma parte do chamado bônus de assinatura do leilão, que totaliza R$ 106,56 bilhões. Esse valor foi acertado pelo governo em abril. Firmado pela Petrobras e a União em 2010, o contrato de cessão onerosa garantia à estatal explorar 5 bilhões de barris de petróleo em áreas do pré-sal pelo prazo de 40 anos. Mas novas sondagens descobriram que a reserva tem potencial para cerca de 15 bilhões de barris. É esse excedente que será licitado.

O bônus será pago em duas parcelas pelos vencedores do leilão (ocorre em 6 de novembro), uma neste ano e outra em 2020. Do total, R$ 33,6 bilhões ficarão com a Petrobras em razão de acordo com a União, para que as áreas sob seu direito de exploração possam ser licitadas. Do restante (R$ 72,9 bilhões), 15% ficarão com Estados, 15% com os municípios e 3% com o Rio de Janeiro. Os outros 67% ficarão com a União (R$ 48,84 bilhões). O projeto obriga os entes a usarem os recursos para o pagamento de despesas previdenciárias e para investimentos.

CONQUISTAS
A aprovação do repasse é a consolidação de uma das conquistas anunciadas em abril deste ano, durante a 22ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Só conseguimos vencer essa batalha porque nos unimos e mostramos a força do movimento municipalista. Durante toda a tramitação, contamos com o apoio dos presidentes das entidades estaduais e de centenas de gestores, que alertaram deputados e senadores para os impactos que a medida representa aos municípios. São os gestores municipais que ofertam o serviço lá na ponta. São eles que podem realmente melhorar a vida da população”, disse o presidente da CNM, Glademir Aroldi, após a votação.

Pelo texto aprovado, 15% dos recursos arrecadados pela União com a medida serão repassados aos Municípios, o que é estimado pelo governo federal em R$ 10,9 bilhões. O mesmo percentual será destinado aos Estados, com mais 3% previstos para os chamados Estados produtores. A divisão aprovada aos Entes estaduais, no entanto, é de 2/3 por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e 1/3 por Lei Kandir e Fundo de Auxílio à Exportação (FEX).

(Com informações da Agência Senado e Agência de Notícias da CNM)

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