O primeiro de maio não merece rojões. O desemprego no Brasil voltou a aumentar no primeiro trimestre de 2019, atingindo a maior taxa desde maio do ano passado. O total de desempregados chega a quase 13,4 milhões, acompanhado de um número recorde de desalentados. Os números apontam para um cenário de fragilidade do crescimento econômico.
O resultado informado no início desta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a taxa de desemprego brasileira chegou a 12,7% no período, na terceira alta consecutiva e a maior do ano.
Outro ponto a ser destacado: os empregos gerados têm sido predominantemente informais. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 39,5 milhões de trabalhadores encontravam-se na informalidade no primeiro trimestre, ou seja, 43% da população ocupada.
Não é necessário ser o “Posto Ipiranga” para saber que a enorme quantidade de desempregados e trabalhadores informais reduz a capacidade produtiva da economia.
A maioria dos postos de trabalho no Brasil possui condições precárias: baixos salários, alta rotatividade e um sistema de proteção capenga, que se aprofundou a partir da Reforma Trabalhista de Michel Temer (MDB) e que Jair Bolsonaro (PSL) pretende dar continuidade.
Bolsonaro afirmou em sua primeira entrevista como presidente que “o Brasil é um país com direitos em excesso”. O mandatário prega que a legislação trabalhista precisa se aproximar da informalidade. Por isso, tem a intenção de criar a carteira de trabalho “verde e amarela”, que não extingue a CLT comum (carteira azul), mas as regras para o exercício do trabalho se tornariam menos rígidas. A ver.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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