Sem acordo. Foi assim que terminou a primeira audiência do processo de mediação aberto entre o Flamengo e as famílias dos adolescentes da base do clube que morreram, e outros que se feriram, em incêndio no Ninho do Urubu.
De acordo com os familiares e seus advogados as propostas apresentadas pelo Flamengo estavam abaixo do esperado.
Ainda, segundo os familiares, o vice-presidente jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee, deixou a reunião após 15 minutos. O presidente do clube Rodolfo Landim não apareceu, nem por obrigação, nem por empatia.
A postura da Diretoria do Flamengo, desde o ocorrido, é lamentável. Os dirigentes da atual gestão e também o ex-presidente do clube Eduardo Bandeira de Mello sequer atenderam à imprensa em entrevistas coletivas. Landim fez apenas pronunciamentos, sem abrir a oportunidade que perguntas sobre o caso fossem feitas e respondidas. O clube voltou a treinar no Ninho Urubu enquanto a área do incêndio ainda estava sendo avaliada pelas autoridades.
Durante esta semana, por meio de nota oficial, o Flamengo disse que teve atuação “praticamente inédita até onde se tem notícia” e que ofereceu valores maiores que os padrões. O clube ainda citou o caso da boate Kiss, ocorrida em 2013, como exemplo para comparação. Uma lástima.
O clube deve ser responsabilizado nas áreas criminal e esportiva. Seus dirigentes tem que responder pelas mortes. É primordial que a CBF imediatamente rebaixe o Flamengo para a série D do Campeonato Brasileiro. A “queda” tem que valer também para o Campeonato Carioca. Além de multas pesadas.
Embora o processo de mediação tenha sido encerrado, outras negociações ainda poderão ser abertas. Enquanto isso as famílias choram a perda de seus amados filhos.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O Município semanalmente, aos sábados.
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