Nesta sexta-feira (22), às 18h, na Galeria Clac, à Praça Cel. Joaquim Cândido, nº 40, ocorre a abertura da exposição ‘À Margem do Tempo’, de Stella Mariz, portuguesa radicada no Rio de Janeiro.
A mostra fica em cartaz no espaço cultural até o mês de junho e pode ser visitada de segunda a quinta, das 8h às 20h, sextas-feiras das 8h às 18h e aos sábados, das 8h ao meio dia, com entrada franca.
Stella Mariz é natural de Porto, Portugal e ‘À Margem do Tempo’ é resultado de períodos de sua carreira artística, como quando se aprofundou no estudo da história da pintura de paisagens e também o referente à história da manufatura das tapeçarias Gobelains e Beauvais.
“São releituras que transitam entre a pintura e a escultura. Após uma viagem à Portugal, em que fotografei exaustivamente as ruínas do Castelo de Marialva, voltei com estas fotos e me propus a relacioná-las ao momento presente. A partir daí comecei a fotografar paisagens urbanas, principalmente no Rio de Janeiro, florestas e vegetações. Com estas fotografias, passei a conceber composições como espaços em que relaciono as ruínas à paisagens e ao verde da nossa vegetação tropical”, revelou.

Segundo a artista, o fato de imprimir as fotos e estudá-las a fez perceber que a bidimensionalidade era insuficiente, que faltava o manuseio do trabalho e o volume.
“A partir desta falta, eu, como escultora que sou a vida inteira, concebi uma técnica em que transformo a bidimensionalidade da fotografia em tridimensional, através da manufatura. Eu imprimo a composição fotográfica, plano a plano, em tecido e o volume é obtido a partir da costura com agulha ou a máquina, utilizando manta acrílica. E quando quero projetar mais ainda o volume no espaço, utilizo tela de aço. A composição é remontada e fixada com costura no chassi”, detalhou.
Stella Mariz considera que cada trabalho é uma ‘conversa’ plena de significados e emoções, entre tempos e espaços, na qual ela rompe a imobilidade e o silêncio da pedra, ‘gerando’ neste material, os rios vermelhos que escorrem das ‘ruinas’ – termo que ela justifica como sendo os estados de impermanência, que se contrapõem às paisagens urbanas contemporâneas, cujo tempo de existência é indefinido.
“Situam-se num vácuo temporal porque me interessa pensar o presente e o passado, não como situações opostas, mas como espelhos. Refletir a memória é pensar o presente, é avaliar a nossa transitoriedade e a nossa instabilidade do momento presente”, finalizou.
Por Daniela Prado.




