Suas Promessas

Lá vem um novo começo, salpicado pelas luzes do Réveillon. Essa maravilhosa invenção humana, que como Carlos Drumond de Andrade poetizou, nos permite cortar o tempo em fatias chamadas anos, industrializando a esperança e fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Invocando o milagre da renovação para que tudo possa começar outra vez. Sempre acreditando que daqui em diante será diferente.

E energizados pela magia do recomeço, fazemos o quê? Promessas. Muitas promessas. E essa é a armadilha. Não a promessa em si, mas o número delas.

Não é novidade para ninguém que o primeiro trimestre de cada ano assiste de camarote a debacle de praticamente todas as nossas boas intenções. Mas se mudássemos do plural para o singular, talvez aumentássemos a chance de êxito. Explico: muitos estudos vêm mostrando que a nossa “força de vontade” funciona como um músculo. Quando exigimos demais dela, ela fica fatigada e falha na hora que mais precisamos. Aqueles que fazem muitas promessas, acabam tendo que se esforçar demais para sustentá-las todas; diluindo suas energias e diminuindo a probabilidade de sucesso.

Então, se você quer fazer algo de que se orgulhe em 2019, minha sugestão é: escolha bem as suas batalhas. Se você tentar tudo, pode acabar de mãos vazias, vendo seus desejos escorrerem pelos vãos da sua vaidade. Alguns estudiosos do comportamento humano chegam ao limite de sugerir que escolhamos apenas uma coisa de cada vez para nos concentrarmos. Talvez seja uma restrição exagerada. Mas é inegável que, nesse contexto, quanto menos, melhor. Quanto menos promessas, mais foco. Quanto mais foco, mais energia concentrada. Quanto mais energia concentrada, maiores conquistas.

E depois de colocar a lupa no que realmente interessa, não se esqueça de planejar como pretende chegar lá. Os realizadores definem o destino, mas também traçam a rota. Destinos sem rotas são sonhos. Belos, mas frustrantes.

Yuri Trafane
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