Infestação de pombos incomoda feirantes no São Benedito

MARCELO GREGÓRIO
[email protected]

A preocupação com a higiene e a segurança alimentar, somada ao baixo fluxo de pessoas, tem desagradado feirantes no galpão do bairro São Benedito, em São João da Boa Vista. Fezes de pombos espalhadas pelo chão, aves mortas no teto da estrutura e o baixo fluxo de consumidores geram indignação entre aqueles que vivem da feira.

A reportagem do O MUNICIPIO esteve no galpão, localizado à rua Napoleão Conrado, e verificou que procedem as reclamações sobre as condições do local. Tanto feirantes, que pediram providências, quanto representantes da prefeitura, que se posicionaram, foram ouvidos.

Há anos: “nasci na feira”, disse José Maurício ao lado da família (Marcelo Gregório/O MUNICIPIO)

No São Benedito, a feira livre é realizada às quintas-feiras, entre o fim de tarde e início de noite, e aos domingos, pela manhã. ‘Nascido’ na feira, conforme ele mesmo disse, o feirante José Maurício Rozeto, 62, vende uma variedade de produtos. “De tudo, um pouquinho”, afirmou sorrindo. No entanto, quando a conversa envolveu os pombos, o semblante mudou. “A gente está com dificuldade aqui, porque os pombos ficam no telhado e a gente trabalhando embaixo com os legumes. [A prefeitura] precisava tomar uma decisão. Prejudica a gente, prejudica o freguês, [que] vê o chão sujo e nem vem na feira”, contou.

TELA DE PROTEÇÃO
Rozeto explicou o que faz quando as mercadorias viram alvo das fezes dos pombos. “Quando suja, tem que ir no banheiro lavar. Até a roupa que a gente vem, tem que trocar”, falou. A reportagem observou um pombo morto sobre a tela de proteção. “Ali tem outro”, avisou Rozeto. “Já teve comunicado e tudo, disseram que já tinham comprado a tela [para impedir a entrada das aves] e parece que não. Fica esse jogo e vai passando”, lamentou.

Sobre o conserto da tela, o Departamento de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento se manifestou. “A prefeitura vem realizando quinzenalmente a manutenção da parte baixa da tela com a substituição das abraçadeiras de nylon utilizadas na original instalação da tela”, informou.

BAIXO PÚBLICO
A feira livre reúne, ao todo, 64 feirantes, conforme apurou O MUNICIPIO. Na quinta-feira (15), enquanto estava sendo produzida a reportagem, apenas 18 deles exerciam a atividade. “Eu posso falar que estou só de domingo. Nós paramos por falta de clientes, mas se a feira melhorar, nós vamos voltar a trabalhar de quinta-feira”, justificou uma feirante.

Na Câmara Municipal, o assunto já havia sido destacado pelos vereadores Luiz Paraki (REDE) e Nei da Farmácia (NOVO). Uma das propostas feitas ao Executivo sanjoanense seria colocar atrações culturais como shows, apresentações de dança e teatro para que o galpão volte a ser mais frequentado. “É uma feira que está se acabando, os comerciantes não estão indo mais. [Eles] já procuraram os departamentos para levar alguma atração. Por quê? Tudo o que você leva lá, o pessoal acaba indo para ver e acaba ajudando o movimento. A pessoa vai para ver [a novidade] e acaba comprando alguma coisa”, enfatizou Paraki.

ATRAÇÕES
Em nota, o Executivo declarou que atualmente, o Departamento de Meio Ambiente, juntamente do Departamento de Cultura, vem trazendo a participação cultural em dias das feiras livres. Recentemente ao longo da semana Guiomar Novaes houve apresentação artística circense, mas também estão previstas apresentações de capoeira, e outras manifestações artísticas”, ressaltou  e não definiu datas.

Outra feirante, que pediu anonimato, reforçou que as condições precárias dos banheiros, limpeza imprópria, segundo ela, presença de andarilhos, bem como os altos valores das taxas de permanência no local, são outros pontos que poderiam ser melhorados. “Eu pago R$ 800 por ano”, finalizou.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here