MARCELO GREGÓRIO
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Os diretórios do Partido Liberal (PL) e Partido dos Trabalhadores (PT) em São João da Boa Vista definiram estratégias para ‘abraçar’ os eleitores no segundo turno das eleições, principalmente aqueles que se ausentaram das urnas no último domingo (4). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas 202 seções distribuídas em 25 locais de votação, 52.797 eleitores compareceram e 14.331 faltaram.

É no público ausente que petistas e bolsonaristas estão de olho. A reportagem do O MUNICIPIO entrou em contato com os presidentes locais das duas siglas para saber quais ações serão adotadas até o dia 25, quando será decidido se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanecerá no poder ou dará lugar a Flávio Bolsonaro (PL).
A presidente do PT de São João, Débora Boveto de Campos Oliveira, explicou que o partido está nas ruas organizando ações para ampliar o diálogo com a população e conquistar votos para a reeleição de Lula. “Uma das estratégias será intensificar nossa presença nos bairros que registraram maiores índices de abstenção, levando informação, conversando com os moradores e apresentando nossas propostas para o segundo turno”, afirmou.
Ela anunciou que uma carreata está prevista para o dia 24, às 9h. “Além disso, estamos construindo, em conjunto com a Unidade Popular (UP), um ato em defesa da democracia e contra o fascismo, que será realizado no dia 17, às 10h, na praça Joaquim José. Entendemos que a eleição é crucial para o futuro da democracia brasileira”, declarou a petista.
Do lado oposto, o advogado Carlos Gomes, presidente do PL de São João, destacou que o partido promoverá ações de adesivação, carreata e divulgação de materiais nas redes sociais. “Continuar na rua mostrando a importância dessa mudança para aquecer a economia [e] fazer o Brasil funcionar. É uma missão. O Flávio estourou nessa passagem do primeiro turno, à frente do Lula, mas eleição se ganha com o final”, ponderou.
À reportagem, Gomes ainda falou que participaria de reuniões na sexta-feira (9), em São Paulo (SP), para alinhar propostas com deputados da sigla. “Não só na região de São João como na região de Campinas e Ribeirão Preto. Estou designado como coordenador do PL nessa movimentação pela própria equipe do Flávio Bolsonaro”, enfatizou.
Doutor em políticas públicas, o professor Renato Costa, do departamento de economia, administração e sociologia da Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ (Esalq/USP), observou que o índice de abstenção em São João (21,35%) ficou próximo da média nacional (21,08%). “Portanto, não se trata de um fenômeno exclusivamente local, mas de uma questão mais ampla da participação política brasileira”, comparou Costa.
NÚMEROS
No país, Flávio recebeu 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.879.538 votos (45,16%). Em São João, o candidato do PL recebeu 30.945 votos (62,05%), enquanto o atual presidente teve 14.238 votos (28,55%), menos que o número de faltosos. “Isso significa que o PL parte de uma vantagem local expressiva, enquanto o PT enfrenta o desafio de ampliar sua votação e reduzir essa diferença. Entretanto, seria um equívoco interpretar os eleitores ausentes como um grupo homogêneo ou presumir que sua participação beneficiaria automaticamente determinado partido”, analisou o professor. “O principal desafio democrático, portanto, vai além da capacidade dos partidos de conquistar votos. Trata-se de compreender por que uma parcela significativa da população permanece afastada das urnas, mesmo em um sistema de voto obrigatório”, concluiu o professor.




