ANA LAURA MORETTO
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A combinação entre as condições naturais de Águas da Prata e o investimento em tecnologia e conhecimento técnico tem contribuído para a produção de cafés especiais reconhecidos pelo mercado. Esse potencial foi evidenciado na 7ª edição do Concurso de Qualidade dos Cafés de Águas da Prata, que reuniu 27 produtores e 40 amostras. O destaque comercial foi um lote que recebeu 86,75 pontos na avaliação sensorial e foi arrematado por R$ 7.150 a saca.
O resultado reflete características da região, como solo, altitude, clima e relevo, aliadas ao trabalho realizado nas propriedades rurais. O professor Francisco Sérgio, da Unicamp, explicou que as formações rochosas influenciam a composição química do solo. Na região de São João da Boa Vista, determinadas rochas contribuem para a formação de solos férteis, favorecendo a atividade agrícola.

CONCURSO
Após o anúncio dos vencedores, os lotes classificados foram comercializados em leilão, com a participação de compradores presencialmente e pela internet, segundo a organização.
A avaliação sensorial considerou características como fragrância, aroma, sabor, acidez e corpo. As amostras foram divididas em três categorias: natural, cereja descascado e fermentado.
NATUREZA E TECNOLOGIA
Para João Otávio Bastos, proprietário da Fazenda Vale do Tajá, a qualidade do café depende da combinação entre as condições naturais, a tecnologia e o trabalho das pessoas envolvidas na produção. Após décadas de atuação no ensino superior, ele adquiriu a propriedade e passou a investir na renovação das lavouras, com variedades de café arábica, como Arara e Paraíso, além de irrigação, energia sustentável, fertilização e acompanhamento agronômico.
“Eu valorizo bastante a tradição, mas não desprezo as questões técnicas. Eu não gosto do ‘sempre fez assim’; eu gosto do que se recomenda fazer”, afirmou.
Segundo o produtor, a qualidade não depende apenas do cultivo. O manejo, a colheita, a secagem e a análise sensorial também influenciam o resultado final. Ele ressalta que o trabalho das pessoas é indispensável em todas as etapas.
“Não tem um tripé da natureza, tecnologia e recursos humanos. Sem as pessoas, também não se faz nada”, explicou.
João Otávio também defende a divulgação dos cafés produzidos em toda a região. Para ele, o concurso deve funcionar como uma vitrine para os produtores locais, ampliando a visibilidade dos produtos.
“Não se trata de ficar vendo quem tem o melhor café, mas de projetar e dar visibilidade aos nossos cafés, que são maravilhosos”, afirmou.
A premiação também surpreendeu Ana Elisa Carneiro, proprietária do Sítio Pinhalzinho, que conquistou o segundo lugar na categoria natural com a variedade Arara. A propriedade tem aproximadamente mil pés de café, cultivados em uma clareira cercada por mata nativa, a cerca de 1.300 metros de altitude. De acordo com a produtora, a colheita é seletiva e não são utilizados agrotóxicos.
“Fiquei surpresa e feliz com a premiação. Como a produção é pequena, nós pretendemos comercializar apenas uma saca, vender parte do café no varejo e reservar uma quantidade para consumo próprio. Nosso sítio também está participando do concurso estadual de cafés de São Paulo”, contou Ana Elisa.
CAFEICULTURA
Camila Ferreira Peral, gerente administrativa da Fazenda da Prata e integrante da comissão organizadora do Prata Rural, afirma que os concursos incentivam os produtores a aprimorar o manejo e o processamento dos grãos.
“A busca por melhores resultados leva produtores a aperfeiçoar a colheita, investir em estruturas de secagem e testar técnicas de fermentação controlada”, pontuou.
Para a organização, a valorização dos cafés especiais contribui para fortalecer a atividade rural e estimular a modernização da produção. Em Águas da Prata, as condições naturais representam um diferencial, mas o conhecimento técnico, o manejo e o trabalho dos produtores são fundamentais para transformar esse potencial em cafés de qualidade.
O concurso foi realizado pela Prata Rural, com apoio institucional do Sebrae-SP, da Prefeitura de Águas da Prata, do Bradesco, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), do Sindicato Rural, da Faesp/Senar e da Região de Pinhal.
Vencedores Concurso Café Águas da Prata
Categoria Natural 1º Lugar: Fazenda Vale do Tajá (Variedade: Paraíso) 2º Lugar: Sítio Pinhalzinho (Variedade: Arara) 3º Lugar: Sítio Bela Vista (Variedade: Mundo Novo) 4º Lugar: Estância Paraíso (Variedade: Arara) Categoria Fermentado 1º Lugar: Fazenda Vale do Tajá (Variedade: Paraíso) 2º Lugar: Fazenda Prata (Variedade: Catuaí Vermelho) 3º Lugar: Fazenda Coqueiro Torto (Variedade: Catuaí) 4º Lugar: Fazenda Santa Rita do Quartel (Variedade: Catuaí) Categoria Cereja Descascado (CD) 1º Lugar: Fazenda Prata (Variedade: Arara) 2º Lugar: Sítio Bela Vista (Variedade: Bourbon) 3º Lugar: Fazenda Santa Rita do Quartel (Variedade: Arara) 4º Lugar: Sítio Bela Vista (Variedade: Arara) 5º Lugar: Fazenda Coqueiro Torto (Variedade: Obatã)




