ANA LAURA MORETTO
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Na noite de sexta-feira (2), o Theatro Municipal de São João da Boa Vista parou para ouvir a própria história, contada por quem a viveu de perto.
O espetáculo “As Histórias do Theatro – Um palco e suas memórias”, concebido e dirigido por Eduardo Menezes, reuniu pesquisadores, antigos frequentadores e pessoas que participaram da recuperação do local. Cerca de 300 pessoas acompanharam a apresentação que terminou com muitos aplausos.

O mestre de cerimônias Clovis Vieira abriu a noite lembrando que o Theatro já foi chamado de “elefante branco” e chegou a ser visto por alguns como um prédio que deveria dar lugar a apartamentos. A provocação serviu para introduzir a trajetória de uma construção que, há 112 anos, atravessa a história cultural de São João.
Eduardo Menezes começou falando sobre o período mais crítico da história. “Quando a prefeitura comprou este prédio, nos anos 1980, havia um ninho de urubus no alto do palco. As rachaduras nas paredes eram tão largas que dava para passar o braço e acenar para a rua. Esta sala, onde vocês estão sentados agora, quase deixou de existir”, contou.
A primeira conversa voltou à origem da história. O arquiteto Antonio Carlos Lorette e a pesquisadora Neusa Menezes contaram como uma cidade pequena decidiu, em 1913, construir um teatro de grandes proporções, com uma estrutura de ferro que veio numerada da Bélgica para ser montada em São João. A importância do prédio também aparece nas páginas do O MUNICIPIO. Em uma pesquisa de 576 edições publicadas entre 1913 e 1925, o Theatro é citado em 433.
Depois de um trecho do documentário “Música & Drama”, dirigido por Menezes em 2015, a segunda conversa chegou ao período do Cine Theatro. José Marcondes lembrou as quatro sessões diárias, os seriados de Flash Gordon e o Bar Theatro. Maria Célia Marcondes contou sobre a decadência do prédio, a venda nos anos 1980 e a consulta feita à população, que escolheu pelo restauro.
O ator e diretor Ronaldo Marin também relembrou aquele período. Ele leu o texto “Todo Palco é Um Mundo” e contou detalhes da greve de fome que anunciou para tentar impedir a demolição do prédio.
Em seguida, Vânia Noronha falou dos anos entre a devolução do saguão a cidade, em 1992, e a criação da Fundação Oliveira Neto. José Márcio Carioca, que foi secretário da Fundação, contou o caminho até a reabertura, em 2002. Fafá Noronha lembrou os 18 anos em que a Amite (Associação dos Amigos do Theatro), cuidou da casa.
Uma fotografia projetada no telão trouxe uma lembrança especial à noite. Na imagem, uma menina de sete anos tocava piano naquele mesmo palco, em 9 de outubro de 1963. Era Vânia Noronha. Mais de seis décadas depois, ela voltou ao piano e, diante do público, tocou “O Sole Mio”, acompanhada pela violinista Julia Paiva.
A programação também prestou homenagem a Guiomar Novaes, pianista sanjoanense que se apresentou no Theatro em 11 de setembro de 1946, em um concerto beneficente em favor da Casa da Criança. A atriz Helena Gonçalves, da Cia. Artes Insanes, apresentou a esquete “Esperando Guiomar”, de sua autoria.
A homenagem seguiu pela música com Cláudio Richerme, que foi aluno de Guiomar durante seis anos, e interpretou Chopin. Ao lado do piano, a bailarina Isabella Dragão acompanhou a apresentação com uma coreografia.




