Apostadores de São João opinam sobre veto às bets

MARCELO GREGÓRIO
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As apostas e jogos virtuais online, como o ‘jogo do tigrinho’, estão proibidos no país desde sexta-feira (25), após anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de uma medida provisória (MP). Embora esteja em vigor, ela precisa ser analisada e aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para que suas regras sejam mantidas em caráter definitivo.

O prazo constitucional para a análise pelo Congresso é de até 120 dias. Um projeto de lei que prevê penas para quem explorar, operar ou divulgar as chamadas bets também foi enviado pelo governo federal.

Apostas: governo orienta cidadãos a retirar valores disponíveis nos sites de apostas até 5 de outubro (Reprodução)

REFLEXOS EM SÃO JOÃO
Em São João da Boa Vista, O MUNICIPIO apurou que as apostas faziam parte da rotina de muitos jogadores. Houve quem defendesse o fim das bets, mas também quem preferisse uma atividade mais “organizada”. Apesar dos relatos, os apostadores procurados pediram para não serem identificados.

Um deles disse à reportagem que fez apostas por oito anos. “Começou com uma simples aposta ‘de meia’ com um amigo, até eu virar cambista de uma das bancas da região. A partir daí foi se intensificando a vontade de jogar, sempre buscando recuperar o que já tinha perdido”, contou. “Não tenho exatamente um valor exato que perdi, mas calculo entre oito e dez mil durante esses oito anos”, lamentou. Ele reforçou que conseguiu se desvencilhar da prática quando já não tinha mais condições financeiras. “Felizmente eu consegui parar com o vício sem precisar de medicação ou tratamento, percebendo o risco real que minha família corria caso eu continuasse apostando”, relatou.

O MUNICIPIO teve acesso a outros depoimentos, porém, sem exposição. “Eu não gosto nem de falar sobre isso. Acho que tem que proibir mesmo. Graças a Deus, proibiram isso. Eu não tive boas recordações e não gosto nem de entrar nesse assunto”, comentou um outro.

REGRAS DURAS
Do lado oposto, um empresário de 28 anos, especialista em finanças, ouvido pela reportagem, afirmou que o governo poderia ajustar o formato. “Jogos como o tigrinho, em que o resultado sai de um algoritmo controlado pela própria casa deveriam ser banidos. Já as apostas esportivas são outra coisa. Elas são baseadas na realidade, no que acontece em campo, e eu acredito que devem existir. O que não pode é a propaganda tratar a aposta como fonte de renda. Existe quem use isso como fonte de renda e tenha lucro, mas uma coisa é a pessoa fazer isso na vida privada e mostrar os resultados dela de forma separada. O conhecimento liberta”, acrescentou.

A MP que proibiu as bets no país revogou o capítulo 5 da Lei 13.756, de dezembro de 2018, aprovada no último mês do governo Michel Temer. Embora autorizadas pela lei, as bets só passaram a ter uma regulamentação mais detalhada em dezembro de 2023. Até então, o setor já tinha previsão legal, mas ainda não contava com um conjunto abrangente de regras para seu funcionamento.

RESGATE DOS VALORES
O governo federal começou a disparar no dia seguinte à publicação da MP mensagens via WhatsApp orientando os cidadãos que têm dinheiro depositado em sites ou aplicativos de apostas a retirar os valores até 5 de outubro. Na mensagem, o governo informa que foi publicada a medida provisória que proíbe as bets no Brasil e orienta os apostadores a sacar os recursos. Também informa que, caso o apostador não consiga fazer a retirada até o dia 5, as empresas devolverão os valores por meio dos bancos até 14 de outubro.

BLOQUEIO
As lojas de aplicativos, os provedores de internet e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) deverão bloquear os sites e aplicativos a partir da 0h de 6 de outubro. Quem tentar acessar as plataformas será redirecionado para uma página com orientações sobre o resgate dos valores e as garantias de devolução dos recursos. As empresas do setor terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar peças e ações de publicidade, propaganda e marketing, tanto em meios físicos quanto digitais.

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