Por Ana Laura Moretto
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Yuri Trafane aos 30 anos tinha uma carreira que já reunia grandes empresas no currículo. Passou por Johnson & Johnson, Unilever, Bauducco e Grupo Abril, chegando até ao cargo de diretor. Foi justamente nesse momento que tomou uma das decisões mais importantes da vida profissional, deixou a carreira executiva para começar do zero e criar a própria empresa.


A escolha não foi simples, Yuri tinha uma reserva financeira, mas o negócio demorou mais do que esperava para crescer. Quando o dinheiro começou a acabar, recebeu uma proposta para voltar ao mercado, como diretor de marketing da Exame, com um salário três vezes maior do que recebia quando deixou o último emprego na Abril, mas recusou.
“Se você quer construir um sonho, se você quer realizar teus sonhos, você precisa resistir essa tentação”, afirmou.
A esposa Josiane Trafane, foi um dos principais apoios naquele período. A empresa cresceu e se transformou na Inner, voltada ao desenvolvimento de profissionais e executivos. A empresa se consolidou e no próximo ano, completa 25 anos.
Mas a história de Yuri começou bem antes dos negócios. Embora tenha nascido em São João da Boa Vista, passou a infância entre os municípios do Rio de Janeiro e de Niterói. Aos 11 anos voltou para o interior paulista e viveu em Lindóia por um ano, antes de passar a adolescência em São João.
“Viver minha juventude em São João foi a parte mais legal da minha vida”, contou. Foi também nessa fase que o basquete ganhou espaço central em sua trajetória. Yuri jogou durante toda a juventude pela Esportiva e foi campeão paulista nas categorias infantil e juvenil.
Mais do que os títulos, as quadras ficaram como parte da formação do homem que se tornou. Ele se define como alguém intenso e reconhece que levava essa característica ao limite quando jogava.
“Eu era uma pessoa super guerreira dentro da quadra e era até exagerado. Chegava a ser um jogador violento. Isso é uma coisa que eu gostaria de ter feito diferente na minha vida como atleta”, disse.
Para Yuri, as quadras ensinam muito. A experiência esportiva se mistura às amizades que construiu em São João e que permanecem até hoje, além de fazer parte da maneira como passou a encarar diferentes desafios ao longo da vida.
A formação acadêmica passou primeiro pela Química, na Unicamp. A escolha foi motivada pela facilidade que tinha com a disciplina. Percebeu que não era o caminho que queria e migrou para marketing, seguindo depois com MBA na USP, formação na FGV, pós-MBA na FIA e cursos no Brasil e nos Estados Unidos.
No trabalho, ele encontrou no desenvolvimento de pessoas uma forma de reunir conhecimento e propósito. Para ele, liderança não está apenas em ocupar uma posição, mas em ajudar outras pessoas a se desenvolverem.
“Um líder é antes de tudo um agente, uma entidade promotora de desenvolvimento. É alguém que ajuda outro ser humano a se transformar no melhor que ele puder ser”, explicou.
DESAFIOS
Nos últimos anos, essa visão ganhou outra dimensão. Yuri descobriu um câncer e segue em tratamento atualmente. Segundo ele, a doença é considerada incurável pela medicina, mas isso não o fez abandonar a perspectiva de viver plenamente. A experiência o levou a encarar de maneira mais concreta algo que sempre soube a finitude.
Inspirado também pela obra de Viktor Frankl passou a pensar sobre como responder ao sofrimento. “Eu escolhi ser digno do meu sofrimento. Passei a aproveitar ainda mais cada minuto, não porque meus valores tenham mudado, mas porque fiquei mais consciente de que o tempo é limitado”, pontuou.
FAMÍLIA
A família ocupa lugar central nessa forma de enxergar a vida. São 27 anos de casamento com Josiane que é médica pediatra bastante conhecida em São João, e duas filhas, Luísa que também é médica, e Manuela que estuda jornalismo. Aos domingos, a casa costuma reunir pais, irmãos, sogra e amigos. Ele cozinha, mesmo admitindo que não é um grande cozinheiro. Lê, estuda, escreve, medita e aproveita os momentos simples.
Fora dos palcos e das salas de treinamento, Yuri diz gostar do silêncio e da reflexão. Escreve há cerca de 30 anos e busca manter uma rotina de aprendizado. Se tivesse que resumir sua personalidade em uma palavra, escolheria a mesma que atravessa sua história, a intensidade.
É com ela que encara o trabalho, a família, as amizades, as lembranças das quadras e também o desafio atual. Para o futuro, Yuri quer ser lembrado como uma pessoa do bem, alguém que usou os próprios dons e talentos para compartilhar conhecimento e ajudar outras pessoas.




