Após receber polilaminina, Alan Genari fala do tratamento

Por Maurice Progin
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O pinhalense Alan Genari, 31, que ficou paraplégico ao sofrer um acidente de moto no dia 14 de julho, foi um dos pacientes escolhidos para receber o medicamento experimental polilaminina, que atua como uma espécie de “cola biológica”, estimulando a reconexão de neurônios e favorecendo a regeneração de tecidos lesionados.

O procedimento de aplicação foi conduzido pelo neurocirurgião Bruno Côrtez, na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, em São João da Boa Vista, no dia 21 de julho. Ao todo, foram 16 dias internado. Em entrevista ao O MUNICIPIO, Alan conta detalhes sobre o tratamento e descreve os desafios que vem enfrentando no cotidiano.

Milagre: Alan Genari ficou paraplégico em acidente de moto; filho de 9 anos, que estava na garupa, saiu ileso (Arquivo Pessoal)

 

O ACIDENTE
Nascido e criado em Espírito Santo do Pinhal, Alan Genari, 31, é casado e tem dois filhos, um menino de 9 e uma menina de 7. Ao falar sobre o trágico dia do acidente, ele revela que o garoto estava na garupa da moto. “Estava voltando do trabalho. Quando percebi, tinha uma moto atrás de mim querendo fazer uma ultrapassagem perto de uma curva. Fui dando espaço observando pelo retrovisor, e quando olhei para a frente já tinha saído da curva. Até consegui me equilibrar dentro de uma valeta, mas ali perto tinha um degrau. Quando a moto bateu, meu filho voou quase dez metros adiante […] graças a Deus não aconteceu nada com ele. Caiu, levantou correndo e sentou do meu lado para esperar o resgate”, contou.

Ao todo, foram cinco vértebras fraturadas: C6, T1, T7, T8 e, por fim, a T9, que afetou a medula espinhal. Ele ficou paraplégico na hora do impacto, perdendo os movimentos da cintura para baixo. “Quando meu pai chegou [no local do acidente], pedi para ele tocar nos meus pés e não senti nada. Foi quando percebi a gravidade do que aconteceu”.

 

CIRURGIA
Alan relata que conheceu a polilaminina pela televisão. Ao ver que surgia uma nova esperança, foi atrás de informações e ficou por dentro do assunto, mesmo acreditando que um possível tratamento teoricamente estaria muito distante. “Achei que nunca chegaria perto [do medicamento] […] mas os médicos souberam do meu caso e me enviaram a documentação perguntando se eu aceitava. Eu e minha esposa topamos na hora.

No dia seguinte, a equipe da Cristália [laboratório detentor e responsável pela produção do remédio] já foi no hospital, fez os testes e me aprovou […] Em momento algum fiquei desconfiado, porque eu não tinha mais nada a perder. Fiz com a maior fé e esperança que um dia vou voltar a andar”.

 

DESAFIOS DO COTIDIANO
O mais difícil para Alan foi a perda da liberdade. Antes do ocorrido, era um homem muito ativo, que trabalhava para sustentar a família e se divertia com os filhos.

“Eu era independente. Resolvia tudo, sempre me virava. Gostava muito de correr e brincar dentro de casa com os filhos, jogar bola… e agora dependo dos outros para tudo. A questão financeira também está sendo um pouco difícil, pois eu sustentava a casa trabalhando como pedreiro. Minha esposa tinha uma pequena loja de confeitaria, mas teve que fechar para cuidar de mim, e agora não sei como vai ser”.

Outro aspecto bastante afetado é o psicológico. “A parte emocional também pesa. Meu filho fala que queria se colocar no meu lugar para eu não passar por isso. Estou tentando ser forte para não deixar ele sentir isso”, disse Alan.

REABILITAÇÃO E RECOMEÇO
O pinhalense comemora as pequenas vitórias do dia a dia, como uma singela melhora na sensibilidade. No entanto, a frequência necessária de fisioterapia preocupa, já que a saúde pública não cobre tudo. “A recuperação é bem lenta, mas já estou tendo alguns reflexos. Antes, não sentia nada quatro dedos pra cima do umbigo, e agora eu já sinto o umbigo […] algumas sessões de fisioterapia eu faço pelo SUS [Sistema Único de Saúde], mas vou ter que pagar outras no particular, pois preciso de um tratamento intensivo, sete dias na semana e pelo menos três vezes ao dia”, explicou.

Por fim, Alan Genari comenta sobre os posts que tem feito no Instagram, que recebem centenas de curtidas e comentários. Por lá, ele compartilha mensagens motivacionais e atualizações da sua recuperação. “Nunca fui de ter redes sociais. Mas quando aconteceu isso comigo eu criei uma conta para ver se eu conseguiria alguma ajuda financeira, e também para motivar outras pessoas. Minha esposa faz os vídeos, edita e posta […] o que ajuda bastante o meu emocional são os comentários positivos que recebo, pois não é fácil lidar com essa situação. As palavras das pessoas ajudam a me colocar para cima”, completou.

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