Capivaras voltam a causar preocupação no Recanto do Lago

Por Maurice Progin
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 Em matéria publicada no dia 22 de julho no jornal O MUNICIPIO, moradores do entorno do Piscinão do Mantiqueira, no bairro Recanto do Lago, em São João da Boa Vista, relataram um aumento significativo na presença de capivaras e carrapatos na região e cobraram providências para reduzir os riscos à população e aos animais domésticos.

Na época, a prefeitura sanjoanense respondeu aos questionamentos da nossa reportagem, quando afirmou que estava acompanhando a situação e que o setor responsável pela manutenção e pelo cercamento da área havia sido comunicado. O poder executivo mencionou também um avanço na obtenção de orçamento para a recuperação ou reconstrução da estrutura, para reduzir o deslocamento das capivaras para regiões vizinhas. No entanto, esses reparos ainda não foram feitos.

Capivaras: segundo veterinário, ambiente do piscinão é perfeito para a proliferação dos animais (Reprodução/EPTV)

Com isso, as capivaras continuam transitando livremente pelas ruas do bairro, algo que chama a atenção até de quem se mudou recentemente. É o caso do casal de sanjoanenses Geovane Francisco e Aline Lima, que mora no Recanto do Lago há pouco mais de um mês.

“Logo no primeiro dia de mudança, avistei umas 20 capivaras em frente ao meu portão. Elas foram até a grama do vizinho e ficaram ali comendo. É algo que chama a atenção, pois nunca tinha visto. Mas até o momento não tivemos nenhum tipo de problema”, relatou Geovane.

Já Aline conta que mesmo com receio, já passeou com os pets no local. “Sempre tive um pouco de medo por conta dos carrapatos, mas já levei meus cachorros para andar em volta do Piscinão várias vezes. Embora haja muita reclamação da vizinhança, ainda não vi as capivaras causando alvoroço”, afirmou.

OPINIÃO PROFISSIONAL
O veterinário, biólogo e professor Plínio Aiub explica o motivo das capivaras gostarem tanto do Piscinão. “Os roedores se proliferam rápido e aquela região é um paraíso para as capivaras. É uma represa com pouca profundidade e com grama ao redor, onde elas amam pastar. Elas tomaram conta dali porque encontraram um habitat ideal […] além disso, não existe um predador natural no ambiente urbano, então elas dormem tranquilas e procriam com grande facilidade”, explicou.

Plínio Aiub especifica os perigos que os animais podem trazer para a sociedade. “Com o tempo, elas (capivaras) vão procurando outros locais para pastarem. Então os maiores alvos são os jardins de casa, calçadas com grama e palmeiras. A cerca que está instalada no Piscinão não resolve pois é facilmente rompida, além de ser baixa. Elas conseguem atravessar por cima e por baixo […] esse trânsito delas é o primeiro ponto de perigo, pois envolve o aumento das excreções, que podem trazer contaminantes, acidentes por atropelamento e até ataques a filhotes de cachorros”.

Contudo, o principal problema é a febre maculosa, que, segundo o Ministério da Saúde, é uma doença que se manifesta principalmente por febre alta e súbita, dor de cabeça intensa e dores no corpo. “Algumas capivaras podem ter carrapatos contaminados com o agente causador da febre maculosa, que pode atingir tanto cães quanto seres humanos”, acrescentou Aiub.

Por fim, o veterinário opina sobre uma possível solução para o problema. “Um cercamento reforçado resolveria. Inclusive eu dei uma sugestão para o prefeito para fazermos uma cerca elétrica, que é o que realmente seguraria elas. O Vanderlei falou que teria medo das pessoas (tomarem choque), mas eu expliquei que é só fazer por dentro. O cercamento elétrico ficaria até mais barato”, concluiu.

SEM RETORNO
A reportagem do jornal O MUNICIPIO entrou em contato com a Prefeitura de São João da Boa Vista para buscar atualizações sobre o caso, mas até o fechamento desta matéria, não recebemos retorno.

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