Por Clovis Vieira
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“Há momentos em que São João da Boa Vista é uma música clássica, cheia de sentimentos! São João representa, para mim, o néctar dos deuses do Olimpo”. Foi desta forma apaixonada que a musicista Célia Bertoldo se referiu à cidade que ela escolheu para viver com sua família e encantar a todos com a sua música. Aos 81 anos, Celinha, como era carinhosamente conhecida, faleceu, deixando um legado musical em cada aluno, a quem revelou a magia da música, em cada amigo, a quem dedicou amizade verdadeira, e em seus familiares.
Neste momento de dor, o jornal O MUNICIPIO presta homenagem àquela que, sem medir esforços, dedicou-se a criar musicalmente oito espetáculos que marcaram os aniversários deste bi semanário. Com seu vasto conhecimento musical, Celinha produziu oito roteiros que maravilharam o público que sempre superlotou as dependências do Theatro Municipal, sem nunca repetir uma música sequer em todos eles. Sua refinada sensibilidade sabia qual música escolher e destinar a cada cantor que subiria ao palco em cada ‘Show de Aniversário do Jornal O MUNICIPIO’.
PROJETOS MUSICAIS
Mãe de três filhas – Daniela, Sílvia e Claudia – e filha do maestro Sílvio Bertoldo, da Orquestra Cacique, de Espírito Santo do Pinhal, sua cidade natal, viu a música entrar muito cedo em sua vida. Seu pai tocava acordeão e piano. “Ele chegava em casa e, depois do banho e da janta, já ia separar as partituras. Eu servia como cantora, com essa voz rouca mesmo!”. E ria-se dessas lembranças carinhosas. Por volta dos 15 anos, a agora ‘Cidadã Sanjoanense’ Célia Bertoldo descobriu que estava perdendo a audição no ouvido direito. Porém, esse ‘detalhe’ não a impediu de se tornar professora alfabetizadora e musicista “com carteira da Ordem dos Músicos do Brasil’, destacava com orgulho.
Com sua bagagem de conhecimentos musicais, somada ao seu talento natural, Célia compôs alguns hinos para escolas da cidade. “Em 1988, fui convidada a compor o hino da Escola Estadual ‘Monsenhor Antônio David’, foi primeiro hino que compus”, contou. Em 2000, escreveu o hino do Colégio Experimental Integrado. Em seguida, o da Escola Acalanto e, finalmente, a canção oficial da Escola de Infância, do mesmo grupo educacional. Em 2006, iniciou um projeto que se estendeu até 2018: a direção musical de oito shows de aniversário do jornal O MUNICIPIO. “Foi uma das coisas mais lindas da minha vida”, confessou em entrevista.
No final de 2021, passou por uma cirurgia no olho direito. Essa intervenção rouba dela a visão desse olho e a capacidade de enxergar em três dimensões, fazendo-a confundir o que é plano do que é uma escadaria, por exemplo. Mas essa dificuldade não a impediu de consultar diariamente sua extensa biblioteca musical, composta de muitas partituras e dezenas de livros sobre a música popular brasileira. Da mesma forma, conviver com a ausência de um dos ouvidos nunca foi dificuldade para cantar e compor canções.
Tem um chorinho inédito ‘Choro em Mim’, que guarda carinhosamente para a voz de Maria Bethânia. Quem sabe, um dia…
O jornal O MUNICIPIO se solidariza com familiares, amigos e admiradores de Célia Bertoldo nesse momento tão doloroso. E agradece a dedicação e carinho dispensados por ela nos oito espetáculos musicais produzidos por esse jornal.










