Golpe causa prejuízo de mais de R$ 100 mil a servidores

Por Pedro Souza
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Servidores públicos municipais de São João da Boa Vista já perderam mais de R$ 100 mil em golpes aplicados por criminosos que se passam por advogados para solicitar pagamentos indevidos relacionados a processos judiciais. O alerta é de Fernando Quinzani, um dos advogados da equipe jurídica do Sindicato dos Servidores, que tem acompanhado casos envolvendo vítimas da cidade.

De acordo com ele, o prejuízo pode ser ainda maior, já que nem todas as vítimas registram ocorrência. “Com base nos casos que chegaram ao meu conhecimento, os prejuízos já passam de R$ 100 mil. Acredito que esse número seja maior, porque muitas pessoas acabam não denunciando”, relatou.

Alerta: Fernando Quinzani orienta servidores sobre como identificar e evitar o golpe (Pedro Souza/O MUNICIPIO)

Segundo Quinzani, o chamado ‘golpe do falso advogado’ se espalhou pelo país nos últimos anos, impulsionado pelo uso de aplicativos de mensagens. “Comecei a perceber um aumento principalmente a partir de 2024. Clientes passaram a me ligar perguntando se eu havia enviado mensagens que nunca mandei. Foi quando ficou claro que não se tratava de casos isolados”, explicou.

Em comunicado, a presidente da OAB de São João da Boa Vista, Maria Luiza Gonçalves Gomes, também alertou para a expansão desse tipo de fraude. De acordo com ela, os golpes têm se tornado cada vez mais frequentes e sofisticados. “Os golpistas se aproveitam da pressa, do medo, da boa-fé e, muitas vezes, da falta de informação das pessoas para causar prejuízos financeiros e emocionais”, afirmou.

A reportagem também conversou com o presidente do Sindicato dos Servidores, João Henrique de Paula Consentino. Segundo ele, a entidade tem alertado os servidores sobre esse tipo de crime por meio de publicações no site e nas redes sociais desde o início dos registros de casos. O sindicato também se coloca à disposição para orientar os associados que tenham dúvidas.

“O sindicato não realiza nenhum procedimento jurídico de forma online. Qualquer orientação que envolva dados pessoais ou bancários é feita diretamente na secretaria da entidade, sempre de forma presencial e sem custo para os associados. Essa é uma medida adotada justamente para evitar fraudes e garantir mais segurança”, destacou.

COMO FUNCIONA O GOLPE

O objetivo dos criminosos é criar um cenário de urgência para impedir que a vítima tenha tempo de verificar as informações. Conforme Quinzani, os golpistas entram em contato com pessoas que possuem processos judiciais em andamento e utilizam o nome e até a foto de advogados reais.

Na abordagem, informam que a causa foi ganha e solicitam o pagamento de taxas para liberar valores supostamente disponíveis. “Quem está aguardando uma decisão judicial acaba ficando mais vulnerável, porque espera uma notícia positiva. Os golpistas exploram justamente essa expectativa”, explicou.

Uma dúvida frequente das vítimas é como os criminosos obtêm dados detalhados sobre os processos. Parte dessas informações é pública. “Os processos tramitam em sistemas eletrônicos e qualquer pessoa pode consultar número do processo, nome das partes e do advogado. Já telefones e outros dados pessoais muitas vezes vêm de cadastros vazados ou até das redes sociais”, detalhou.

O advogado ressaltou que os profissionais também são prejudicados por esse tipo de crime. “Nós também somos vítimas, porque nossa imagem e reputação acabam sendo usadas de forma indevida”, acrescentou.

SINAIS DE ALERTA

Alguns sinais podem indicar tentativa de fraude. Entre eles estão mensagens inesperadas solicitando dinheiro, pressão para pagamento imediato e pedidos de transferência via Pix.

“Quando aparecem frases como ‘você precisa pagar hoje ou perde o direito’, normalmente é uma tentativa de pressão para que a pessoa não tenha tempo de verificar a informação”, alertou.

Outro ponto importante é que o Poder Judiciário não exige pagamentos antecipados para liberar valores de processos. “Essa história de pagar taxa para receber dinheiro é um dos roteiros mais usados pelos golpistas”, observou.

O QUE FAZER EM CASO DE SUSPEITA

Se receber uma mensagem suspeita, a orientação é não realizar transferências e interromper imediatamente o contato. “A primeira atitude é não fazer nenhum pagamento. Em seguida, a pessoa deve falar diretamente com o seu advogado e guardar provas da conversa”, orientou Quinzani.

Prints de mensagens, números de telefone e dados de contas bancárias devem ser preservados para registro de boletim de ocorrência.

Maria Luiza reforça que, em caso de dúvida, o ideal é não compartilhar dados pessoais nem realizar pagamentos. A orientação é guardar as mensagens e procurar a polícia para registrar a ocorrência.

INVESTIGAÇÃO

Alguns casos já foram levados às autoridades policiais. Segundo Quinzani, formalizar a denúncia é fundamental para que as investigações avancem. “Tenho orientado todas as vítimas a registrar ocorrência. Quanto mais casos forem formalizados, maiores são as chances de investigação”, explicou.

Para ele, a principal forma de evitar prejuízos é confirmar qualquer cobrança antes de realizar pagamentos. “Na dúvida, não faça nada antes de verificar a informação com alguém de confiança ou com o próprio advogado. Essa pausa pode evitar um prejuízo enorme”, concluiu.

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