Morte de cão reascende debate sobre a violência contra animais em São João

Por Bruno Manson
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A morte brutal do cachorro Orelha, na Praia Brava, litoral de Santa Catarina, tem gerado comoção nacional, gerando protestos e a mobilização de autoridades, protetores e instituições ligadas à causa animal em todo País. O caso lembra a morte da cachorra Café, ocorrida em 2023, em São João da Boa Vista, que teve repercussão regional na época e foi marcada pela extrema crueldade. Ambos os episódios reacendem o debate sobre a violência contra animais e a necessidade de leis mais rigorosas para punir os responsáveis por crimes de maus-tratos e crueldade.

Crueldade: cão orelha morreu após ser torturado por quatro adolescentes na Praia brava, litoral de santa Catarina, enquanto Café foi espancada e morta queimada por psicólogo em 2023; casos reascendem debate sobre os maus-tratos contra animais (Reprodução)

Orelha era um cão comunitário dócil, com de cerca de 10 anos de idade, e foi atacado e torturado por quatro adolescentes, todos de classe média alta, no dia 4 de janeiro. Após ser socorrido e levado agonizando para uma clínica veterinária, o cachorro teve que ser submetido à eutanásia em razão da gravidade dos ferimentos. Além desta barbárie, os infratores também estão sendo investigados por tentarem afogar outro cachorro, chamado Caramelo, o qual conseguiu sobreviver ao ataque.

Até o momento, a Polícia Civil de Santa Catarina já ouviu mais de 20 pessoas e analisou mais de 72 horas de imagens colhidas em 14 câmeras de monitoramento públicas e privadas. O caso está sendo apurado e alguns familiares dos adolescentes foram indiciados pelo crime de coação no curso do processo. Eles — dois empresários e um advogado — teriam ameaçado testemunhas e pessoas que denunciaram o ato de crueldade.

Os rapazes são alunos de uma escola particular de elite e dois deles foram enviados pelos pais para uma viagem à Disney, nos Estados Unidos. A justificativa informada pelas famílias é que o passeio estaria “pré-programado”. Como são menores de idade, eles não respondem por crime, mas sim por ato infracional, ficando sujeitos às medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Conforme apurado, a punição máxima que poderão receber é a internação, em um estabelecimento próprio para pessoas com menos de 18 anos de idade, pelo prazo máximo de três anos.

CASO CAFÉ

No dia 30 de abril de 2023, uma cachorra foi espancada e morta queimada no bairro Perpétuo Socorro, em São João da Boa Vista. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e gerou uma grande comoção, mobilizando protetores e várias pessoas ligadas à causa animal.

A cadela se chamava Café e tinha aproximadamente oito anos de idade. O animal tinha sido adotado pelos proprietários de uma boutique e vivia no quintal da residência, onde fica o comércio. Aproveitando que não havia ninguém no imóvel naquela tarde, um vizinho pulou o muro e atacou brutalmente a cachorra, chegando até a quebrar o seu maxilar.

Para fugir das agressões, Café entrou na casinha de plástico. Naquele momento, o indivíduo fechou a saída do abrigo e ateou fogo, impedindo que o animal saísse. A cadela conseguiu escapar somente depois que a casinha havia derretido.  Mesmo resgatada com vida, a cachorra não resistiu e morreu dez horas depois.

O agressor — que exercia a profissão de psicólogo — foi identificado e acabou preso no dia 5 de maio e, posteriormente, acabou conduzido para Casa Branca e Hortolândia.  Em 10 de junho, ele saiu para um hospital psiquiátrico, onde permaneceu até o fim daquele mês. Durante o processo, ele alegou insanidade mental e, durante a segunda audiência de instrução, debates e julgamentos, chegou a afirmar que “não se lembra do crime, mas que se arrepende”. Após isso, não se teve mais informações sobre o desfecho do caso.

OCORRÊNCIAS

Diante deste cenário, a denúncia continua sendo é a ferramenta mais eficaz para garantir a proteção e o bem-estar dos animais. “Ao registrar um boletim de ocorrência e denunciar abusos, violências, negligências ou casos de abandonos, as pessoas ajudam a interromper ciclos de sofrimento e a promover a justiça. As denúncias não apenas podem resultar na punição dos agressores, mas também elevam a conscientização sobre os direitos dos animais na sociedade”, afirmou o médico-veterinário Willian Silva, diretor do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal.

Ao longo de 2025, ele relata que o órgão auxiliou a Polícia Civil em 33 ocorrências relacionadas a maus-tratos, o que resultou em 17 apreensões. Já neste ano, a Pasta já foi acionada para acompanhar quatro casos. “Este número pode aumentar à medida que a população se sinta encorajada a denunciar”, observou Silva.

SUPORTE

Quando um cão ou gato é recolhido, o departamento providencia a microchipagem e realiza o atendimento veterinário, bem como o tratamento de eventuais patologias que o animal venha a apresentar. “Nós damos todo o suporte aos animais que passam por maus-tratos até estarem aptos para adoção e terem um novo lar”, disse.

De acordo com ele, a microchipagem é uma prática fundamental para garantir a segurança e o bem-estar dos pets. “Esse pequeno dispositivo, inserido sob a pele do animal, contém informações únicas que permitem identificá-lo rapidamente. Este procedimento não apenas facilita o reencontro de animais desaparecidos, mas também ajuda a combater o abandono e a crueldade”, destacou o veterinário. “Ao registrar informações do tutor no microchip, torna-se mais difícil para os agressores abandonarem ou ocultarem animais maltratados, já que a identificação rápida pode levar a ações legais. Além disso, a microchipagem incentiva a responsabilidade dos tutores, contribuindo para um ambiente mais seguro e ético para os animais”, completou.

COMO DENUNCIAR

Casos de maus-tratos, negligências ou abandonos podem ser denunciados diretamente à Delegacia Eletrônica Proteção Animal (Depa). Criado em 2016, durante a gestão do governador Geraldo Alckmin, o serviço online pode ser acessado pelo endereço www.webdenuncia.sp.gov.br/depa. É necessário identificar-se para fazer a denúncia e o sigilo dos dados serão preservados se optar pela privacidade no momento do cadastro. As providências tomadas pela Polícia Civil poderão ser acompanhadas através do número de protocolo que será gerado e da senha criada ao final dos procedimentos.

Já em situações emergenciais, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190 e a Polícia Militar Ambiental por meio dos telefones (19) 3638-1700 e 3635-1729.

ONG busca lar para gato que teria sido ‘expulso’ de igreja

Tem ganhado repercussão o caso do gato Sebastião, supostamente ‘expulso’ recentemente de uma igreja católica em São João da Boa Vista. Por muitos anos, o felino fez do templo o seu lar, porém, essa situação mudou com a vinda de um novo pároco. O animal está atualmente sob os cuidados da organização não-governamental Lelo Love Pet, a qual relatou a história nas redes sociais, gerando grande comoção.

Sebastião: trajetória do gato ganhou as redes sociais e tem causado comoção (Divulgação/Lelo Love Pet)

“Entre bancos, jardins e corredores silenciosos, ele cresceu sendo presença constante, mansa e amorosa. Quem o conhecia sabia: Sebastião não era apenas um gatinho de rua — ele era parte da história daquele lugar. Sempre dócil, nunca ofereceu perigo a ninguém. Recebia carinho com gratidão, se aproximava com cuidado e retribuía com ronronar. As freiras, com compaixão, cuidavam dele, oferecendo alimento e um pouco de dignidade a quem nunca pediu muito, apenas o básico para sobreviver. Mas tudo mudou”, relatou a ONG. “Com a chegada de um novo padre, Sebastião foi expulso da igreja. As freiras foram proibidas de alimentá-lo e, em um ato de extrema crueldade, foi dito que, se continuassem ajudando, água quente seria jogada nele — pasmem, mas essa é a história”, destacou a entidade.

Diante dos fatos, a Lelo Love Pet busca um novo lar para Sebastião. “Apelamos por amor, compaixão e uma nova oportunidade! Nenhum animal merece ser tratado com violência. Nenhum ser tão dócil merece ser descartado assim”, frisou. “Sebastião só quer voltar a ser amado. E nós acreditamos que alguém aí fora pode ser o milagre que ele tanto espera”, citou a ONG.

Para adotar o gato ou saber mais informações a respeito, basta entrar em contato com a instituição pela sua página no Facebook ou pelo perfil @lelolovepet no Instagram.

O MUNICIPIO vai acompanhar o caso e deve trazer novos detalhes na próxima semana.

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