Por Ana Paula Fortes
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O Ministério da Saúde iniciou nesta semana a distribuição do primeiro lote, com 673 mil doses, da nova vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por 75% dos casos de bronquiolite em crianças menores de dois anos. A imunização de gestantes a partir da 28ª semana deve começar neste mês de dezembro em todo o país. No entanto, em São João da Boa Vista, ainda não há previsão de chegada das vacinas.
Em nota, o Departamento de Saúde do município informou: “Até o momento não recebemos nenhuma dose e não temos informações de quando receberemos”.

CASOS NA CIDADE PREOCUPAM
Em 2025, a cidade confirmou 19 casos de VSR em crianças menores de 1 ano e outros nove casos em crianças entre 1 e 4 anos. O município também registrou um óbito de um bebê menor de 1 ano em decorrência da infecção. Os números reforçam a preocupação com a circulação do vírus e a importância da proteção oferecida pela nova vacina ainda indisponível no município.
META DE VACINAÇÃO
A aquisição nacional anunciada pelo Ministério da Saúde contempla 1,8 milhão de doses neste primeiro momento, com investimento de R$ 1,17 bilhão. O imunizante foi incorporado ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante e será aplicado em dose única a cada gestação, com foco na proteção de recém-nascidos até seis meses. A meta nacional é vacinar ao menos 80% das gestantes.
Além das doses previstas para este ano, o Ministério planeja comprar mais 4,2 milhões até 2027. A oferta da vacina no SUS ficou viável após acordo de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e o laboratório produtor, o que permitirá a fabricação nacional do imunizante.
O VSR é um dos principais causadores de infecções respiratórias graves em crianças pequenas. No Brasil, até 15 de novembro, foram registrados 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por VSR, sendo 82,5% em crianças menores de dois anos.
De acordo com a pediatra, alergista e imunologista Cláudia Camargo de Carvalho Vormittag, “a distribuição da vacina pelo SUS é um grande avanço porque democratiza o acesso. Muitas famílias não teriam condições de pagar pela vacina na rede privada, que pode custar até R$ 3.680 para bebês”.
Como a bronquiolite é de origem viral, não existe tratamento específico. O cuidado envolve suporte clínico, hidratação, oxigenoterapia e, em alguns casos, broncodilatadores.
Estudos, como o Matisse, apontam eficácia de 81,8% na prevenção de formas graves da doença nos primeiros 90 dias de vida dos bebês quando a mãe é vacinada durante a gestação.




