Tempestades deixam rastro de destruição durante a semana

Por Bruno Manson
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As tempestades que atingiram São João da Boa Vista durante a semana causaram alagamentos e uma série de estragos. De acordo com dados da Defesa Civil, em poucos dias, o município recebeu um grande volume de água. Entre 29 de outubro a até quinta-feira (6), choveu mais que todos os meses de abril, maio, junho, julho e agosto juntos. “Nesses cinco meses choveu um acumulado de 112 milímetros e nesta última semana 115 mm”, comentou Fernando Medeiros, coordenador do órgão.

As chuvas vieram acompanhadas de fortes rajadas de vento, relâmpagos e até granizo, o que resultou na queda de árvores em diversos pontos da cidade – algumas atingindo muros e derrubando fiações elétricas –, além da queda de tapumes metálicos sobre um veículo estacionado, erosões, danos no asfalto e pequenos alagamentos.

Lama: equipes da prefeitura removeram o barro e realizaram limpeza de pontos alagados na região central (Fotos: Divulgação/Prefeitura de São João)

ALAGAMENTOS

No domingo (2), o Córrego São João chegou a extravasar na altura da ponte da rua Campos Salles, no Centro, mas a drenagem da via absorveu este excesso não provocando alagamento. Entretanto, a situação veio a se agravar ao longo da semana.

Na noite de terça-feira (4), o volume de chuvas foi mais concentrado e houve alagamento nas imediações da rua Campos Salles, atingindo também as ruas Américo de Campos, Rangel Pestana e Guiomar Novaes. “As águas deixaram as vias e as calçadas alagadas chegando a invadir parte de garagens de algumas casas. Não foi reportado acionamentos dos moradores para resgate ou socorro de pessoas. As vias atingidas foram sinalizadas e interditadas temporariamente até que o nível voltasse ao normal”, relatou Medeiros.

De acordo com ele, também foi relatado à Defesa Civil que no Jardim Industrial, região do Durval Nicolau, uma enxurrada atingiu as ruas Claudio Pelegrino dos Reis e José dos Santos na mesma noite, ocasionando danos na tubulação e calhas de drenagem da via pública.

Risco de desabamento: imóvel às margens do Córrego São João teve estrutura danificada pela força das águas na região central

EROSÃO

Na quarta-feira (5), a chuva forte se repetiu por volta das 15h, alagando estes mesmos pontos da região central. Neste dia, a saída das águas pela ponte da rua Campos Salles provocou uma erosão e destruiu o muro de contenção do Córrego São João, danificando as demais instalações – no local há um barracão vazio e uma garagem, sem moradores. Parte da estrutura colapsou e a Defesa Civil, após vistoria, interditou parcialmente o imóvel. “Segundo relatos, muitos galhos de árvores e lixo descartado nas ruas enroscaram sob um dos vãos da ponte, provocando acúmulo de água e aumentando a pressão de vazão no outro vão, atingindo diretamente o muro que colapsou”, comentou o coordenador.

Diante disso, o Departamento de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento procedeu na limpeza dos detritos, galhos e lixo acumulado sob a ponte e o Departamento de Obras fará o levantamento e manutenção dos danos ocasionados no asfalto e tubulações atingidas.

ÁRVORES CAÍDAS

Fernando Medeiros relata que mais de 20 árvores teriam tombado em diversos pontos da cidade por conta das recentes chuvas. Aquelas de maior porte e as que estavam impedindo totalmente o trânsito – na avenida Dona Gertrudes e ruas Riachuelo, Monsenhor João Ramalho e outras vias – já foram removidas pelo Corpo de Bombeiros e pelo Departamento de Meio Ambiente.

Conforme apurado, o maior número de quedas ocorreu na noite de terça-feira (4), o que tornou necessária a interdição de algumas vias para garantir a segurança e realizar os trabalhos de remoção. Nas proximidades da ponte rua Santo Antônio, por exemplo, além das árvores, ainda houve a queda de poste e fiação. Outros pontos afetados foram o Pratinha, o Jardim Priscila, o Durval Nicolau – e também a praça do bairro – e a rua Henrique Martarello, na Vila Brasil, em frente a um supermercado.

As equipes da prefeitura foram mobilizadas em duas frentes de trabalho para cortar e remover as árvores e galhos caídos. Os trabalhos de remoção ainda continuam.

MAIS CHUVAS

Segundo a Defesa Civil, até sábado (8), a previsão é que possa ocorrer mais pancadas de chuvas, principalmente no final das tardes. “No sábado está previsto um grande acumulado, então devemos estar atentos”, alertou. “As recomendações para a população se proteger das chuvas é que evite sair durante as tempestades, mantenha-se afastado de árvores e estruturas metálicas e não estacione veículos sob as árvores. Nunca atravesse ruas alagadas, e se estiver dirigindo, redobre a atenção e reduza a velocidade”, orientou.

Em áreas de risco, a recomendação é ficar atento aos sinais de deslizamento – como rachaduras, portas e janelas travando, sons de estalos. Já em alagamentos, caso o nível das águas esteja subindo de forma repentina, deve-se abandonar o local e procurar áreas protegidas e secas. Em caso de emergência, o coordenador destaca que a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo 199.

Mais de 3.000 pedidos de podas de árvores estão sob análise na Prefeitura

Nos últimos meses, a Prefeitura de São João da Boa Vista realizou ações preventivas para minimizar o impacto das fortes chuvas. Serviços como poda de árvores e limpeza de córregos passaram a ser realizados de forma contínua, segundo a administração municipal. Além disso, a gestão também tem trabalhado no plano de macrodrenagem urbana, buscando conter alagamentos e evitar quedas de árvores.

Perigo: queda de árvores ocorrem por conta de uma combinação de fatores biológicos e ambientais e  também pelas condições urbanas (Divulgação/Prefeitura de São João)

De acordo com a Ouvidoria Municipal, desde o início do ano, mais de 300 árvores foram podadas como parte de uma ação permanente de manejo e conservação urbana. A medida faz parte de um esforço para reduzir a demanda acumulada nos últimos anos – cerca de 900 solicitações – e atender aos mais de 3.000 pedidos atualmente em análise.

As quedas de árvores durante períodos chuvosos não têm uma única causa. O diretor Reberson Menezes, responsável pelo Departamento de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento, explica que isso decorre de uma combinação de fatores biológicos e ambientais – como doenças fúngicas, infestações, troncos ocos, deterioração de raízes – e o estresse causado pelas condições urbanas – solos compactados, falta de espaço e plantio de espécies inadequadas. Segundo ele, essas condições comprometem a estabilidade das árvores, que se tornam vulneráveis em situações de vento forte ou solo encharcado. Nessas circunstâncias, a ancoragem natural é reduzida, aumentando o risco de queda.

Para reduzir esses riscos, a prefeitura mantém um trabalho técnico e contínuo de diagnóstico e manejo. “As podas são programadas e, quando necessário, realizamos a substituição de espécies. É um processo gradual, mas essencial para garantir segurança e sustentabilidade a longo prazo”, destacou o diretor.

LIMPEZA

A administração também executou ao longo deste ano a limpeza de córregos e áreas próximas a pontes, ação essencial para assegurar o escoamento da água e prevenir alagamentos. O serviço incluiu a remoção de entulho, vegetação excessiva e o corte de árvores que representavam risco à segurança ou obstruíam o fluxo da água. “A manutenção dessas áreas ocorre a cada dois meses, dentro de um cronograma preventivo. Essa rotina evita o acúmulo de resíduos, melhora a drenagem e contribui para a preservação ambiental”, explicou.

VIVEIRO MUNICIPAL

Menezes relata que outra frente de trabalho é o fortalecimento do Viveiro Municipal, recentemente ampliado com cinco novos canteiros de produção. Com a nova estrutura, a capacidade anual deve crescer de 7.000 para cerca de 10 mil mudas.

Atualmente, o viveiro cultiva mais de 30 espécies nativas e exóticas utilizadas na arborização urbana e na recuperação ambiental. Os exemplares – como ipê, mutambo, saboneteira, pimenta-rosa e resedá de folha larga – são destinados ao reflorestamento, à recuperação de áreas de preservação e à arborização de ruas e praças. Além disso, a população também pode retirar gratuitamente as mudas no local.

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