Por Bruno Manson e Ana Paula Fortes
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Os recentes episódios de intoxicação por metanol misturado em bebidas falsificadas têm deixado a população em alerta em todo Brasil. Um dos casos que ganhou repercussão envolve o rapper Gustavo da Hungria Neves, o conhecido Hungria, que foi internado na quinta-feira (2), em Brasília (DF), com a suspeita de ter ingerido bebida adulterada. Antes de ser hospitalizado, ele fez shows no interior paulista, chegando a se apresentar em São João da Boa Vista no sábado (27).
Após dias sob cuidados médicos, o cantor recebeu alta no domingo (5) e agora segue com cuidados clínicos e reavaliação médica ambulatorialmente. Em declaração à imprensa nesta segunda-feira (6), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que não foi detectado metanol no sangue do artista. Apesar do fato ter tranquilizado os fãs, a situação continua preocupante.

INTOXICAÇÕES
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, até o domingo (5) foram registrados 16 casos confirmados de intoxicação por metanol e 209 em investigação em todo Brasil. Do total de registros, o Estado de São Paulo é onde concentra maior parte, com 14 casos confirmados e 178 suspeitas.
Diante deste cenário, muitas pessoas já estão deixando de lado as bebidas destiladas – que são os principais alvos de falsificações. “Fiquei muito preocupado com tudo isso que está acontecendo. Tenho o hábito de tomar cerveja e sei que nela não foi constatada nenhum tipo de adulteração. Mas quando tem festa sempre tomo destilado, o que agora não vou fazer mais porque essa situação é muito séria. Não dá pra arriscar”, disse Matheus Camargo de Oliveira, 29.
Amanda do Prado Germo, 22, também decidiu suspender o consumo de destilados. “Até que passe essa fase, que se descubra o porquê isso está acontecendo e como resolver, não vou tomar mais nenhuma bebida destilada. A verdade é que não tem como ter certeza absoluta da procedência da bebida”, afirmou.
MUDANÇA NO CONSUMO
Até o momento, a repercussão dos casos de intoxicação por metanol não refletiu no faturamento dos estabelecimentos comerciais. O empresário Silvio Angerami Pereira Lima, sócio-proprietário do Dom Caneco e do Canecão, na região central, relatou que o movimento em ambos os estabelecimentos não caiu, porém, o hábito dos frequentadores mudou. “Não tivemos uma redução no movimento, entretanto, houve uma redução no consumo de bebidas destiladas. Muitos clientes migraram para as cervejas e vinhos, por exemplo”, comentou.
Para tranquilizar os fregueses, ele explicou que algumas medidas foram adotadas, visando garantir total transparência sobre a procedência das bebidas que são comercializadas nos barzinhos. “Orientamos nossa brigada a explicar quem são nossos fornecedores. Deixamos as notas fiscais separadas para apresentar, caso algum cliente solicite, e também incentivamos eles [colaboradores] a mostrá-las”, contou. “Nossa rotina não mudou, pois sempre compramos de dois fornecedores, a FR Distribuidora e o Museu da Gula, que são homologados pelas maiores fabricantes e importadoras de bebidas do Brasil, que é o caso da Diageo e da Pernod Ricard, sempre com nota fiscal e os mesmos motoristas, que fazem a entrega há anos nos nossos estabelecimentos. A única coisa que pedimos foi uma declaração dos nossos fornecedores”, completou o empresário.
Em uma avaliação geral, Silvio acredita que as medidas adotadas no combate às bebidas falsificadas são benéficas tanto para os comerciantes, como para o público consumidor. “Esse rigor na fiscalização vai ser bom para nós que trabalhamos corretamente e para o cliente que vai ter uma segurança da procedência do produto que ele está consumindo”, analisou.
FISCALIZAÇÃO
Para combater a venda de bebidas adulteradas, a Prefeitura de São João da Boa Vista anunciou que irá intensificar a fiscalização em bares, adegas, depósitos e demais estabelecimentos que comercializam destilados.
Segundo a administração municipal, os comerciantes estão sendo orientados a redobrar a atenção em relação à compra e revenda de bebidas. Entre os pontos de alerta estão a ausência do selo de segurança e do registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a falta de nota fiscal e promoções suspeitas em compras pela internet.
REDE DE SAÚDE
São João da Boa Vista não registrou nenhum caso de intoxicação por ingestão de bebida falsificada com metanol. Apesar disso, o Departamento de Saúde orienta que quem apresentar suspeita deve procurar imediatamente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou a Santa Casa de Misericórdia ‘Dona Carolina Malheiros’ para passar por avaliação médica.
A Pasta está em contato constante com o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) e o Grupo de Vigilância Sanitária (Gvisa), que orientam sobre protocolos de atendimento. Tanto a UPA quanto a Santa Casa fazem parte da porta de entrada para casos de intoxicação. Os protocolos locais ainda estão sendo definidos em reuniões técnicas e há estudos para aquisição de medicamentos específicos utilizados em outros municípios. Segundo o departamento, a compra de etanol endovenoso e fomepizol, por exemplo, já está em análise.




