Por Clovis Vieira
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A demanda por medicamentos manipulados está em crescimento no Brasil. A procura cresce impulsionada por fatores como a personalização de tratamentos para necessidades específicas, a busca por aliar mais de uma substância em um único produto, o uso de doses adaptadas e o custo-benefício. Esse aumento se reflete no desenvolvimento do setor, que gera empregos e movimenta a economia.

Já faz 36 anos que a Art’Ervas atua na cidade, criada especificamente para oferecer medicamentos manipulados. Antônio Geraldo Ribeiro dos Santos Jr., 59, farmacêutico industrial formado pela Universidade de São Paulo (USP), conta como foi o processo de vinda para São João: “Eu já trabalhava na indústria farmacêutica e prestei estágio numa farmácia em Ribeirão Preto. Acabei me apaixonando pelo setor de manipulados e decidi trabalhar nessa área”.
Mais tarde, em pesquisa feita para conhecer as cidades com maior número de médicos por habitantes no interior paulista, viu que São João ficara em terceiro lugar. Para manipular é preciso de uma receita e um prescritor (médicos, geralmente). Somado a isso, a esposa dele, Ana Claudia, já tinha morado na cidade e contava com grande número de amigos por aqui. Era o que precisavam para a decisão de vir pra cá.
QUALIDADE
Quando questionado sobre o porquê de remédios manipulados, o farmacêutico esclarece que nenhum ser humano é igual ao outro, o que aponta para necessidades diferentes em casa pessoa. “Drogas órfãos, por exemplo, são aqueles remédios que a indústria farmacêutica abandonou porque não dão lucro. Nós as manipulamos aqui, porque são necessárias”. O mesmo acontece com medicamentos para idosos que não conseguem engolir cápsulas ou drágeas com facilidade e a Art’Ervas produz no formato de xarope, por exemplo. Entre muitas outras situações.
Providências assim criam clientes com muita fidelidade. Alguns permanecem desde a primeira semana de funcionamento da farmácia, em 1989. A excelência obtida ao longo dos anos atrai consumidores da região e de vários estados brasileiros. “O nosso controle de qualidade é item obrigatório no dia a dia. Não existe remédio meio bom! Existe só remédio bom”, alertou. O Brasil, afirmou Antônio Geraldo, tem a legislação ‘mais dura’ do mundo no que diz respeito a medicamentos manipulados.
FUTURO
Esse cuidado faz do país o melhor do mundo nesse setor. “Nós já recebemos aqui na farmácia estagiários vindos da França, Austrália, Portugal entre outros, que vêm aprender com o nosso processo de produzir medicamentos manipulados”.
E o futuro da manipulação? “Ela vai durar para sempre, mas haverá mudanças no seu perfil”, antecipou. “Hoje, sabemos que há impressoras 3D que fazem remédios, já imaginou?”. Citou a descoberta do genoma humano, cujas sondagens podem antecipar em décadas as futuras doenças que alguém poderá ter: “E aí, nós podemos produzir medicamentos específicos que podem evitar o desenvolvimento desses males. Eu penso que ainda temos um universo gigantesco pela frente no ramo dos manipulados”, concluiu.




