Mulheres abandonam a CLT em busca de autonomia

Por Clovis Vieira
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Muitas brasileiras optam por deixar a estabilidade da carteira de trabalho para empreender, em um movimento crescente e confirmado por números. Pesquisa da Mastercard e da Opinium Research, divulgada em 2025, revela que 80% das mulheres, no Brasil, já consideraram abrir ou administrar um negócio próprio, mas 53% ainda não conseguiram dar o primeiro passo, sendo a falta de financiamento o fator citado como principal barreira por 37% delas.

CMEC Conecta: projeto foi criado para fortalecer mulheres empreendedoras (Divulgação/ACE São João)

Dados do Sebrae apontam que o Brasil atingiu 10,3 milhões de mulheres donas de negócios em 2022, o que representa um crescimento de 30% em relação a 2021 e recorde desde 2016. De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a maior pesquisa de empreendedorismo do mundo, mulheres representam 46% dos empreendedores iniciais no país, sendo que 40% planejam criar de uma a cinco vagas de trabalho, mostrando seu potencial gerador de renda e impacto econômico.

LIBERDADE

Vanessa Borges Eduardo, 42, atua no varejo revendendo calçados femininos e acessórios em loja da rua Saldanha Marinho. Há dez anos, engravidou e percebeu a necessidade de maior autonomia de tempo; fazia 18 anos que trabalhava com carteira assinada. Objetivando cuidar com mais atenção e cuidado da filha recém-nascida, abandonou essa forma de registro trabalhista. “Durante os primeiros cinco anos, trabalhei no sistema ‘porta a porta’; já faz quatro anos que abri a minha loja física”. A empreendedora classifica o seu trabalho atual como “muito árduo”, mas considera que a mudança valeu a pena.

Entre as vantagens que ela reconhece ter obtido com a mudança, estão a liberdade de horário de trabalho para cuidar melhor da família e a liberdade financeira que adquiriu ao longo desse caminho. “O Sebrae foi um grande apoiador na minha caminhada. Ali eu participei de alguns cursos, recebi orientações e diretrizes que me ajudaram a seguir firme”, afirmou. Questionada se aconselharia outras mulheres a trilhar o mesmo caminho, ela enfatizou: “Sim, com certeza. Inclusive, hoje eu participo de alguns encontros onde profiro palestras para motivar as participantes. Eu considero que vale muito a pena essa mudança”, concluiu.

ENCONTRO

Na quarta-feira (24), o Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC São João) realizou a primeira edição do CMEC Conecta, um novo projeto criado para fortalecer a rede de apoio entre mulheres empreendedoras da cidade. O encontro aconteceu em uma cafeteria da cidade. O tema desta primeira edição foi “Ser Empreendedora” e reuniu mulheres de diferentes segmentos para compartilhar experiências, desafios e oportunidades relacionadas ao empreendedorismo local.

“Queremos oferecer um espaço onde as empreendedoras possam conversar de forma aberta, trocar experiências e criar parcerias. O CMEC Conecta é mais do que um evento, é uma forma de fortalecer laços e impulsionar novas iniciativas para o futuro do empreendedorismo feminino na nossa cidade”, afirmou Vera Sassaron, presidente do CMEC São João.

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