É de bom tom!

Por Clovis Vieira
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Desde que um bar na capital paulista transformou o seu som ambiente em ‘listening bar’, o faturamento ‘explodiu’. Quem conta a novidade é Leonardo Leão em seu perfil do Instagram (@leonardoleaoof): “Não foi promoção. Não foi desconto. Foi acústica+curadoria musical”, afirmou no aplicativo. E apontou que esta é a melhor saída para bares e restaurantes conservarem aqueles clientes ‘sonoramente exigentes’ e atrair novos frequentadores que chegam pela sugestão de quem aprovou a playlist.

Lição: não é sobre economizar no som; é sobre transformar som em experiência que cliente paga feliz (Reprodução/Via Google)

Em pesquisa realizada entre perfis do Facebook, a reportagem selecionou alguns depoimentos. “Quanto temos música ambiente num nível de volume agradável e com uma playlist legal, tudo bem. O pior é quando tem música ao vivo numa ‘altura’ que fere os tímpanos”, apontou Maria Inês Galvani Giordano, citando um restaurante sanjoanense aos sábados.

Patrícia Buzzo também afirmou que gosta muito de música ambiente, em volume agradável, quando frequenta restaurantes, mas destacou que sente falta de canções do estilo bossa nova.

BATIMENTOS

O que o influencer Leonardo Leão fez em seu perfil foi ensinar como transformar qualquer bar ou restaurante num ‘listening bar’ de sucesso. “É neurociência básica do consumo”, garantiu. De acordo com sua pesquisa, antes os bares ‘normais’ cortavam custos assim: tocavam sertanejo em happy hour de executivo; impunham volume alto demais à clientela; economizavam com playlist aleatória produzida sem critério. Resultado: perda estimada em R$ 80 mil em vendas/mês.

O que o Matiz Bar fez diferente foi investir em estrutura acústica considerada ‘top’; encomendar curadoria musical que eleva a experiência do cliente; decidir por volume que permite conversa, resultando em mesa cheia mais tempo; BPM (batidas por minuto) da música sincronizada com horário. Daí, o local virou destino e não apenas ‘um bar’. Na música, BPM mede o andamento, ou seja, a velocidade rítmica em que ela é tocada, indicando quantas batidas ocorrem em um minuto. Um BPM mais alto significa que a música é mais rápida e vice-versa.

MATEMÁTICA

“Sim, gosto de música ambiente nos bares e restaurante, de preferência em um volume baixo, que se consiga ouvir o que está tocando e que se possa conversar entre os amigos. MPB, jazz e instrumental são os estilos musicais ideais para um bom som ambiente”, declarou Valdir Martins, gerente comercial. Quem faz a mesma afirmação é Ruth Lameu Ildefonso, acrescentando: “Sobre qual tipo de música prefiro nessas situações, sou eclética, gosto de tudo”.

O Matiz Bar ancora sua decisão sobre música ambiente na matemática. Segundo a gerência do bar, a matemática do som é a seguinte: entre 60-70 BPM, o cliente relaxa e pede mais; quando esse número sobe para 120+ BPM o cliente come rápido e ‘vaza’. Quanto ao estilo musical, o pessoal observou que o estilo Jazz/Bossa com acústica boa faz o bar lucrar um ticket médio de R$ 280; quando o som é sertanejo alto em caixa ruim, o ticket médio cai para R$ 65.

INVESTIMENTO

É claro que cada bar ou restaurante tem o seu público-alvo e é nele que se deve pensar ao construir uma playlist de sucesso. Veja só: ‘listening bar’ significa que o cliente vai pela experiência sonora; fica mais tempo saboreando; pede drinks premium; posta stories em sua rede social e traz amigos; e vira embaixador da marca. A lição do Matiz Bar é simples — não é sobre economizar no som. É sobre transformar som em experiência que cliente paga feliz.

Luís Antônio Pradella cita detalhe importante, apontando quando a playlist é música ao vivo: “Valorizar o músico é fator admirável, desde que a ‘casa’ cumpra as normas de tratamento acústico e horário adequado, para não incomodar os vizinhos”. Clau Fontana participou da pesquisa argumentando que prefere não generalizar sobre como está o volume hoje, “já que temos diferentes bares e restaurantes”. E lembrou que a melhor música ambiente depende do horário e da proposta do local. “Por exemplo, horário de almoço, jazz e instrumental são super bem-vindos! Final de tarde, numa happy hour, eu gosto muito de MPB e Bossa Nova”, finalizou.

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