Mãe de aluno ameaça e agride com soco diretor de escola municipal

Por Bruno Manson
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Uma mulher, de 36 anos, deverá ser indiciada pelos crimes de lesão corporal e ameaça após causar uma confusão na Escola Municipal Sarah Salomão, localizada no Jardim Primavera, em São João da Boa Vista. Ela é mãe de um aluno e agrediu o diretor da unidade escolar, deixando-o ferido no rosto. O caso ocorreu na tarde de quinta-feira (28).

Violência: após agressão, mulher pulou o portão da Escola Municipal Sarah Salomão e fugiu para não ser pega pela Polícia Militar (Reprodução/Google Street View)

Conforme apurado, a vítima estava na cozinha da escola quando foi chamado pela secretária, a qual disse que uma mãe estaria lhe chamando. A desavença teria ocorrido pelo fato do filho dela não poder participar de um passeio com a turma, uma vez que não havia sido apresentado o comprovante de vacinação contra febre amarela – uma exigência que é feita a todas as famílias para garantir a saúde das crianças que vão nesta atividade.

Na ocasião, o servidor notou que a mulher estava extremamente alterada e pediu para que se acalmasse. Sem justificativa alguma, ela pegou uma camiseta de dentro da mochila que trazia, a enrolou no punho e deu um sono no rosto dele. A pancada atingiu os óculos de grau que usava, vindo a causar um corte no rosto. Logo em seguida, a agressora ainda o ameaçou. “Não tenho medo de você, sou dona do bairro!”, disse. “Sou artigo 121”, citou a mãe do aluno, em alusão ao trecho do Código Penal que tipifica o crime de homicídio.

Funcionários que estavam no local interviram e isolaram o diretor em uma sala. Enquanto era levado para lá, ele ainda levou um chute na perna, ação que foi registrada por câmeras.

OUTRAS AMEAÇAS

Durante a confusão, a acusada ainda ameaçou bater na vice-diretora da escola e também agrediu uma cuidadora e um zelador que estavam no momento dos fatos. Ao notar que a Polícia Militar estava sendo acionada, ela pulou o portão da escola e fugiu. As vítimas procuraram o Plantão Policial e registraram um boletim de ocorrência relatando o caso.

MANIFESTAÇÃO

Diante desta situação, os servidores da Emeb Sarah Salomão realizaram uma manifestação pacífica na tarde desta sexta-feira (29). A mobilização foi em solidariedade às vítimas e teve o intuito de conscientizar a população contra a violência no ambiente escolar.

MEDIDAS ADOTADAS

Ao tomar conhecimento do ocorrido, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais manifestou total repúdio ao episódio e entrou em contato com o Departamento de Educação para saber quais medidas estão sendo adotadas. A diretora da pasta, Maria Helena Angelini Santana, acionou o Conselho Tutelar e solicitou à Polícia Militar a intensificação das rondas escolares. O sindicato também entrou em contato com o diretor da escola, colocando toda a estrutura da entidade a disposição. “O Sindicato dos Servidores é atuante e continuará ao lado dos trabalhadores, oferecendo apoio, exigindo segurança e valorização. Nos colocamos à disposição para dialogar e contribuir com soluções que preservem a integridade e condições de trabalho dos servidores”, destacou a entidade, em nota à imprensa.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em entrevista ao O MUNICIPIO, o diretor declarou que jamais imaginou que passaria por isso.

“Fiquei meio atordoado na hora [da agressão] porque não acreditava naquela situação que estava acontecendo. Faz 14 anos que trabalho em escola e nunca passei por nada parecido”, afirmou. “Já trabalhei em escola pública, privada, técnica, dou aula em universidade. Dediquei toda a minha vida profissional à educação. Amo o que faço. Amo a minha escola. Tenho funcionários maravilhosos. Os alunos aqui são maravilhosos e, inclusive, o filho dela [da agressora] é uma criança que temos grande carinho. Ela tem uma filha aqui, a qual também temos carinho. Aqui é uma escola muito gostosa de trabalhar. Jamais achei que isso iria acontecer”, declarou o servidor.

Finalizando, ele afirmou que espera apenas que a mãe se conscientize e não volte a atacar mais ninguém. “A única coisa que eu gostaria é que ela não repetisse isso com outra pessoa, essa violência de graça”, concluiu a vítima.

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