Por Bruno Manson
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A área da saúde encontra-se em uma situação bastante delicada em São João da Boa Vista. Relatos de problemas no atendimento e até mesmo de diagnósticos errados tornaram-se corriqueiros nas redes sociais e revelam uma grande insatisfação da população sanjoanense em relação aos serviços prestados na rede municipal.

A situação mais delicada é atualmente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Desde o começo do ano, seis pessoas — sendo duas crianças — faleceram durante ou após o atendimento no local, o que tem levantado questionamentos sobre os procedimentos adotados com os pacientes.
O caso mais recente ocorreu com o falecimento da servidora pública municipal Valéria Martins do Vale Riquena, de 51 anos. Conforme apurado, ela procurou a UPA por dias seguidos, queixando-se de dores, porém, não foram realizados exames precisos e o caso foi tratado como sendo ansiedade. Além disso, a paciente até chegou a receber um encaminhamento para ser atendida no Caps (Centro de Atenção Psicossocial), como se estivesse passando por problemas psicológicos.
No entanto, a situação dela era muito mais grave. Valéria sofria de trombose da artéria mesentérica, que evoluiu para choque séptico — uma condição que, diagnosticada a tempo, poderia ter sido tratada e curada. Ela chegou a ser transferida para a Santa Casa Dona Carolina Malheiros, mas não resistiu e faleceu na terça-feira (12). A morte da paciente ganhou as redes sociais e tem causado indignação.
POSICIONAMENTO
Em nota à imprensa, a Prefeitura de São João da Boa Vista lamentou o falecimento da servidora e se pronunciou sobre o caso. “A administração municipal informa que a responsabilidade pelo diagnóstico e pela conduta médica é exclusiva do profissional de saúde e do diretor-técnico da Unidade de Pronto Atendimento. A Prefeitura não possui competência legal ou técnica para intervir ou questionar diagnósticos médicos”, informou.
“Qualquer alegação de erro ou falha na conduta médica deve ser verificada e julgada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), que é a instância adequada e legalmente constituída para tal análise. Os profissionais que atuam na UPA são devidamente formados e registrados em seus respectivos conselhos de classe, sendo estes os órgãos responsáveis por fiscalizar e avaliar a conduta profissional”, concluiu a administração municipal.
“A principal dificuldade enfrentada na área da saúde é de natureza financeira”, alega Vanderlei
Diante dos constantes problemas que ocorrem na Unidade de Pronto Atendimento, o jornal O MUNICIPIO conversou com o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (PSD) para saber o que tem sido feito para resolver a situação. Em entrevista, o chefe do Poder Executivo comentou sobre está a transição do serviço para o Consórcio de Desenvolvimento Regional (Conderg), citou as dificuldades financeiras encontradas e destacou que a atual gestão está se empenhando para melhorar este cenário.

O MUNICIPIO: Quais providências devem ser tomadas na UPA em relação ao atendimento?
Vanderlei: A UPA conta com uma equipe qualificada, incluindo diretor-técnico, médicos e enfermagem. Em caso de questionamentos sobre o atendimento ou conduta médica, existem os conselhos de classe competentes: o Conselho Regional de Medicina (CRM) para questões médicas e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) para questões de enfermagem. A prefeitura garante todas as condições para que os profissionais exerçam suas funções, mas a decisão profissional e a conduta médica são de responsabilidade exclusiva do médico, que possui autonomia em seu diagnóstico e procedimentos. A administração municipal não interfere na conduta médica.
O MUNICIPIO: Como tem transcorrido a transição dos trabalhos entre o Ingex Saúde e o Conderg? Qual a previsão para que a rede municipal seja definitivamente gerenciada pelo Consórcio?
Vanderlei: A administração municipal já realizou reuniões com o Ingex Saúde para discutir a transição. O objetivo é realizar uma transição paulatina para evitar qualquer interrupção nos serviços. A prefeitura está empenhada em garantir que a mudança de gestão ocorra sem sobressaltos, assegurando a continuidade do atendimento à população.
O MUNICIPIO: Quais as principais dificuldades que a administração municipal tem enfrentado na área da saúde e como tem lidado com isso?
Vanderlei: A principal dificuldade enfrentada na área da saúde é de natureza financeira, um problema herdado da gestão anterior. Essa situação é agravada por desvios de recursos e calotes de Organizações Sociais (OSs) que atuaram no município. A administração está trabalhando para resolver essas questões financeiras, buscando a regularização e a otimização dos recursos para garantir a melhoria contínua dos serviços de saúde.
O MUNICIPIO: Há alguma mensagem final ou consideração que a administração municipal deseja deixar para a população?
Vanderlei: A administração municipal está fazendo o máximo e tudo o que está ao seu alcance, dentro da legalidade, para garantir a qualidade dos serviços públicos.




