Possíveis fraudes com atestado médico no Samu são investigadas

Por Bruno Manson
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A Polícia Civil de São João da Boa Vista abriu inquérito para investigar um possível esquema de fraudes envolvendo funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-192) da região. O caso foi denunciado nesta quarta-feira (6) pelo Consórcio de Desenvolvimento da Região de Governo de São João da Boa Vista (Conderg), que protocolou notícia de fato por suspeita de crimes de estelionato contra o poder público.

Segundo a denúncia, servidores apresentavam atestados médicos para justificar faltas ao trabalho, mas exerciam atividades remuneradas em outras instituições durante o mesmo período. A prática teria causado duplo prejuízo aos cofres públicos: além do pagamento dos salários aos funcionários afastados, o consórcio precisava contratar substitutos para cobrir os plantões.

Investigação: funcionários investigados teriam trabalhado para outras empresas nos mesmos dias em que apresentaram atestados médicos ao Samu (Reprodução)

CASOS COMPROVADOS

Pelo menos dois casos já foram documentados com provas que demonstram a irregularidade. Os funcionários investigados teriam trabalhado para outras empresas nos mesmos dias em que apresentaram atestados médicos ao Samu, configurando uso fraudulento dos documentos.

A administração do Conderg suspeita que o problema pode ser mais amplo. “Não vamos tolerar a obtenção de vantagens pessoais às custas da população”, declarou o presidente do consórcio, Vanderlei Borges de Carvalho (PSD), prefeito de São João da Boa Vista. A direção acredita que essa possível fraude pode integrar um esquema regional de uso indevido de atestados médicos.

IMPACTO

A superintendente do Conderg, Cristiane de Paiva Trevisan, enfatizou a gravidade da situação para os serviços públicos de saúde. “Os serviços de urgência e emergência exigem responsabilidade absoluta. O uso indevido de atestados compromete diretamente o atendimento à população e onera o sistema público de saúde”, afirmou.

A coordenadora-geral do Samu, Priscila Nasser Arcuri, destacou que a conduta investigada fere os princípios éticos da profissão médica e prejudica o funcionamento de um serviço essencial para a população regional.

INVESTIGAÇÃO PODE SE EXPANDIR

O procurador jurídico do consórcio, Oswaldo Bertogna Júnior, ressaltou a importância do aprofundamento das investigações. “É fundamental que as autoridades policiais identifiquem todos os envolvidos no esquema”, disse.

O documento entregue à Polícia Civil sugere diligências junto a hospitais e empresas de transporte de pacientes de toda a região. Os nomes dessas instituições já foram indicados às autoridades, com o objetivo de verificar se os investigados repetiram a conduta fraudulenta em outras datas e localidades.

CONSEQUÊNCIAS LEGAIS E ADMINISTRATIVAS

As penalidades previstas para os crimes investigados são severas. Cada caso de estelionato contra o poder público pode resultar em pena superior a sete anos de reclusão. Além das consequências criminais, os funcionários envolvidos enfrentam processo administrativo que pode levar à demissão por justa causa.

O caso também será encaminhado ao Ministério Público para apuração de improbidade administrativa. As sanções previstas incluem ressarcimento ao erário, perda de função pública, proibição de contratar com o poder público, multa de até 24 vezes o valor da remuneração recebida pelo agente e suspensão dos direitos políticos.

Com o inquérito policial já instaurado, as investigações devem se expandir para abranger não apenas os dois casos específicos já identificados, mas todo o possível esquema de fraudes na utilização de atestado médico na região de São João da Boa Vista.

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