Por Clovis Vieira
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Tradicionalmente visto como provedor e figura de autoridade, o pai moderno é “cada vez mais reconhecido como um participante ativo e essencial na criação e desenvolvimento dos filhos”, afirmam profissionais como sociólogos e psicólogos. Hoje, o pai compartilha responsabilidades com a mãe e busca um envolvimento emocional e afetivo mais profundo com eles. A chamada ‘paternidade ativa’ aponta para um envolvimento emocional maior; são pais buscando criar laços afetivos fortes com seus filhos, oferecendo apoio, segurança e atenção.

O pai ainda é visto como um herói? “No meu ponto de vista, a imagem de ‘herói’ é complexa, depende muito da participação afetiva, do vínculo existente entre as partes; mas ainda acredito que aquele pai que participa, dá o exemplo e se dedica a família, com certeza é um herói”, ponderou o professor Silvano Júnior, que leciona História e Educação Socioemocional no Experimental Integrado.
DIVIDIR TAREFAS
Questão que vem se impondo na atualidade é se a mãe tem suplantado as atividades e deveres antes destinadas somente ao pai. “Essa também é uma questão complexa e depende de muitos fatores, incluindo a estrutura familiar, as responsabilidades individuais e as dinâmicas de relacionamento. Com mais mulheres trabalhando fora de casa, as mães estão, de fato, assumindo mais responsabilidades financeiras e profissionais”, apontou Júnior.
A divisão de tarefas com a mãe na criação dos filhos tem aumentado, com pais assumindo um papel mais ativo nos cuidados diários, como alimentação, higiene, brincadeiras e acompanhamento escolar. Estudos muito recentes demonstram que a participação paterna ativa é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, promovendo autoestima, segurança e habilidades de interação social. Esta, no entanto, não é uma regra em muitas famílias desde sempre.
AUSÊNCIA PARENTAL
O ‘problema do pai ausente’ refere-se às consequências negativas, tanto emocionais quanto comportamentais, que a falta de um pai na vida de uma criança pode causar. Essa ausência pode ser física (como em casos de pais que não moram com a família ou abandonam os filhos) ou emocional (quando o pai está presente fisicamente, mas não se envolve emocionalmente com a criança). Uma família funciona bem sem um pai? “Sim, uma família pode funcionar bem sem um pai, desde que haja apoio emocional, estabilidade financeira e comunicação eficaz entre os membros da família”, disse Silvano Júnior.
As consequências contabilizadas pela ausência parental são importantes. Incluem problemas emocionais como a baixa autoestima, ansiedade, depressão, dificuldade em estabelecer vínculos afetivos, insegurança, medo do abandono, além de sentimentos de rejeição e solidão. E dificuldades comportamentais: agressividade, rebeldia, dificuldades de aprendizado, problemas de concentração, tendência a comportamentos destrutivos (como vícios ou compulsões). É importante considerar, também, o impacto na vida adulta que essa ausência pode trazer. Entre elas dificuldades em relacionamentos, tendência a repetir padrões de relacionamento disfuncionais, problemas de saúde mental, sensação de vazio e dificuldade em desempenhar o papel de pai no futuro.




