Capivaras se multiplicam e geram preocupação no Recanto do Lago

Por Pedro Souza
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O local que antes era sinônimo de tranquilidade, lazer e contato com a natureza virou motivo de dor de cabeça para quem vive no Recanto do Lago, em São João da Boa Vista. Segundo relatos de moradores, a população de capivaras cresceu de forma descontrolada, trazendo riscos à saúde pública e à segurança.

Descontrole: população de capivaras cresceu nos últimos anos na região do Recanto do Lago (Pedro Souza/O MUNICIPIO)

Fernando Ribeiro, engenheiro e morador do bairro, é uma das vozes que vêm buscando soluções para o problema. Ele relata que, desde 2022, os moradores notam o aumento expressivo de capivaras na região, mas que, no último ano, a situação se agravou drasticamente. “Já houve relatos de atropelamentos e quase atropelamentos. Um conhecido teve que trocar quase toda a frente do carro por ter batido em uma capivara à noite”, contou.

Ribeiro também sofreu um acidente. “Eu estava retornando do trabalho, por volta das 22h, quando me deparei com duas capivaras atravessando a rua da minha casa. Não deu tempo de frear. O prejuízo só não foi maior porque estava de caminhonete”, disse. Segundo ele, além dos riscos de acidentes, há preocupação com a saúde. “Capivaras mortas já apareceram na pista e até no lago, causando mau cheiro. Além disso, as fezes estão espalhadas por toda a extensão do lago, o que torna o local insalubre”.

Outro problema denunciado pelos moradores é a proliferação de carrapatos no entorno do lago. “Todo mundo que vai caminhar por lá volta com carrapatos. E todos sabemos o risco de contrair febre maculosa”, alertou.

SEM RESPOSTA

Segundo os moradores, a Prefeitura de São João já foi procurada diversas vezes via Ouvidoria, mas a resposta é sempre a mesma: por serem animais silvestres, não há nada a ser feito. A Vigilância Sanitária, a Zoonoses e até vereadores já foram acionados, sem sucesso. “É como se estivéssemos sendo ignorados. O sentimento é de abandono”, desabafou Ribeiro.

Diante do problema, os moradores do Recanto do Lago cobram ações concretas e imediatas por parte do poder público. Entre as principais reivindicações está a reconstrução de um alambrado mais resistente ao redor do lago, como forma de conter as capivaras e evitar que invadam as ruas do bairro. Além disso, a comunidade defende a realização de limpeza e manutenção periódica do local, com roçagem da vegetação e dedetização para combater a infestação de carrapatos.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Procurada pelo O MUNICIPIO, a prefeitura informou, em nota, que a equipe responsável pelo empreendimento imobiliário que está realizando obras no calçamento próximo ao lago precisou abrir o cercado para executar os reparos, o que resultou na saída das capivaras. No domingo (8), os acessos foram devidamente fechados, garantindo a contenção dos animais.

A empresa se comprometeu a recompor definitivamente as telas e os postes ao longo da próxima semana, restabelecendo completamente a segurança e o fechamento da área ao redor do lago.

Na nota, a administração municipal reafirmou seu compromisso com a preservação ambiental e o bem-estar da fauna local, ressaltando que, conforme a Constituição, é dever do Estado proteger e conservar a fauna silvestre. As capivaras são espécies nativas e protegidas por lei, conforme garantido por legislações como a Lei de Crimes Ambientais e a Lei de Proteção à Fauna.

MEDIDAS EM ESTUDO

Segundo o diretor do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal, Victor Rodrigues Martins, a prefeitura avalia medidas como a contratação de uma empresa especializada para realizar o controle populacional, com ações como a castração dos animais. A gestão também pretende dialogar com órgãos ambientais, como o Ibama, para definir procedimentos legais e técnicos que possam conter o avanço desordenado da população de capivaras de forma responsável e dentro da legalidade.

POLÍCIA AMBIENTAL

A Polícia Militar Ambiental informou que a responsabilidade pelo manejo da fauna silvestre, como castração e realocação de capivaras, é da Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia (DBB) em Campinas (SP).

Em nota, a corporação destacou que é provável que esses animais estejam a procura de alimentos devido à estiagem e que por serem animais silvestres são protegidos por lei. Além disso, ainda alertou a população para manter distância e evitar qualquer contato com esses animais.

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