MEC endurece regras para cursos de Educação a Distância

Por Ana Paula Fortes
[email protected]

O Ministério da Educação (MEC) publicou um novo decreto que redefine as regras para cursos de Educação a Distância (EAD) no ensino superior brasileiro. Entre as principais mudanças está a proibição de graduações totalmente EAD em áreas que exigem formação prática intensiva, como Medicina, Enfermagem, Odontologia, Direito e Psicologia. Ainda conforme as novas diretrizes, as demais opções das áreas de saúde e de licenciaturas (formação de professores) poderão ter formato presencial ou semipresencial, desde que a carga horária à distância não ultrapasse 50% do total. A medida visa garantir a qualidade do ensino e tem gerado reações distintas entre instituições de ensino.

Aprendizado: graduações que exigem informação prática e intensiva estão proibidas em EAD (Divulgação/Ascom UniFAE)

UniFAE e UniFEOB se posicionaram sobre o tema. Enquanto a autarquia municipal, que já oferece cursos presenciais nas áreas afetadas, apoia a decisão, a UniFEOB, que também atua no EAD, afirma que já está se adaptando às novas exigências.

FORMAÇÃO PRÁTICA É INEGOCIÁVEL

Para a professora Eluana Reis, coordenadora do curso de Enfermagem do UniFAE, a medida é essencial. “A Enfermagem exige habilidades práticas, empatia e tomada de decisões em tempo real, aspectos que são melhor desenvolvidos em ambientes presenciais”, disse. O mesmo pensamento é compartilhado pelo professor e doutor Nilo Paro, coordenador do curso de Medicina. “Seria incompleta a formação de qualquer médico se ele não tivesse acesso a pacientes e vivência clínica”, comentou.

Já o professor Silas Antônio Juvêncio, coordenador de Odontologia, destacou que o ensino presencial é ‘imperativo’ para a segurança e excelência dos futuros dentistas. “Não existe tratamento odontológico à distância, e o mesmo vale para o ensino”, afirmou.

No Direito, o professor Gabriel Marson Junqueira também elogiou a decisão do MEC. “O Direito não é apenas memorização de normas, mas aplicação prática, argumentação e mediação, competências que se desenvolvem melhor no presencial”, destacou.

A coordenadora do curso de Psicologia do UniFAE, Shirley Galhardi, acredita que essa regulamentação tende a fortalecer a formação profissional. “O curso de psicologia foi um dos cinco que passarão a ser oferecidos exclusivamente no formato presencial, o que na minha opinião, garante uma formação mais sólida do profissional, visto que o relacionamento humano é a base desta profissão independentemente da área de atuação”, observou.

REFORÇANDO A ADAPTAÇÃO

O UniFEOB afirma que já está alinhado com parte das novas regras. Patrícia Furlanetto, pró-reitora acadêmica, explicou que a instituição já trabalha com atividades síncronas, assíncronas e encontros presenciais. “A tecnologia é uma ferramenta, mas o processo de ensino-aprendizagem é humano. Já estamos com toda a nossa equipe acadêmica estudando a nova legislação e organizando as adequações que se fizerem necessárias”, relatou.

Ela defendeu que a inclusão no ensino superior não pode vir às custas da qualidade. “Incluir significa oferecer acesso e educação de qualidade. Não é justo que estudantes de regiões distantes tenham que aceitar qualquer formação”, declarou.

IMPACTO

As novas regras devem reconfigurar a oferta de vagas em EAD no país, especialmente em cursos com alta demanda. Enquanto instituições como o UniFAE veem a medida como um reforço à excelência acadêmica, outras terão que se adaptar para manter cursos híbridos dentro dos parâmetros exigidos.

O debate ainda deve se prolongar, já que o decreto precisa de regulamentações complementares. Por enquanto, uma coisa é certa, o MEC sinaliza que, para certas profissões, a presencialidade é indispensável.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here