Por Pedro Souza
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Coordenadora do Movimento de Empoderamento Feminino Baque Mulher São João, Karina Mattos é também a fundadora do projeto que está prestes a completar dois anos de atuação na cidade. Desde julho de 2023, ela conduz um movimento que vai muito além do som dos tambores: trata-se de uma rede de apoio, formação e expressão feminina inspirada no maracatu — uma manifestação cultural afro-brasileira nascida em Pernambuco, marcada por cortejo, percussão e dança.
O grupo atua sob a orientação da mestra Joana D’Arc Cavalcante, referência nacional na tradição. Nesta entrevista, Karina compartilha sua trajetória, os objetivos do grupo e os próximos passos do projeto.

ENTREVISTA
O MUNICIPIO: Como e quando você teve o primeiro contato com o movimento Baque Mulher?
KARINA: Tive meu primeiro contato em 2023, pelas redes sociais do Baque Mulher Campinas. Iniciei uma conversa para entender melhor o movimento e, após orientações da coordenadora Iara Lages, fui informada de que precisava pedir autorização e bênção da mestra Joana D’Arc Cavalcante, fundadora do movimento em Recife, onde fica nossa matriz. Por isso, me desloquei até Recife para conhecê-la e receber seus ensinamentos. Nessa viagem, resgatei também minhas raízes familiares, pois minha mãe, já falecida, era pernambucana. De lá, trouxe os instrumentos com os quais iniciamos os trabalhos em São João.
O MUNICIPIO: O que te motivou a trazer uma filial para São João?
KARINA: Fui motivada pela minha ancestralidade. Senti que precisava compartilhar uma força tão grandiosa como o Baque Mulher, por tudo o que ele representa e por todo o empoderamento que traz para o universo feminino. É uma rede de apoio, que contribui para o fortalecimento de outras mulheres.
O MUNICIPIO: Na sua visão, o que o maracatu representa para as mulheres hoje?
KARINA: Uma conquista pela liberdade de expressão. Por intermédio da música, do canto e da dança, revelamos e potencializamos forças que foram reprimidas por décadas.
O MUNICIPIO: Quais são os principais temas que vocês trabalham nos encontros e rodas de diálogo?
KARINA: Abordamos temas como machismo, racismo, intolerância religiosa, letramento racial, violência contra a mulher e inclusão.
O MUNICIPIO: O projeto busca acolher mulheres em situação de vulnerabilidade. Como isso acontece? Alguma história te marcou?
KARINA: Todas as histórias que surgem nas rodas de conversa são importantes. Uma que me marcou foi quando presenciamos uma situação de violência contra uma mulher e suas filhas na rua. Intervimos com base nos conhecimentos adquiridos em uma roda com profissionais da Delegacia da Mulher.
O MUNICIPIO: O que o grupo está preparando para os próximos meses?
KARINA: Em julho, completamos dois anos de atuação. Nossa festa será nos dias 5 e 6 de julho, com oficinas gratuitas de maracatu e apresentações com as filiais de Valinhos, Vinhedo e Campinas. Também estamos organizando a vinda da mestra Joana D’Arc para São João, nos dias 15 e 16 de novembro, quando realizaremos oficinas gratuitas e um cortejo pela cidade.
O MUNICIPIO: Como as mulheres da cidade podem participar ou apoiar o Baque Mulher?
KARINA: Nossos ensaios são aos domingos, gratuitos, e abertos a qualquer mulher ou menina, mesmo que nunca tenha tocado. Nós ensinamos juntas. Como somos itinerantes, é importante acompanhar a agenda pelo Instagram: @baquemulhersjbv.

O MUNICIPIO: Algo que gostaria de acrescentar?
KARINA: Embora o Baque Mulher seja um movimento de empoderamento feminino, contamos com o apoio de homens que queiram fortalecer o projeto. Eles são bem-vindos para acompanhar rodas de conversa, eventos e ajudar com instrumentos e registros fotográficos. Mas quem toca são as mulheres – elas são as protagonistas. Foi uma grande conquista ocupar esse espaço, historicamente masculino. Com o crescimento do movimento, nossa filial se unificou com as mulheres de Poços de Caldas, formando o Baque Mulher São João/Poços. Hoje, o movimento nacional conta com 38 filiais ativas no Brasil e duas no exterior – uma em Portugal e outra na Bélgica.




