Vanderlei avalia os primeiros 100 dias da administração

Por Bruno Manson
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Desde que tomou posse, o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (PSD) vem realizando um verdadeiro ‘raio-x’ da prefeitura para poder pôr em prática as ações que planeja para São João da Boa Vista. Em meio a desafios, como a melhoria da saúde pública e a zeladoria do município, ele vem implementando mudanças e buscando alternativas visando a melhoria dos serviços públicos.

Na quinta-feira (10), Vanderlei completou 100 dias no comando do Poder Executivo e, em entrevista ao O MUNICIPIO, fez uma avaliação sobre este começo de gestão e falou sobre os problemas enfrentados, as obras que pretende realizar, a atual situação da represa e os planos que tem para a administração da cidade. Também quebrou o silêncio sobre a criação de novos pedágios na região proposta do governo estadual, assunto que, até então, não comentou abertamente.

Vanderlei: “Trato a coisa pública com seriedade e exijo a mesma postura dos meus diretores e todos aqueles que trabalham comigo” (Divulgação/Prefeitura de São João)

O MUNICIPIO: Prefeito, como o senhor avalia esses 100 primeiros dias de gestão?

Vanderlei: Olha, por serem os primeiros dias, o primeiro passo é colocar a casa em ordem, né? E eu confesso que ainda falta muita coisa para organizarmos. Pegamos a saúde com o contrato de gestão vencendo em 28 de fevereiro. Pelos apontamentos que tínhamos sobre esse contrato, não era aconselhável renová-lo. Tivemos que fazer um contrato emergencial com a nova OS [organização social] por seis meses. Agora, estamos avaliando como resolver o problema da saúde de forma definitiva: se faremos um novo contrato ou buscamos outra solução para evitar que a cidade fique refém de trocas anuais de OS. O contrato atual de seis meses é transitório e queremos uma solução permanente.

A saúde tem desafios urgentes, como as cirurgias eletivas. Tenho conversado com a Santa Casa, a DRS e todos os agentes envolvidos para estruturar um plano definitivo, inclusive para o atendimento na UPA. Outro entrave é a falta de clareza na situação financeira da Prefeitura devido ao sistema que não atende às necessidades da gestão. Estamos finalizando uma licitação para implantar um novo sistema que forneça dados confiáveis, fundamentais para planejamento e redução de gastos. Em janeiro, fevereiro e março, dediquei-me quase exclusivamente à saúde, mas agora estou estendendo a racionalização de despesas a outros departamentos.

 

O MUNICIPIO: Teve algo que o senhor planejava realizar neste início de mandato e não conseguiu?

Vanderlei: Nosso plano de governo é para quatro anos. Os primeiros 90 dias foram de diagnóstico. Já identificamos áreas onde é possível otimizar recursos e fazer mais com menos. Esse é o desafio que tenho passado aos diretores. Eu sempre digo: mais do que arrecadar, é preciso gastar com critério.

 

O MUNICIPIO: A saúde sempre foi o ‘calcanhar de Aquiles’ de toda a gestão. Além do que citou, como avalia as ações atuais?

Vanderlei: Quem utiliza o sistema já percebe melhorias, mas estamos longe do ideal. Estabelecemos uma nova direção e um olhar mais estratégico. A prioridade é resolver as cirurgias eletivas, o atendimento na UPA e a estruturação financeira para reabrir unidades de saúde com horários estendidos.

 

O MUNICIPIO: Na educação, a principal queixa é a falta de uniformes. O que diz sobre isso?

Vanderlei: Estamos em processo de licitação para a compra. É uma etapa burocrática que não se resolve de um dia para o outro. Importante destacar que, na educação, estamos contratando profissionais de apoio escolar, um investimento de R$ 4,7 milhões.

 

O MUNICIPIO: Como está o andamento do licenciamento da represa?

Vanderlei: Perdemos a licença por falta de renovação no prazo. Suspendeu-se a licitação anterior, que havíamos deixado encaminhada, para a contratação das obras. Estamos contratando uma empresa para obter novamente a Licença Provisória (LP) e a Licença de Instalação (LI), com parecer jurídico em andamento. Nestes primeiros meses de governo, já estive três vezes com os técnicos da Cetesb em São Paulo.

 

O MUNICIPIO: Há obras grandes planejadas além da represa?

Vanderlei: Sim. Retomamos o projeto da usina de asfalto. A licitação inicial fracassou, mas será refeita. Também iremos priorizar o recapeamento em todas as regiões da cidade, o prolongamento da avenida Américo Vaz de Lima (em frente ao novo Pátio), a arquibancada do CIC, o Distrito Industrial (já resolvemos entraves para expansão de empresas como a Bauer) e a ciclovia, cuja área onde será construída já declaramos de utilidade pública. No esporte, vamos recuperar todas as praças esportivas, criar novos espaços e concluir o CSU do Resedás. Na habitação, com o novo diretor Titi, que tem experiência na área de habitação, vamos buscar áreas para viabilizar a construção de mais moradia popular, como fizemos nas gestões passadas. O turismo é um grande gerador de empregos, que nós queremos desenvolver em conjunto com a região, pois não se viabiliza um projeto consistente sem a união dos municípios vizinhos, como Águas da Prata, e promotores de extrema relevância, como Serras Vulcânicas, Serra da Paulista, entre outros atores do setor.

 

O MUNICIPIO: Qual o maior problema de São João hoje?

Vanderlei: Além da saúde, precisamos ampliar escolas e creches (como no Pedregulho e no bairro Alegre), reformar o CSU do Durval e o CIC, e investir no Distrito Industrial. Na cultura, queremos revitalizar o Theatro e levar projetos aos bairros.

 

O MUNICIPIO: O Centro de Inovação, criado no seu mandato anterior, será retomado?

Vanderlei: Sim. Estamos realinhando parcerias com a Agência de Desenvolvimento, UniFAE, UniFEOB, IFSP e Unesp. O objetivo é fomentar startups e projetos inovadores. A Escola do Senai, com investimento de R$ 16 milhões, será concluída após formalizarmos a doação do prédio localizado na Cidade das Artes (antiga Ceagesp).

 

O MUNICIPIO: Como busca recursos para essas ações?

Vanderlei: Há 15 dias estive em Brasília visitando gabinetes de deputados e ministérios em busca de verbas para a cidade. No Estado, pleiteamos a duplicação do acesso à rodovia São João/Vargem, a construção da ferradura para interligar as marginais da rodovia SP-342, entre São João e Águas da Prata, e o asfaltamento da Estrada Velha São João/Vargem.

 

O MUNICIPIO: Qual sua posição sobre os novos pedágios na região?

Vanderlei: É preciso prudência. Pedágios trouxeram melhorias no passado, como a modernização da malha viária regional. Quem é mais velho vai se lembrar de como eram as estradas da região antes das concessões. Além do quesito segurança, houve também um impacto significativo no desenvolvimento econômico dos municípios abrangidos, possibilitando a implantação de novas empresas que se instalaram aqui por conta da qualidade das estradas. Defendemos que o governo estadual inclua nossas demandas, como o acesso do Pratinha, a ferradura interligando as marginais da SP-342, o asfalto da Estrada Velha de Vargem. Vamos avaliar o processo com muita prudência, oportunizar o momento e tentar resolver problemas viários antigos para os quais o município não dispõe de recursos. Nesse sentido, o novo modelo de concessão pode sim trazer benefícios para a região.

 

O MUNICIPIO: Qual a mensagem que você deixa para a população sanjoanense?

Vanderlei: Trato a coisa pública com seriedade e exijo a mesma postura dos meus diretores e todos aqueles que trabalham comigo, como comprovado em meus mandatos anteriores.  Estamos organizando a casa para colher resultados a partir de 2026.  São João merece estar no lugar de destaque que sempre ocupou. Contem com nosso empenho para transformar a cidade num orgulho para todos.

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