Por Bruno Manson
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O reitor do UniFAE, prof. dr. Marco Aurélio Ferreira, cobrou publicamente um posicionamento dos vereadores em relação aos projetos de reestruturação administrativa e o reajuste do teto salarial do Centro Universitário. A reivindicação foi feita durante a sessão ordinária realizada segunda-feira (24) na Câmara Municipal.
Ao usar a Tribuna Livre, o professor relatou que, desde janeiro, vem pedindo uma reunião com os edis, porém, sem sucesso. “Por incrível que pareça, o UniFAE, como um Centro Universitário, uma autarquia pública que deve ser fiscalizada por todos vocês, até hoje não obteve resposta”, afirmou. “Eu queria entender o que acontece… O descaso desta Casa com a nossa instituição”, disse o educador.

Marco Aurélio comentou sobre a importância da universidade para o desenvolvimento educacional, social e da saúde de São João da Boa Vista e região. De acordo com o reitor, o Centro Universitário realizou 6.417 atendimentos gratuitos na área da saúde no ano passado. Ele ainda destacou que quase 7.000 pessoas foram assistidas nas áreas de Odontologia e Psicologia, enquanto que na Medicina foram contabilizados mais de 45 mil atendimentos – somando o Ambulatório do UniFAE, as Unidades de Saúde, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a Santa Casa ‘Dona Carolina Malheiros’ e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O reitor destacou que somente no ambulatório do Centro Universitário existem algumas especialidades que o município não oferece, como o pré-natal de alto risco, reumatologia, cirurgia vascular e pequenas cirurgias. “O UniFAE não recebe nenhum centavo do dinheiro público de São João da Boa Vista. As suas receitas são oriundas das mensalidades”, observou. “Esses números refletem a relevância da universidade, não apenas como Centro Universitário educacional, mas também como serviço essencial para a saúde pública local, especialmente para as camadas da população que mais necessitam de cuidados médicos”, comentou.
SEM CARGOS ADMINISTRATIVOS
Apesar de todo este trabalho desenvolvido, o UniFAE enfrenta sérios desafios que comprometem o crescimento e a qualidade dos serviços prestados. Segundo ele, um dos principais obstáculos é a falta da aprovação dos projetos de reestruturação administrativa do Centro Universitário, que estão paralisados junto à Câmara Municipal desde 2023. “Esses projetos são essenciais para garantir uma gestão mais eficiente e moderna para a universidade, melhorando o funcionamento de suas diversas áreas”, explicou.
O reitor frisou que a universidade tem um orçamento de R$ 70 milhões e conta com mais de 300 colaboradores – professores e servidores – e que necessita de cargos administrativos fundamentais para o seu bom andamento. “Eu gostaria de entender como que esta Casa pode pensar que uma instituição de ensino pode ficar quase dois anos sem secretaria geral, sem chefe de financeiro, sem chefe de RH, sem chefe de licitação, sem chefe de compras, sem chefe de contabilidade, entre outros cargos”, relatou.
SALÁRIOS DEFASADOS
Outro problema mencionado por Marco Aurélio é o reajuste do teto salarial do UniFAE, o qual está sem reajuste há mais de 10 anos. Trata-se de um assunto que gera polêmica, uma vez que depende exclusivamente do aumento dos subsídios pagos para prefeito, vice-prefeito e vereadores, porém, isso está acarretando em sérios problemas para o Centro Universitário. “Esse achatamento salarial tem afetado diretamente a motivação e a qualidade do trabalho dos professores e servidores da instituição, criando um cenário de desvalorização e dificultando a atração e retenção dos profissionais qualificados. A estagnação no desenvolvimento da universidade também reflete na impossibilidade de implementar novos projetos e expandir, especialmente os cursos na área da saúde”, detalhou o reitor. “A falta de recursos adequados e a paralisação dos projetos de reestruturação administrativa comprometem diretamente a continuidade dos cursos essenciais para a formação de profissionais da saúde. Cursos como Medicina, Fisioterapia, Odontologia, Enfermagem, Psicologia e Farmácia são fundamentais para os atendimentos da população e a formação de profissionais altamente qualificados que entendem a necessidade da comunidade. O risco de fechamento de algum desses cursos devido à falta de recursos e de condições adequadas representaria um grande retrocesso para a cidade e, principalmente, para a população mais carente que depende desses serviços”, alertou. “É de extrema urgência que os projetos de reestruturação administrativa sejam aprovados e que o teto salarial seja reajustado!”, completou.
RESPONSABILIDADES
Ao final, Marco Aurélio cobrou a atenção da Câmara Municipal a este problema. “Vocês escolheram ser vereadores. Eu acredito que quando a gente se propõe a ser gestor público ou a cuidar de nossa cidade, temos que ter responsabilidade nos atos que executamos. E muitas vezes os atos não são de ‘dar voto’, mas vocês têm que assumir as responsabilidades de vereadores”, declarou. “Não dá para aceitar o que estão fazendo com o UniFAE e com os aposentados de São João da Boa Vista”, concluiu.




