Por Pedro Souza
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O cenário esportivo de São João da Boa Vista perdeu um de seus nomes mais importantes na terça-feira (11). Aos 70 anos, Antônio Carlos Nogueira de Oliveira, o Leivinha, nos deixou, ficando uma lacuna irreparável na história do jornalismo esportivo. Ele foi encontrado sem vida em sua residência após amigos e familiares sentirem sua ausência e a falta de comunicação.
Leivinha deixa a filha Maria Fernanda, de quem tinha muito orgulho e que exaltava sempre que tinha oportunidade.

HISTÓRIA
Leivinha nasceu em 24 de julho de 1954, em São João da Boa Vista, onde construiu uma trajetória singular na imprensa esportiva. Filho de Benedito Fernandes de Oliveira, o Cajuca, e Maria Nazaré Nogueira de Oliveira, formou-se engenheiro agrônomo pela UniPinhal em 1982. Atuou por 15 anos com inseminação artificial de bovinos no Grupo Bradesco, por meio do projeto Pecuária Planejada (PecPlan), participando de exposições agropecuárias no Brasil e nos Estados Unidos.

Entretanto, foi no jornalismo esportivo que encontrou sua vocação e deixou seu maior legado. Ainda adolescente, a paixão pelo futebol o levou a assessorar o jornalista esportivo Ito Amorim, à época correspondente em São João do tradicional jornal paulistano A Gazeta Esportiva, Leivinha buscava nos vestiários as escalações das equipes e informações para transmissões da Rádio Piratininga. Mais tarde, essas mesmas informações geravam matérias para O MUNICIPIO, veículo que Amorim representava.
Baseado neste início promissor, Leivinha passou a escrever matérias esportivas em vários jornais da cidade, entre eles o próprio O MUNICIPIO, Jornal Regional, Jornal do Povo, Edição Extra, A Cidade de São João e Destaque Esportivo.
Leivinha fundou seu próprio jornal em 2002, o Momento Esportivo, e foi autor do livro A História do Futebol em São João da Boa Vista 1905-2008. Também produziu o site www.leivinha.com.br, deixando para a posteridade mais de 1.500 fotos de equipes esportivas sanjoanenses e regionais.
Atualmente, assinava um artigo mensal no O MUNICIPIO, onde resgatava, com precisão e paixão, o passado de atletas e competições que marcaram a história sanjoanense.
APELIDO
O apelido, herdado do lendário ídolo do Palmeiras dos anos 1970, surgiu em uma roda de amigos no Bar Teatro. A semelhança física com o atleta fez com que a alcunha pegasse, tornando-se sua identidade dentro e fora do jornalismo.

O encontro entre os ‘Leivinhas’ aconteceu em 2012, quando João Leiva de Campos Filho, o ex-jogador do Palmeiras, visitou São João da Boa Vista para um amistoso entre o time máster do Verdão e uma seleção local. Durante um bate-papo descontraído, o craque brincou: “Aqui em São João você é o Leivinha; eu sou o genérico!”. Era um reconhecimento justo para aquele que tanto se dedicou a contar e preservar a história do esporte na cidade.
LEGADO
Leivinha era o guardião de histórias, nomes e feitos que, sem ele, poderiam ter caído no esquecimento. Seu legado seguirá vivo nas páginas que escreveu e no amor pelo esporte que sempre carregou. São João da Boa Vista perde um historiador do esporte e, acima de tudo, um apaixonado pelo que fazia.




