Por Ana Paula Fortes
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A mamografia é o método mais eficaz para detectar precocemente o câncer de mama, uma das doenças que mais matam mulheres no Brasil e no mundo. Em São João da Boa Vista, cerca de 2.800 exames foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no ano passado.
Atualmente, a prefeitura tem contrato com a clínica Nova Imagem e oferece 200 exames mensais para as mulheres, isso além aqueles realizados pelo Ambulatório Médico de Especialidades (AME). “Após o pedido do médico do posto de saúde, a espera para a realização do exame costuma ser de um mês e mais 15 dias para os resultados”, afirmou a administração municipal.

O número de mortes pela doença diminui de 15% a 45% nas populações que têm acesso à mamografia preventiva periódica, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). O diagnóstico precoce do câncer de mama significa chance de cirurgias menores, tratamentos menos agressivos e as chances de cura podem chegar a mais de 90%, de acordo com a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama)
No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde – assim como a da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a de outros países – é a realização da mamografia de rastreamento, quando não há sinais nem sintomas, em mulheres com idade entre 50 a 69 anos, uma vez a cada dois anos, como forma de identificar o câncer antes do surgimento de sintomas.
Abaixo dos 40 anos, o exame pode ser indicado para mulheres com suspeita de síndromes hereditárias, para complementar o diagnóstico, em caso de nódulos palpáveis ou se o médico determinar esta necessidade.
É importante lembrar que o autoexame das mamas realizado pela própria mulher, apalpando os seios, ajuda na identificação de tumores maiores, porém, isso não substitui o exame clínico realizado por profissional da saúde e a mamografia.
Em São João, apenas duas clínicas possuem mamógrafo: a Nova Imagem e a Clínica Salles. Os valores do exame giram em torno de R$ 180 a R$ 300.
Depoimentos
Karla de Oliveira, 48 anos, iniciou a investigação para o que viria ser um câncer de mama graças ao autoexame. Isso porquê a mamografia só é incluída na rotina de mulheres acima dos 50 anos. “Sentir um carocinho no autoexame me levou a buscar o médico e realizar os outros exames necessários, até a biópsia que conclui o quadro. Como foi descoberto precocemente, pude dar início ao tratamento rapidamente, o que, graças a Deus, levou à cura”, contou.
A enfermeira Fernanda Cavalcante recebeu seu diagnóstico aos 38 anos. “Fui submetida a 16 quimioterapias, cirurgia, 15 seções de radioterapias e imunoterapia por um ano. Na época a mamografia foi um dos exames cruciais para concluir o quadro de investigação da doença”, disse.
Fernanda é bastante enfática ao afirmar que mamografias salvam vidas. “A realização precoce do exame é extremamente necessária, pois muitas mulheres jovens estão sendo acometidas pelo câncer, e elas estão fora da população alvo, preconizada como grupo de risco”, concluiu.
Mamografia
A mamografia é uma radiografia das mamas feita por um equipamento de raios-x chamado mamógrafo, capaz de identificar alterações suspeitas de câncer antes do surgimento dos sintomas.
As primeiras radiografias deste tipo foram realizadas por M. Romagnoli, na Itália, em 1931, e chamaram a atenção para o diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas foi Raul Leborgne, em 1949, que observou a necessidade de qualificação da técnica, sendo o pioneiro na melhoria da qualidade da imagem, realçando o diagnóstico diferencial entre calcificações benignas e malignas.
Embora a mamografia seja o principal exame para detectar anormalidades nas mamas, apenas uma biópsia poderá confirmar o diagnóstico, se benigno ou maligno.




