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Ao comentar a alta da inflação de 4,83% em 2024, acima do teto definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), conforme divulgou o IBGE no dia 10/01, Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), alertou ser necessário que a política fiscal tenha um papel mais ativo no combate à majoração dos preços em 2025. “O controle mais cuidadoso e responsável dos gastos públicos reduzirá a necessidade de juros altos, imporá menores custos ao setor produtivo e estimulará a economia”, ponderou.

Cervone acentuou que tal compromisso deve ser compartilhado por todas as esferas do setor público, abrangendo os Três Poderes e as instâncias municipais, estaduais e federal. “Obviamente, a União, dona do maior orçamento dentre os entes federados e responsável pelas diretrizes econômicas, tem maiores responsabilidades nesse processo”, salientou, acrescentando: “Também é necessário que o Executivo e o Legislativo discutam os cortes dos gastos públicos de modo mais republicano, pois o dinheiro dos impostos que mantém o Estado pertence ao povo brasileiro e não pode ser usado como moeda de troca”.
IMPACTOS NA REGIÃO
O vice-diretor regional do Ciesp, Adriano Alvarez, ressaltou que os reflexos da inflação e da alta dos juros impactam diretamente a região de São João da Boa Vista. “As empresas são agrícolas e dependem de financiamento. E o financiamento agrícola não está focado apenas na fazenda, no produtor, mas principalmente nos fabricantes de bens de capital durável (tratores, caminhões de capital, grandes máquinas agrícolas) que dependem de juros. Se o Governo gasta mais, temos um problema, ele vai precisar subir juros e isso impacta diretamente a nossa região, tanto no agronegócio quanto a construção civil”, analisou.
No embalo do avanço do PIB em 2024, o presidente do Ciesp disse esperar que, a partir da nova gestão no Banco Central, cuja independência deve ser sempre respeitada, possa haver mais equilíbrio entre as políticas fiscal e monetária, com redução do déficit público e diminuição das taxas de juros. “Esta é a equação fundamental para o Brasil dar um novo salto em termos de crescimento sustentado”, enfatizou.




