Reflexos da PEC 6×1 serão debatidos em evento

Por Bruno Manson
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O fim da escala de seis dias de trabalho por um dia de folga – a chamada escala 6×1 – proposta pelo movimento Vida Além do Trabalho tem gerado uma série de debates em todo País. Em São João da Boa Vista, o assunto será tema de uma roda de conversa promovida no campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). O debate será na quarta-feira (4), das 19h às 22h30, no Auditório Bloco A, e reunirá lideranças e representantes de diferentes setores.

Mobilização: movimento Vida Além do Trabalho tem realizado atos e promovido debates em várias cidades em defesa da mudança na jornada de trabalho (Reprodução/Letycia Bond/Agência Brasil)

O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) é uma das instituições que apoia a mudança e participará do evento. “Temos trabalhado bastante essa questão da necessidade de reduzir a jornada de trabalho, isso em razão até das novas tecnologias. O mundo tem que caminhar para isso e alguns países já adiantaram bastante”, afirmou o professor Hélio Rios, representante da entidade sindical em São João da Boa Vista.

De acordo com o sindicalista, o impacto ao servidor público federal praticamente não existe – uma vez que em alguns setores já trabalham com a jornada de 30 horas semanais –, porém, essa questão reflete mais na área do comércio. “Os trabalhadores do terceiro setor têm sido vitimados pela política 6×1. Vamos lembrar que antigamente o comércio só abria de sábado até meio-dia. No interior, por exemplo, eu lembro que não abria nem de sábado. Agora está abrindo aos sábados, domingos e feriados, isso também por conta das novas tecnologias”, observou. “É importante destacar que as novas tecnologias produzem com muito mais quantidade. Isso permite que haja um apelo maior ao mercado consumidor. Quanto mais se produz, mais se deve consumir”, analisou o professor. “Esse consumo irresponsável tem consumido a vida das pessoas e desconsiderando que um pai de família, uma mãe de família, os próprios filhos e irmãos precisam se encontrar e ter um convívio. Ninguém trabalha pelo trabalho! Por isso que o movimento se chama Vida Além do Trabalho”, explicou o representante do Sinasefe.

SEM IMPACTO DIRETO

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais afirma que o debate em torno do fim da escala de trabalho 6×1, neste momento, afeta principalmente os funcionários contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Como nosso sindicato representa servidores estatutários, essa mudança não impacta diretamente nosso regimento interno. No entanto, estamos atentos a como essa alteração será aplicada aos celetistas e, caso identificarmos que o modelo traz benefícios para os servidores, iremos propor uma discussão junto ao prefeito eleito para avaliar sua viabilidade”, disse o presidente João Henrique de Paula Consentino.

DEBATE

A roda de conversa sobre a mudança na jornada de trabalho é aberta às lideranças de diversos setores, trabalhadores, estudantes e comunidade em geral. Para participar, basta fazer a inscrição no site do Instituto Federal. O cadastro pode ser preenchido até terça-feira (4) e o link para acesso é suap.ifsp.edu.br/eventos/inscricao_publica/11724/.

ENTENDA O CASO

Baseada nas reivindicações do movimento Vida Além do Trabalho, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa substituir a atual escala 6×1 – seis dias de trabalho por um de descanso – tem gerado uma série de debates. A medida é de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e propõe a implementação de uma escala 4×3. Nesse modelo, os trabalhadores teriam quatro dias de trabalho seguidos por três de folga, com garantia de manutenção dos salários nos níveis atuais.

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