Empresa é alvo de operação contra abuso sexual infantil

Por Bruno Manson
[email protected]

A Polícia Civil e o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagraram na quinta-feira (31) a Operação Lobo Mau para desarticular uma rede criminosa envolvida na produção, armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil. A força-tarefa foi organizada com o apoio da agência Homeland Security Investigations (HSI) e da Embaixada dos Estados Unidos.

Operação: computadores e equipamentos apreendidos irão para análise forense, com o objetivo de identificar outros envolvidos (Divulgação/Polícia Civil)

Foram expedidos 92 mandados de busca e um de prisão em 20 estados e no Distrito Federal. Ao todo, 36 suspeitos foram presos por participarem da rede criminosa. No Estado de São Paulo, seis suspeitos foram detidos, enquanto outros cinco tiveram objetos apreendidos, foram ouvidos e liberados, permanecendo na condição de investigados. Um deles é de São Sebastião da Grama.

Em Campinas (SP), um porteiro foi preso e confessou a participação em mais de 100 grupos online com imagens de abuso e exploração sexual infantil. No celular dele, os agentes encontraram um vasto conteúdo de abuso infantil. Já em Itanhaém (SP), a Polícia Civil localizou uma espécie de estúdio usado para a produção e edição de vídeos.

EMPRESA INVESTIGADA

Durante a força-tarefa também foi cumprido mandado de busca e apreensão em São João da Boa Vista. O alvo foi uma empresa que atua no ramo de segurança particular e patrimonial. Durante a ação, a sede da firma foi cercada pelas viaturas e o local vistoriado. Na ocasião foi realizada a vistoria de dispositivos eletrônicos e outros equipamentos suspeitos de serem usados na produção e armazenamento de material envolvendo abuso sexual infantil.
Os aparelhos apreendidos durante a operação em todo o território nacional irão para análise forense, com o objetivo de identificar outros envolvidos. Portanto, as investigações prosseguem.

EMPRESA SE PRONUNCIOU SOBRE O CASO

O cumprimento do mandado de busca e apreensão em São João da Boa Vista teve grande repercussão. Após a força-tarefa, a empresa emitiu um comunicado comentando sobre o caso. “Prezados companheiros de trabalho, no último dia 31 fomos intimados na nossa Central de Operações, por um grupo de policiais de Campinas, que informaram que estava em andamento na cidade de São José do Rio Preto uma investigação que se estendia em outras 94 cidades, havendo a necessidade de realizarem ali a busca em nossos servidores a fim de esclarecer se alguém havia utilizado a nossa rede de acessos aos computadores mundiais para trafegar mensagens de conteúdo pedófilo. Nossos servidores de rede de acesso aos computadores em todo o mundo conectam diariamente mais de 3.000 pontos, interligando smartphones, tablets, computadores de uso interno e externo, sujeitos a interferências malignas, apesar de mantermos sistemas de vigilância constantes”, constou na nota emitida pela firma.

“Como vocês estão sabendo e da maneira correta como sempre agimos, nos colocamos à disposição daquela equipe policial e a ela prestamos a colaboração necessária para a completa investigação. Fornecemos imediatamente para a polícia o auxílio de nosso pessoal e as informações necessárias para cumprimento de seus objetivos. Terminadas as diligências policiais (período entre 6h e 10h) restou comprovado que não existem em nossos equipamentos de informática nenhum item que se podia associar à prática de pedofilia, o que veementemente repudiamos, como qualquer pessoa de bem. Acreditamos sempre em Deus e amamos nossas crianças. Agora, prosseguimos com nosso trabalho sério, sempre objetivando à segurança e bem-estar de nossos milhares de colaboradores e clientes. Rogamos a todos vocês, que aqui prestam serviços, para que utilizem nossas redes de comunicação mundial de forma correta e responsável”, concluiu a diretoria da empresa.

A REDE

O alvo da Operação Lobo Mau é uma rede criminosa envolvida na produção, armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil. As investigações apontam que um número expressivo de criminosos entra em contato com crianças e adolescentes por meio de plataformas digitais para induzi-los a produzir conteúdo de nudez e até mesmo de sexo.

Segundo o Ministério Público, o material produzido é distribuído em grupos fechados de troca de mensagens, como o Telegram, o Instagram, o Signal e o WhatsApp. Até jogos muito usados por crianças, como o Roblox, são utilizados na abordagem das vítimas para a exploração sexual.

O MP explica que a operação foi batizada como ‘Lobo Mau’ em referência ao criminoso predador sexual que se esconde atrás de uma fachada de normalidade para se aproximar da vítima, ganhar a confiança dela e depois atacá-la, situação potencializada enormemente no ambiente virtual.

A Operação Lobo Mau contou com a participação das Polícias Civis e Ministérios Públicos do Acre, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul e Sergipe. A ação também teve o apoio das Polícias Militares de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here