Empresa é suspeita de registrar pesquisas eleitorais com notas fiscais forjadas em São João e Vargem

REDAÇÃO
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A Quality Pesquisas e Assessoria Empresarial Eireli está sendo alvo de mais uma denúncia. Na quinta-feira (3), a empresa foi tema de reportagem exibida pelo SBT Brasil, onde é apontada como suspeita de fraudar pesquisas eleitorais para beneficiar candidatos, inclusive forjando contratantes para registrar os levantamentos na Justiça Eleitoral.

Mensagens obtidas pela reportagem do SBT Brasil revelaram que a empresa cobrava valores altos pelos serviços: R$ 55 mil por pesquisa, R$ 180 mil pelo serviço completo durante a campanha e até R$ 360 mil por um “prêmio” em caso de vitória do candidato (Reprodução)

Dois empresários de São Paulo (SP) descobriram que os nomes e os dados deles foram usados indevidamente nas notas fiscais dessas pesquisas. Um deles é Marcelo Vrejhi, dono da VS Publicidade Ltda., que é responsável por um jornal em Osasco, na Grande São Paulo, e afirmou que foi usado em uma possível fraude eleitoral. Ele relata que nunca contratou o instituto, mas descobriu que seu nome foi vinculado a 15 notas fiscais em 13 cidades diferentes do estado.

Conforme consta no registro de pesquisas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Quality Pesquisas e Assessoria Empresarial Eireli registrou uma sondagem em São João da Boa Vista e outra em Vargem Grande do Sul, ambas com orçadas em R$ 6.000 cada e supostamente contratadas pela VS Publicidade Ltda. “Não conheço, nunca contratei nenhuma pesquisa com esse instituto chamado Quality”, disse Marcelo, durante entrevista.

MESMO DONO

De acordo com a reportagem, a fraude se tornou evidente quando Marcelo, que anteriormente havia contratado uma pesquisa com a Vitória Comunicação e Assessoria Empresarial Eireli, identificou que o proprietário da Quality, Otílio Claudino de Araújo Júnior, também era responsável por esse instituto. “Tempos depois, eu fui entender que essa empresa, que registrou várias pesquisas no nome da minha empresa, tem como proprietário o mesmo dono desse instituto chamado Vitória”, completou.

Além disso, o endereço da empresa de Marcelo foi alterado nas notas fiscais, aparecendo sempre como localizado em Santos, no litoral de São Paulo, uma cidade em que ele não possui nenhuma ligação. “Eu não tenho nada com Santos. Nunca tivemos endereço lá. Não faço ideia do que seja esse endereço”, declarou.

FALSIDADE IDEOLÓGICA

Diante das suspeitas, o Ministério Público Eleitoral entrou no caso. O promotor Alfredo Portes apontou indícios de falsidade ideológica, afirmando que a empresa inseriu declarações falsas nas notas fiscais e utilizou documentos adulterados para registrar as pesquisas. Além das fraudes nas notas fiscais, a Quality Pesquisas e Assessoria Empresarial Eireli também é acusada de manipulação de resultados. Em Buritama (SP), a Justiça Eleitoral proibiu a divulgação de uma pesquisa por não cumprir os requisitos legais.

VALORES

Mensagens obtidas pela reportagem do SBT Brasil revelaram que a empresa cobrava valores altos pelos serviços: R$ 55 mil por pesquisa, R$ 180 mil pelo serviço completo durante a campanha e até R$ 360 mil por um “prêmio” em caso de vitória do candidato. “A legislação eleitoral permite até que a empresa autofinancie sua pesquisa, o que é estranho, porque se a empresa depende de vender pesquisas para sobreviver, como ela registra tantas pesquisas autofinanciadas?”, questionou o advogado eleitoral Arthur Rollo.

O SBT Brasil tentou contato com Araújo Júnior, mas teve as chamadas telefônicas bloqueadas. Em nota, a Quality Pesquisas e Assessoria Empresarial Eireli limitou-se a dizer que “trabalha dentro dos mais rígidos padrões de qualidade” e quando uma sondagem foge desses “padrões”, esta é imediatamente cancelada. Sobre as notas fiscais com indícios de fraude, o instituto não se pronunciou.

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