Por Bruno Manson
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Uma idosa de 89 anos em situação de maus-tratos foi resgatada pela Polícia Civil durante uma operação realizada no centro de São João da Boa Vista. A mulher vivia com o filho, de 57 anos, em condições insalubres em uma casa cheia de lixo e materiais descartáveis. O caso veio à tona após a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) receber as informações por meio do Disque Denúncia do Ministério dos Direitos Humanos.

Antes da ação ser deflagrada, a equipe de investigação esteve no local para averiguar o caso. Ao chegarem na residência, os policiais civis notaram que as janelas do imóvel eram cobertas por papelão e o portão estava trancado com três cadeados. Alguns vizinhos conversaram com os agentes e relataram que há dias não viam a idosa, porém, o filho dela estava no imóvel, mas nunca atendia ninguém.
Após muita insistência, o morador atendeu a equipe policial, somente abrindo uma fresta da porta. Na ocasião, ele não autorizou a entrada de ninguém e apenas chamou a mãe até ao portão. De acordo com a Polícia Civil, a idosa possuía dificuldade de locomoção e fala desconexa. Além disso, ambos aparentavam estar sem higiene, com unhas compridas e vestes sujas.
LIXO POR TODA PARTE
Diante do caso, a Vara Criminal expediu um mandado de busca e a Polícia Civil retornou à moradia na manhã de segunda-feira (2). Durante a ação, o morador não queria autorizar os policiais civis realizarem as buscas. Somente após os agentes dizerem que iriam então pular o portão, que o autor abriu os cadeados e permitiu a entrada deles.
Ao entrar na casa, a equipe policial se deparou com uma grande quantidade de sujeira e entulhos em todos os cômodos. Havia sacolas plásticas, lixo e papel higiênico usado jogado no chão. Isso sem contar que o imóvel apresentava mofo, infiltrações e mau cheiro.
Tamanha a quantidade de materiais amontoados dificultava até mesmo a movimentação dos policiais civis pela residência, uma vez que havia apenas um pequeno corredor para circularem.

SITUAÇÃO DEGRADANTE
A Polícia Civil encontrou a idosa deitada em uma cama no canto de um dos cômodos. Ao lado dela havia lixo e sacolas plásticas com vestes sujas, fezes e urina. A mulher estava visivelmente sem qualquer higiene. Mesmo com o calor, em um ambiente sem ventilação, ela estava com um grosso cobertor. Conforme apurado, a moradora não conseguia se locomover, estava desorientada e apresentava fala desconexa. Não havia alimentos ou água à disposição, somente um rolo de papel higiênico e um balde vazio ao seu lado.
RESGATE
Em meio a essa situação precária, a equipe policial acionou o Departamento de Assistência Social, o qual encaminhou as técnicas do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) para acompanhar o caso juntamente com a Vigilância Sanitária. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) prestou apoio e encaminhou a moradora a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde permaneceu em observação. Posteriormente, ela foi encaminhada para uma casa de abrigo e terá o acompanhamento do CRAS.
DESFECHO
O filho da moradora foi encaminhado para o Plantão Policial e foi elaborado um Termo Circunstanciado de Ocorrência. O caso foi acompanhado pelo delegado Ivan Constancio. Durante a apuração do caso, o morador disse que sua mãe é acumuladora e que, na visão dele, a casa estava apenas ‘bagunçada’.




